anais da política econômica

O ralo

Desde 2008, o BNDES emprestou o equivalente a 10% do PIB para empresas escolhidas pelo governo acelerarem o crescimento. Onde foi parar esse dinheiro?

Consuelo Dieguez
Tão rápido quanto mandava o BNDES apostar num determinador setor, o governo o relegava a segundo plano e mudava seu foco de ação, levando o banco a reboque de decisões erráticas e criando problemas para diversos setores da economia
Tão rápido quanto mandava o BNDES apostar num determinador setor, o governo o relegava a segundo plano e mudava seu foco de ação, levando o banco a reboque de decisões erráticas e criando problemas para diversos setores da economia MONTAGEM DE PEDRO ZOLLI SOBRE ILUSTRAÇÃO DE HARRY CLARKE

A sede do sindicato dos metalúrgicos de Pernambuco fica numa arborizada rua de paralelepípedos próxima ao centro histórico do Recife. O movimento ali costumava ser igual ao de qualquer entidade de classe. Uma ou outra rescisão de contrato de trabalho, pedidos de informações, certa agitação em época de campanha salarial. Costumava ser assim. Desde janeiro, o sindicato vive outra rotina. Diariamente, por volta das oito da manhã, dezenas de homens de todas as idades, com expressões que vão da passividade ao desconsolo, chegam ao acanhado prédio de dois andares para homologar suas demissões.

Todos vêm de um único lugar: o Estaleiro Atlântico Sul, das empreiteiras Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, em Ipojuca, a poucos quilômetros do Recife. São tantos os dispensados que o sindicato decidiu reuni-los no auditório da entidade não só para agilizar o processo, mas para evitar o constrangimento adicional de filas do lado de fora do prédio. No espaço de cerca de 60 metros quadrados, sentados em carteiras escolares, os metalúrgicos aguardam em silêncio o chamado de seus nomes.

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Consuelo Dieguez

Repórter da piauí desde 2007, é autora da coletânea de perfis Bilhões e Lágrimas, da Companhia das Letras

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