Trump e Lula, na cúpula em Kuala Lampur, na Malásia: em audiência com o empresário Joesley Batista, dono da JBS, Trump ouviu uma defesa do STF e ficou assustado ao ser informado de que o tarifaço estava impulsionando a popularidade de Lula CRÉDITO: RICARDO STUCKERT_PR_2025
No epicentro
Os bastidores inéditos do tarifaço de Trump contra o Brasil
Ana Clara Costa, de Washington | Edição 231, Dezembro 2025
As negociações caminhavam com uma certa cordialidade. Afinal, Brasil e Estados Unidos mantêm relações amistosas há dois séculos. Em fevereiro, o presidente Donald Trump decretara tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio importados de todos os países, inclusive o Brasil. Em seguida, taxou em 18% o etanol brasileiro. Em março, os governos brasileiro e americano começaram a conversar em um clima de tranquilidade, mas surgiu ali uma primeira estranheza: os Estados Unidos pediram que o Brasil simplesmente parasse de vender à China, com a qual travavam uma guerra tarifária. A resposta, claro, foi negativa, e as coisas seguiram. Em abril, Trump voltou à ofensiva e anunciou uma tarifa global mínima de 10% sobre todas as suas importações – as brasileiras incluídas. Ainda não havia motivos para maiores inquietações em Brasília. Afinal, ao lado do Reino Unido e da Austrália, o Brasil era um dos poucos países com os quais os Estados Unidos tinham superávit comercial. Em maio, depois de dez reuniões bilaterais, o Brasil fez uma proposta formal. Pediu o fim da tarifa de 10% e a revisão das alíquotas sobre o aço e o alumínio, e fez concessões sobre as barreiras à entrada de etanol americano no mercado local.
E então veio o silêncio.
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
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