cartas

Piauí, terra querida/Filha do sol do equador

NOSSO SONHO, NOSSO AMOR

O Brasil deu um passo avante na cultura. Há pouco, precisamente no mês de outubro, nascia no Brasil uma nova revista cultural, cujo nome é piauí. Piauí é um nome indígena que significa “peixe pequeno”, que dá no nosso Estado. No Piauí, há dezenove rios ─ seis perenes, Marco Maciel ─, lagoas e zonas onde jorra a água, fora dezenas de açudes que construí quando governei o Estado.

Antes deste Brasil se tornar grande, tudo foi pacífico, de pai para filho: “Filho, antes que algum aventureiro coloque a coroa na cabeça, coloque-a. Você fica com o Sul e eu vou ficar com o Norte”. Essa era a determinação de D. João VI. O Piauí foi o primeiro Estado que enfrentou uma batalha sangrenta, em 13 de março de 1826, para expulsar os portugueses do Brasil.

Então, brasileiros e brasileiras, quando vocês virem esse mapa grandão, lembrem-se que devem isso ao Piauí, aos piauienses, com aliados cearenses. Os baianos também tiveram uma batalha sangrenta e expulsaram os portugueses. Mas tudo começou no Piauí.



Rui Barbosa ganhou as eleições no Piauí. É… nós somos diferentes! Luiz Carlos Presetes, um militar brilhante, saiu com a Coluna Prestes. Ia tomar Teresina. Não Tomou. Prendemos Juarez Távora, seu companheiro.

Estamos aqui. É esse Piauí que é reconhecido com a revista. Isso aqui é típico do nordestino ─ a geladeira com o pingüim e tal. Trata-se de uma revista como a Seleções: multicultural, temas variados, revista independente, publicada em inglês, espanhol e português. Vou ler só um tópico, para V. Exas. verem como é interessante: “Um horror, grande mundo, um silêncio profundo”. Trata-se do Roberto Jefferson, esse Roberto que andou por aqui.

A revista vai marcar página na nossa vida. Eu diria como Gonçalves Dias:

Todos cantam sua terra
Também vou cantar a minha,
Nas débeis cordas da lira
Hei de fazê-la rainha.

Isso foi Gonçalves Dias. Mas, no Piauí, Adalberto Costa e Silva, presidente da Academia de Letras, filho do poeta Da Costa e Silva, esse poeta que fez o hino do Piauí, que diz:

Piauí, terra querida,
Filha do sol do equador,
Pertencem-te a nossa vida
Nosso sonho, nosso amor!

(Discurso sem revisão do orador).
SENADOR MÃO SANTA_BRASÍLIA

 

INSULTO E INJÚRIA

Estou como o Dr. Strangelove: a mão esquerda tenta abrir o número 2 de piauí, mas a direita (muito mais forte), não deixa. Psicologicamente, sinto-me bloqueado. Apresentar na capa Che Guevara vestindo camiseta com Bart Simpson, is “tantamount to add insult to injury”.

CARLOS ARTHUR ORTENBLAD_RIO DE JANEIRO

 

DESPERDÍCIO DE PAPEL

Nem entretenimento, nem informação, nem cultura, nem nada. Histórias descabidas, descontextualizadas, sem sentido, sem interesse. Não quero desfazer do trabalho de ninguém, quem sou eu. Mas à época em que vivemos, gastar tanto papel assim, mesmo que seja reciclado, para não falar nada, é no mínimo desperdício.

CAMILA TEBET_RIBEIRÃO PRETO

NOTA DA REDAÇÃO: E o pior é que o papel nem é reciclado.

 

ERRO CRASSO

“Vidas Literárias” traz o ponto de vista de Edward Sorel acerca de grandes nomes da cultura e do pensamento moderno e contemporâneo. Bertold Brecht está no número 1 e Carl Gustav Jung, no 2. Como jungiano e fã de Brecht, digo que não entendi os motivos que levaram piauí a publicar essas tiras. O tom é de fofoca e o conteúdo, ácido e corrosivo, ofende a memória de ambos. É provável que em algum momento o primeiro tenha partido/partilhado de idéias alheias (plágio), e o segundo tenha se impressionado, inicial e equivocadamente, pelo nacional-socialismo. Agora, retratá-los como falsários maquiavélicos, em desprezo à genialidade de ambos, é erro crasso e lamentável.

MARCELO RIBEIRO_SÃO PAULO

 

BAUDELAIRE DA MANGUEIRA

Nosso grande Nelson Sargento não tem a menor necessidade de incorporar ao seu repertório sambas de outros gigantes da Mangueira (“Cortina de fumaça”, número 2). Creio, quem sabe, que a ausência do cigarro tenha lhe confundido a memória, pois o samba “Notícia” é de outro Nelson, o Cavaquinho, em parceria com o Alcides Caminha (o inesquecível Carlos Zéfiro). Desculpe, Sargento, mas a fumaça (bota fumaça nisso) aí é do seu, do nosso, incomparável Baudelaire da Mangueira.

LUIZ FELIPE MEDINA COELI_RIO DE JANEIRO

 

BORRACHEIRO OU LAVRADOR

A matéria “Auto de Natal aéreo” (número 2) mostra bem porque a economia brasileira vai crescer menos de 3% neste ano. Enquanto o país tratar a pão-de-ló cada fruto de um “namoro” com borracheiro ou lavrador, desviando dinheiro dos investimentos e do controle de tráfego aéreo para fabricar mais um presidiário, o preço do seguro do nosso automóvel vai subir ainda mais. Enquanto outras Franciscas forem pondo filhos no mundo, em busca daquele que vai virar um Ronaldinho e levá-la para morar numa mansão na Espanha, não faltará emprego para jornalista esquerdista.

MATEUS DE OLIVEIRA FECHINO_RIBEIRÃO PRETO

 

AMA FIDEL E DIFAMA

Há alguns anos, inspirada por “lá vou eu no meu eu oval” escrevi “a lua para Paula”. Ao ler a matéria “Aí é luta, patuléia” (número 2), me inspirei de novo. Estava instigada a fazer um palíndromo com “Fidel”. Topei com “livro, amor vil” e por fim “ama Fidel e difama”. Agora estou na luta com “diarréia”, posso dizer que está difícil…

PAULA FONSECA_SÃO PAULO

 

DETERMINISMO BIOLÓGICO

Achei piauí literalmente uma grande revista, e por isso fica muito complicado lê-la em veículos em movimento. No metrô para a Zona Norte no Rio, por exemplo, fica impossível virar uma página. Mas tudo bem, por enquanto vou lendo no sofá aos pouquinhos.

Senti falta de uma contraposição à reportagem sobre Carl Zimmer (“O agente clandestino”, número 2), que soou o alarme para a possível interferência do Toxoplasma gondii no comportamento cultural das sociedades. A tendência norte-americana de criar doenças e vender remédios, bem ao gosto da indústria farmacêutica, está ficando mais séria. Não se trata mais de nomear um processo natural como doença, ou mudar os nomes de perturbações mentais para distúrbio disso ou daquilo ─ todos com medicamentos associados, com os quais praticamente se descarta a possibilidade de um tratamento sem remédios, pela psicanálise ou outra psicoterapia. Agora, querem passar por cima da antropologia e da sociologia, retrocedendo ao já superado determinismo biológico para justificar comportamentos sociais e diferenças culturais. Só que, em vez de medir os crânios, como se fazia no século XIX, agora usam um parasita.

PAULO THIAGO DE MELLO_RIO DE JANEIRO

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