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Sempé

Delicadezas e bom humor no traço suave do cartunista francês

Jean-Jacques Sempé
JEAN-JACQUES SEMPÉ_REPRODUÇÃO DO LIVRO DE ON MATIN_EDITORA DE NOËL

Na França, onde nasceu e vive há 75 anos, e tem mais de cinqüenta livros publicados, Jean-Jacques Sempé só não é uma instituição nacional porque seu trabalho não tem nada de ambicioso, ou de grave, ou de grandiloqüente. Ele busca mais o sorriso do que a gargalhada. Mais a observação carinhosa do que a crítica. E, definitivamente, mais a graça do que a denúncia.

Sempé começou a carreira nos anos 50, na imprensa regional e em revistas de pouca circulação, e se tornou popular com as ilustrações dos livros da série O Pequeno Nicolau, escritos por René Goscinny, um dos criadores de Asterix. Com A Ascensão Social do Senhor Lambert, foi um dos precursores do romance gráfico. Mas é nos cartuns que a sua criatividade parece não ter fim. Ele fez dezenas de milhares deles, e praticamente todos são imediatamente reconhecíveis, na forma, pela pena e cores leves – e, no conteúdo, pela precisão dos comentários sobre costumes e sociedade. Ainda que se refiram sobretudo à França, os comentários gráficos de Sempé muitas vezes têm um alcance maior: quem os vê fica alegre.

– e terminarei agradecendo ao International Research Institute of Columbia, graças ao qual, posso, enfim, me exprimir. Isso permitirá uma maior aproximação entre alguns de nós e vocês, humanos. Poderemos, assim, trabalhar juntos com maior eficácia para continuar nosso combate contra as Forças do Mal. Não falo apenas das pulgas, mas também dos gatos e outras raças prejudiciais

– Quem sois? Onde estais, forças obscuras que impediram o meu desabrochar?

– Não se preocupe, eles estão apenas fingindo que se divertem.

– Antes eu duvidava de mim. Passei a acreditar em Vós e tive confiança em mim. Agora que creio em mim e duvido de Vós.

– É realmente uma pena. Com um pouco de boa vontade de parte a parte, tudo poderia ter terminado bem.

Jean-Jacques Sempé

Jean-Jacques Sempé, desenhista francês, é o autor da série Pequeno Nicolau, da Martins Fontes, e de Raul Taburin, da Cosac Naify.

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