AD INFINITUM, O SUPREMO

As partes 1 e 2 das Questões jurídicas (piauí_47 e 48, agosto e setembro 2010) mostram o quanto nos diminuímos por temor ao Judiciário. O linguajar (falam daquele modo para engambelar o povo, claro) deveria mesclar-se com frases como Não faço a mínima ideia ou O que os outros decidirem, concordo (se é que já não as usam em latim, de forma que somente eles entendam).

HEITOR MAZZOCO_ SÃO JOSÉ DO RIO PRETO (SP) 

Seria muito bom se não houvesse o tal vínculo político no Supremo Tribunal Federal. Duas causas, ganhas em instâncias inferiores, foram politicamente adiadas pelo STF. Enquanto isso, milhares de pessoas que trabalharam na maior e mais séria empresa de aviação do Brasil, que pagaram seus impostos, que tiveram suas contribuições recolhidas em folha, mas não repassadas para o Instituto Aerus, de previdência privada, passam sérias dificuldades de ordem física e emocional. Vergonhoso! Os ministros do Supremo, que em tantas causas menores já deram pareceres favoráveis, simplesmente viraram as costas para o drama que vivem esses outrora superqualificados trabalhadores da aviação civil brasileira. Um drama social que não termina, com solução adiada pelo Supremo, data venia, ad infinitum!

 FERNANDO VIEIRA DUTRA_NITERÓI/RJ

A reportagem “O Supremo, quosque tandem?” (piauí_48, setembro 2010) lembrou-me a Revista do Rádio e a Radiolândia que a nossa cozinheira Judith lia, na minha infância, em Cachoeiro de Itapemirim.

SERGIO BERMUDES_RIO DE JANEIRO/RJ

PIAUÍ HERALD

Durante a faculdade, eu lia a piauí. Agora, morando em Buenos Aires, graças ao Twitter recuperei o contato com a revista. Boa surpresa foi ver o The Piauí Herald no site de vocês, que vem a ser similar em formato e conteúdo à excelente Revista Barcelona (subtítulo: Una solución europea a los problemas de los argentinos) daqui. Recomendo que deem uma fuxicada na página web deles. Vou sugerir o mesmo a eles. De vez em quando, eles sofrem censura em alguma província porque o humor deles, algumas vezes, é bastante pesado. Mas o usam como meio pra fazer crítica social e política. Fico muito feliz de ver esse tipo de iniciativa tanto aqui como no Brasil!

JIMENA HARGUINDEGUY_BUENOS AIRES/AR



COELHOS SUICIDAS

É tradicional em nossa cultura ocidental, infelizmente, situar o animal na sombra psicológica, contrariando assim as tendências ecológicas do mundo atual. Os cartuns de um coelho suicida (piauí_48, setembro 2010), nesse mesmo diapasão, primam em excelência pela morbidez e mau gosto.

NICOLAU GINEFRA_RIO DE JANEIRO/RJ

GETÚLIO E MEU AVÔ

O artigo “Preso, banido, desaparecido” (piauí_48, setembro 2010) foi muito interessante e comovedor. Dizem que o que não se fala, se somatiza no corpo e no olhar. A história é uma amostra das atrocidades que aconteceram no nosso Brasil, e me fizeram lembrar do filme Olga. Fico feliz que a autora demonstre tanta compaixão pelo seu avô. Tomara que a tenha pelos palestinos nos dias de hoje, e também seja uma construtora da paz. Esclarecimento: tenho simpatia pelos palestinos, bascos, tibetanos e judeus ou israelenses que defendem a paz com a Palestina.

GABRIEL FORNAZARI_SÃO PAULO/SP

RAIMUNDO E ELE

Maravilhosa e de muita coragem a matéria “Protógenes e eu” (piauí_48, setembro 2010). Infelizmente, a impunidade dos crimes “de rico” vem dando espaço para a carnavalização de investigações, decisões descuidadas, prisões a granel e muita interpretação equivocada com base no que é veiculado por uma imprensa maniqueísta. Uma coisa não muda: seja na impunidade, ou nessa neoinquisição, a negligência é enorme. Leva-se a instrução criminal com um sentimento vingativo, sem atenção para os fatos concretos. E quase todos se saem bem nessa história: os leitores se divertem, as autoridades se promovem, e os culpados, depois de uma pequena enxaqueca, continuam na ilegalidade. E vamos ignorar quem se machuca sem ter nada a ver com isso.

LUÍSA FERNANDES BOGEA NETTO_RIO DE JANEIRO.RJ

Foi forte o cheiro de queimado que pairou no ambiente durante a leitura da minuciosa defesa de Daniel Dantas, digo, da matéria “Protógenes e eu” (piauí_48, setembro 2010). Não tanto pela defesa, mas sim pela tentativa de fazer isso parecer uma crítica ao espalhafatoso delegado. Tomando em conta que os métodos de “relacionamento” com a imprensa praticados pelo banqueiro são amplamente conhecidos, piauí deveria prestar mais atenção a quem lhe põe a mão na cintura. Estamos de olho!

CLEYTON DOMINGUES DE MOURA_BRASÍLIA/DF

A matéria intitulada “Protógenes e eu”, de Raimundo Rodrigues Pereira (piauí_48, setembro 2010), é impressionante. Apesar de considerar o delegado Protógenes Queiroz alguém que se expressa muito mal (e assim diminui as chances de ver suas investigações bem-sucedidas, dado que os crimes devem sempre ser descritos de maneira clara e lógica, e não apenas identificados) considerava-o uma pessoa íntegra e com foco investigativo correto, algo que a matéria coloca em questão. No entanto, há um ponto na reportagem que ficou obscuro: a manipulação da gravação de oferta de propina por possível emissário de Daniel Dantas foi de que natureza e extensão? Se a gravação foi editada para ser resumida (os “melhores momentos”, por assim dizer), é uma coisa. Se foi editada para falsear uma oferta de propina que, de fato, não ocorreu, é outra.

CAIO RODRIGUEZ_SÃO PAULO/SP

RESPOSTA DE RAIMUNDO RODRIGUES: Há nos autos uma gravação de quase duas horas do jantar de Braz, Chicaroni e o delegado Vitor Hugo (amigo de Protógenes). Em nenhum momento dela existe uma oferta de suborno.

NOSSOS TRÊS RUSSOS

Não concordo com a afirmação de Boris Schnaiderman de que “o que há de reflexão filosófica em Tolstói é muito fraco” (piauí_47, agosto 2010). Apesar de ser reconhecido mundialmente por suas obras literárias, sobretudo Guerra e Paz e Anna Kariênina, Tolstói foi autor de uma vasta lista de obras de caráter filosófico e reflexivo, pouco divulgadas, mas que monopolizou sua atenção a partir dos 50 anos de idade. Ele mesmo declarou que seus grandes romances lhe importavam menos.

Um exemplo do vigor das ideias e filosofias defendidas pelo escritor é a obra O Reino de Deus Está em Vós, escrito em 1893. É um livro extraordinário, que questiona o formalismo e a superficialidade das religiões hierarquizadas, que, segundo Tolstói, deturpavam a essência das palavras de Cristo. Também questiona a utilidade dos exércitos, os investimentos em armamentos, a obrigatoriedade do serviço militar, a truculência do Estado, a concentração de renda, isso tudo em 1893! Ele se tornou uma espécie de “livro de cabeceira” de Mohandas Gandhi, que o levava debaixo do braço para relê-lo todas as vezes em que era atirado no cárcere pelos soldados ingleses. Ambos se correspondiam, por sinal. O Reino de Deus Está em Vós foi editado no Brasil uma única vez, pela Rosa dos Tempos, em 1994. Estranhamente, nunca mais saiu nenhuma edição. Intuo que isso ocorra porque o livro questiona a hipocrisia de algumas igrejas. Não são poucas as evidências de que a vasta bibliografia deixada por Tolstói está alicerçada numa autêntica filosofia pacifista, humanista e cristã, embora muitas vezes os personagens de seus romances resvalem para uma desesperançosa amargura. Sua obra filosófica provavelmente ainda será reconhecida. Nesse sentido, estou de acordo com o que diz Rubens Figueiredo: Tolstói busca apenas encontrar um caminho para expressar as suas questões. “É?uma maneira própria dele.”

SIDNEY RUAS_LAGOA SANTA/MG

SEM GOTLIB

Se era para rir, foi completamente sem graça. Se era para ser uma grande sacada, só serviu pro leitor perder tempo. Além de ser um clichê, uma bobeira com pinceladas (que não deram certo) de ironia. De fato, os dois últimos quadrinhos de Gotlib publicados (piauí_47 e 48, agosto e setembro 2010) foram um desastre.

MOISÉS AGOSTINHO_PALOTINA/PR

As edições 47 e 48 provam que a revista, mesmo com o Gotlib, tem jeito. Particularmente, me alegrou o artigo sobre o recém-empossado prefeito de Reykjavík (Chegada, “Palhaço municipal”, piauí_48, setembro 2010). Quem sabe a Islândia, avançadíssima sociedade de cabelos loiros e olhos azuis, não tem algo a nos ensinar sobre a democracia? A voz do povo é a voz de Deus, ainda que cada povo tenha o Tiririca que pode (ou merece).

Com Jón Gnarr tenho certeza que o partido é uma festa.

DIOGO CARVALHO_BRASÍLIA/DF

SEM POLÍTICA

Sempre gostei muito da revista pelos seus textos inteligentes sobre os mais variados temas, sem ênfase em temas políticos, sem se posicionar claramente a favor de A ou B. Essa característica me agradava, fazia de vocês um refúgio, uma fuga do veneno de Veja, Caros Amigos e outras. Mas foi só piauí aceitar a carona do Estadão, distinto jornal de extrema-direita, para acabar com meu refúgio e alegria. Mudou completamente de linha editorial, com viés fortemente político. Atacou de bazuca e metralhadora o senhor Protógenes Queiroz, gastou longas páginas com perfis adulatórios de candidatos (Figuras da vice), queimou estrelas internacionais (“Mahmoud Ahmadinejad, o cara”), apitou para Lula (Esquina “Retrato de Classe”). Nem o finado Vargas escapou da sanha enfurecida (piauí_48, setembro 2010).

Por favor, voltem ao que era antes, voltem a minha revistona gostosa. Sem política, vai?

LUIZ S. OLIVEIRA_CAMPINAS/SP

COM POLÍTICA

Por que não fizeram um perfil do Plínio de Arruda Sampaio? Aliás, por que não fizeram um perfil de todos os candidatos à Presidência da República nessa eleição? Aí sim a revista inovaria saindo da mesmice. Porque na televisão, nos jornais e rádios é tudo a tríade Dilma, Serra, Marina. A piauí só fez igual (incluindo os vices, o que é um avanço, mas é suficiente?).

LUISA PESSOA_CAMPINAS/SP

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