questões de reputação

The Lavigne Herald

Uma seleção de biografias autorizadas para presentear seu amigo oculto no Natal

Dos Pampas à Bossa Nova – As Aventuras de Getúlio Vargas

Autor: Guilherme Fontes
Editora: DIP Editora
Número de páginas: 322
Preço: R$ 80

Nascido na estância de Ferra-os-Preto, em São Borja, em 1882, Getúlio Dornelles Vargas teve uma formação humanista no Internato Mãe Menininha, em Santo Amaro da Purificação, berço de tantos heróis da nacionalidade, onde ganhou o apelido de Gegê. De temperamento buliçoso, percorria os vergéis floridos dos pampas sobre o seu alazão negro, Gregório Fortunato. De manhã, galopava. À tarde, tosava. À noite, carneava. Antes de dormir, dedicava-se à sua secreta paixão, o bordado.

Ao cismar sozinho sobre as obras de Thomas Jefferson e santa Teresa D’Ávila, teve uma iluminação: a sua missão nesse vale de lágrimas era pugnar pelas artes. Montou no alazão e partiu rumo à capital nacional disposto a tudo. Só não abriria mão das esporas de prata, do chimarrão e das polcas, que compunha nas horas vagas. Como medisse 1,98 metro, sua cabeleira loira esvoaçasse nas campinas, seus translúcidos olhos azuis brilhassem mais do que mil sóis e suas bombachas estivessem bordadas com um pesponto lilás podre de chique, os nativos a ele aderiram e a Revolução de 30 se pôs em marcha.

No Espírito Santo, Gegê testemunhou um feio episódio. Um adolescente chamado Carlos Prestes, de apelido Roberto, trotava em sua égua Esperança quando uma nuvem passageira assumiu a forma gloriosa de Nossa Senhora. Mesmerizado, o petiz não se deu conta de que sua montaria entrara na linha do trem. Veio a locomotiva e deu-se o bruto incidente, cujos efeitos viriam a determinar os destinos da profissão de biógrafo no país. Embora as brumas do mistério ainda encubram os detalhes do acidente, sabe-se que, traumatizado, Prestes, apelido Roberto Carlos, passou a vestir-se só de azul e a aplicar botox. Como quisesse eliminar todo testemunho sobre o que lhe acontecera, o Cavaleiro da Esperança dedicou ódio brutal ao líder tenentista, que não obstante tudo perdoava, bonachão que era.

Gegê apeou no Centro do Rio, amarrou Gregório no Obelisco, perguntou onde era o Palácio do Catete e ali, em prol do bem da pátria, se aboletou para sempre. Dedicou-se a agenciar talentos. Trouxe Walt Disney de Hollywood e com ele criou Zé Carioca, o Plano Cohen, Bambi e a Polaca. Fez questão que Graciliano Ramos viesse de Alagoas num requintado cruzeiro e hospedou-o com seus amigos na Ilha Grande. Apadrinhou Carmen Miranda, para quem desenhou turbantes com frutas e criou as coreografias que fizeram furor mundo afora, deslumbrando Pio XII.

À margem das atividades culturais, o cordato Gegê apaziguou o ambiente político. Na lábia, convenceu os camisas-verdes a se unirem aos comunistas e a trabalharem em comum num recanto aconchegante e discreto, que chamou de DIP. Uma solerte historiografia esquerdizante insistiu em espalhar à sorrelfa que gritos eram escutados nos porões da agremiação. Mas em boa hora o atilado Lourival Fontes comprovou o que todos os homens de boa-fé cristã já sabiam: Gegê, que desmaiava ao ver sangue, lá organizava tertúlias lírico-católicas. Os gritos que a vizinhança escutava não eram de gente supliciada, senão provinham da reação entusiasmada à obra de Jackson de Figueiredo, Otávio de Faria e Alphonsus de Guimaraens.

Só um black bloc rechaçou a ternura máscula de Gegê: Prestes, que para compensar a secreta ausência, construía as muletas do lulopetismo. Contemporizador, o Iluminado do Catete salvou Olga Benário das cançonetas românticas do sentimental Carlos (apelido Roberto) e, com a ajuda de um seu amigo tedesco, a enviou a um SPA na Alemanha. Encantado com a finura do gesto, Carlos Prestes (que era tratado de Roberto Carlos) mandou tudo para o inferno e passou a apoiar Getúlio.

Data dessa época a ruptura de Gegê com Walter Benjamin, com quem discutia a reprodutibilidade técnica das obras de arte. Ele reprovou o infausto gesto de Benjamin na fronteira da França com a Espanha, quando um simpático policial fascista perguntou as horas ao pensador judeu e não foi bem entendido. Gegê, que reprovava todas as violências, inclusiva a fuga do nazismo, robusteceu a crença de que o suicídio era a maior delas.

Como descobriu o pesquisador Reinaldo Azeredo, o cândido caudilho adotou secretamente uma menina indiana, doutrinou-a no pacifismo e na caridade e soltou-a no mundo: Madre Teresa de Calcutá. Gegê tirou então merecidas férias em São Borja. O bom povo brasileiro nem isso aceitou. Foi buscá-lo e o levou nos ombros ao Catete. Lá ele faleceu, em paz, de pijamas e na cama, bafejado pelo carinho unânime de seus conterrâneos, depois de ter industrializado o Brasil, libertado os trabalhadores do jugo imperialista e lançado as bases para Brasília, o Cinema Novo, a Ponte Rio–Niterói, a poesia concreta, o Engenhão, a boate Kiss, Galvão Bueno e a bossa nova – que, como ele, é foda.

Sua última dádiva à nação foi o Testamento que escreveu poucos dias antes de expirar, documento inaugural da República, em que está escrita a frase célebre:

“Saio da vida para entrar na História e (mediante o pagamento de direitos autorais, investimento na produção e percentual na bilheteria; ver tabela anexa), em biografias, adaptações televisivas e cinematográficas, peças de teatro, espetáculos musicais, games, apps e quaisquer outros meios de transmissão que venham a ser criados nos próximos dezoito séculos.”


Adjacências de Djavan

Autor: Gilberto Gil
Editora: Procure Ler
Número de páginas: π
Preço: p = (2a – b)ᶟ+ ¼c

Com suas letras didáticas de grande clareza, Djavan começou fazendo sucesso entre crianças e torcedores do Corinthians. O que poucas pessoas perceberam, num primeiro momento, é que por trás da suposta simplicidade lírica havia uma profunda interpretação das opacidades do ser, num simulacro e moto-contínuo. Desde então, iluminações passaram a pipocar como um clipe de eclipses elípticos. Djavan, portanto, é o monólito.

A infância heroica de Djavan na alagada Alagoas alegrou a alma álacre de sua arte alvissareira. A frase “macaxeira, toponímia, ai de avestruzes, um Beatle” serve de preâmbulo de âmbito âmbar para a biografia: define com clareza as necessidades passadas pelo futuro vate da MPB e explica o que aconteceu com Ronaldo na final da Copa do Mundo de 1998.


O Cavalariço Ilustrado – Vida e Obra de João Baptista de Figueiredo

Autor: Baloubet du Rouet e José Sarney
Editora: Mirante
Número de páginas: 5 volumes impressos na gráfica do Senado
Preço: R$ 3,50

João Baptista de Figueiredo jamais desejou o poder. Nascido em 1918 no aprazível subúrbio carioca de São Cristóvão, adquiriu desde cedo o hábito de caminhar pelas aleias da antiga quinta imperial para desfrutar do doce espetáculo da natureza. São dessa época seus primeiros versos dedicados às joaninhas, cujo lirismo contido tanto impressionou o jovem crítico Antonio Candido, o qual observou: “A bela métrica, em rigoroso hexâmetro dáctilo, indica que este jovem poeta absorveu com precocidade notável a têmpera do Virgílio das .” A sentença precisa exerceria influência decisiva na vida do poeta, homem de armas, líder político e latinista em formação.

Virgílio foi quem o levou à carreira militar. Rapazote, a Eneida era o seu livro de bolso, pois que, à época, se dedicava com paixão a traduzi-lo para o português. Tocou-lhe fundo o primeiro verso do grande épico da nacionalidade romana: Arma virumque cano… o qual, em sua consagrada tradução, tornou-se o elegante “As armas e o varão eu canto”. Varão já era; foi então às armas.

Sua ascensão na hierarquia militar foi meteórica. Chefe do SNI de 1964 a 1966, comando da Força Pública de São Paulo de 1966 a 1967, Chefe do Estado Maior do 3º Exército em 1969, ano em que também publica, pela Cambridge University Press, os dois volumes de Four Commentaries on The Theme of Love in Propertius, obra que lhe rendeu o prêmio Apuleio de melhor texto crítico do ano.

Eleito presidente da República em 1978, levou para o plano da ação concreta seu amor pelas letras clássicas. Movido, desde sempre, pela força das Geórgicas de seu adorado Virgílio, obra que muito cedo o sensibilizou para o ideal político-social da dignidade das classes rurais, Figueiredo lançou a campanha Johannes efficit, ut plantae!, que seus marqueteiros logo traduziram para “Plante que o João garante!”.

Certa noite, ao resenhar uma nova tradução alemã das memórias de exílio de Ovídio, condoeu-se da condição dos desterrados e, logo na manhã seguinte, concedeu anistia ampla, geral e irrestrita a todos os brasileiros.

Teria resistido à campanha das Diretas Já porque o deputado Dante de Oliveira discordou de batizá-la de Comitia Nunc, o que não impediu Figueiredo de bater-se pela volta da democracia, prometendo arrebentar e jogar nos porões quem que se lha opusesse.

Faleceu ao lado de Dulce, sua esposa, e Cíntia, Suplícia e Eneida, suas éguas marchadoras. Minutos antes de expirar, ao ver a agonia dos animais, encostou seus dedos frágeis na crina de Eneida, que sofria sobremaneira com a morte do amo, e implorou: “Oblivisci me.” Em vão. Elas nunca o esqueceram.


Paula Lavigne: Uma Produtora

Autora: Paula Lavigne
Editora: Procure Ler
Número de páginas: 3.700
Preço: R$ 800, em quatro cotas de R$ 200

Tão precoce quanto obstinada, Paula Lavigne já batalhava pela celeridade dos processos de criação antes mesmo de nascer. Com chutes ritmados na barriga da mãe, comunicou, com clareza, que viria ao mundo, de parto normal, no dia 31 de março de 1969. Ao deixar o útero materno convocou sua assessoria de imprensa e ordenou que vazassem o seu teste do pezinho para Joyce Pascowitch. Horas depois, cedeu os direitos de seu primeiro choro a Pedro Almodóvar, que o transformou no pungente e já clássico Niña al Borde de un Ataque de Nervios.

Diferentemente das outras crianças que ingressam no simbólico balbuciando vocábulos pouco elaborados como mamã e papá, a pequena Lavigne ousou. Ainda não havia completado 1 ano quando pronunciou sua primeira palavra: “empreendedorismo”. Consta que suas tias acorreram ao dicionário para entender o significado e a beleza daquele momento.

Relatos autorizados revelam que, ao completar 2 anos, Lavigne já era uma mulher preparada para a vida. Representante de classe na creche, dava ordens, organizava a distribuição da mamadeira e a fila do xixi. Implantou o sistema de licitação do estoque de fraldas e foi responsável pela criação do rodízio de Danoninho, o que a transformou em ídolo dos coleguinhas.

Seu desempenho escolar foi responsável por elevar o idh do Rio de Janeiro. Hoje é fácil reconhecer que ela foi a grande precursora do festejado padrão Fifa. O que poucos sabem é que também foi ela quem introduziu no Brasil o conceito de “economia criativa”.

Na tenra adolescência, quando os atrativos da existência conduzem muitos jovens por perigosos labirintos, Lavigne mostrou mais uma vez sua maturidade. Pediu Caetano Veloso em casamento e o obrigou a aceitar, pelo bem dele. Provou que mesmo as mentes mais criativas e as vocações mais libertárias só tendem a ganhar quando entram em contato com as regras básicas do empreendedorismo de resultado.

Mas, ao contrário do que espíritos maledicentes e mesquinhos propagam aos quatro ventos, Lavigne nunca se deixou deslumbrar pelo brilho passageiro do showbiz. É dela, e não de Caetano, a letra da canção Beleza Pura. Assim como é a ela, e não a Sônia Braga, conforme sustentam os exploradores de informações não autorizadas, que o marido dedicou Tigresa.

Dilma, Margaret Thatcher, Leila Diniz, Capitu, Joana D’Arc e Irmã Dulce – em todas essas mulheres é possível encontrar aspectos dessa personalidade complexa, plural e santa, que estará sempre à frente de seu tempo. Antena da raça, Tom Jobim foi o primeiro a pôr o dedo na ferida quando descreveu Paula como “uma espécie de Nelson Motta de país desenvolvido”.


Raul Seixas: Um Cristão

Autor: Meu amigo Pedro
Editora: Krig-ha, Bandolo!
Número de páginas: 500
Preço: 15 hóstias

Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, Raul Seixas teve uma infância saudável, repleta de exercícios ao ar livre e passeios contemplativos pelos bosques e córregos do belo estado de Espírito Santo. Foi excelente aluno, e por anos seus professores de moral e cívica guardariam na memória o menino circunspecto, exemplo de disciplina e aplicação. Sem jamais se descuidar dos afazeres escolares, encontrava tempo para encantar os coleguinhas com adaptações em ritmo de twist dos discursos de Martin Luther King. Para comemorar sua Primeira Comunhão, compôs um oratório sobre a vida de santo Inácio de Loyola que muito encantou a Arquidiocese de Vitória. Tão impressionado ficou um seu coleguinha de nome Paulo Coelho, que o meninote se sentou à beira de um riacho e chorou. Dali mesmo, saiu em peregrinação rumo à lista da Forbes.

Sujeito pacato e de hábitos caseiros, Raulzito decidiu deixar para trás a frenética Cachoeiro, por considerá-la a antessala do descaminho. Optou pelo Rio de Janeiro, que conhecia das suaves melodias da bossa nova. De seus hábitos do período, é digno de nota, por comovente, o doce costume de levar pipoca aos macacos do Jardim Zoológico. Por trás da candura, entretanto, fervilhava a devoção por pátria e família. Mens sana in corpore sano era o seu mote e, numa das inúmeras campanhas contra as drogas de que participou, conheceu Myrian Rios, amor de toda a sua vida. Casaram-se numa cerimônia ecumênica na fronteira entre Brasil e Colômbia.

Educado dentro dos mais estritos valores cristãos, rompeu com Ney Matogrosso ao descobrir que o colega era homossexual. Nisso, não transigia. Matogrosso chegou a perguntar-lhe por que tanto menoscabo. Raul respondeu com este notável aforismo, que mais de um vaticanista viria a considerar como o pilar teológico sobre o qual João Paulo ii assentou o seu pontificado: “Odeio o pecado, mas amo o pecador.” Matogrosso se sentou à beira do rio e também chorou.


Ney com H de Homem

Autor: Paulo César Pereio
Editora: Alfa
Número de páginas: 500, porra!
Preço: 15 pilas

Refutação vigorosa à biografia autorizada de Raul Seixas, Ney com H de Homem deixa claro que Matogrosso não é nem nunca foi homossexual. “Meu nome de batismo é Claudiney Antunes Ferrão”, revela Ney ao biógrafo Paulo César Pereio, o qual logo aduz: “Ferrão sempre foi espada.” Tímido e reservado, Matogrosso casou-se com uma moça do interior do Acre, em cerimônia íntima na qual só compareceram os noivos. Como a carreira de pop star andrógino fosse muito demandante, Ney julgou melhor deixar a noiva, cujo nome Pereio teve dificuldade em levantar, numa taba a noroeste de Xapuri, onde a família prosperou longe das lentes invasivas da imprensa. Matogrosso tem doze filhos. Curiosamente, três loiros, quatro indígenas, um indiano, dois japoneses e dois afrodescendentes.


Se Todos Fossem Iguais a Você

Autor: Ruy Castro
Editora: Procure Ler
Número de páginas: 220
Preço: R$ 130

“A bossa nova é a filosofia insuperável da nossa época.” Cada país tem o Jean-Paul Sartre que merece. Muito antes que o pensador francês lançasse ao mundo um de seus bordões mais célebres, Vinicius de Moraes já o havia criado, em versão muito mais singela e carregada de beleza.

Documentos inéditos encontrados sob o piso do toilette feminino do Café de Flore revelam que Sartre se inspirou na frase que ouvira de um “certain monsieur Vinicius de Morraës, le petit poète”, para criar sua divisa: “O marxismo é a filosofia insuperável da nossa época.” O autor esclarece nesses papéis resgatados do porão da boemia parisiense que a troca de “bossa nova” por “marxismo” se deveu a razões meramente pragmáticas: como utopia, o marxismo lhe parecia àquela altura algo mais tangível e menos obscuro no horizonte histórico.

Para surpresa de pesquisadores da Sorbonne, a frase “O homem é uma paixão inútil”, que tantos louros trouxe ao pai do existencialismo, também teve sua origem em outra pérola de Vinicius de Moraes. Caminhando pela rua, Sartre ouvira o poeta dizer “A mulher é uma paixão inútil”, depois de observar, com o canto dos olhos, a passagem furtiva da filósofa Helô de Beauvoir, cuja inteligência – diziam todos – era a coisa mais linda, mais cheia de graça.

As coincidências, no entanto, terminam por aqui. Sartre era um pinguço contumaz. Fumava quatro maços de Gauloise sem filtro por dia, se entupia de anfetaminas e ainda apoiava o comunismo. Como se nada disso bastasse, fez troça da monogamia e desafiou o matrimônio, mantendo ao longo da vida relações equívocas e pouco estáveis com o segundo sexo.

Nada mais distante de Vinicius de Moraes. O maior filósofo brasileiro transformou em versos sua sabedoria calma e caudalosa. Manso e bonançoso, soube cantar as belezas do amor em suas formas mais recatadas e elevadas, tendo sido caracterizado pelo crítico Antonio Candido como o maior responsável pelo neoplatonismo musical, escola hoje enraizada em nossa cultura.

Monogâmico, abstêmio, ardoroso defensor da vida burguesa e da fidelidade conjugal, Vinicius recolocou nos trilhos os verdadeiros valores da nossa diplomacia. Ninguém trabalhava mais do que ele. Introduziu o cartão de ponto no Itamaraty, o que lhe rendeu críticas injustas e apressadas de alguns espíritos folgazões.

Este homem de vida regrada foi também, o que poucos sabem, o primeiro brasileiro a ingerir Gatorade para repor líquidos e sais minerais após atividades físicas que praticava diuturnamente. Seu único vício, este incontornável, era a poesia.

E foi com uma poesia que Vinicius e Tom Jobim imortalizaram sua parceria. Vendo o amigo afundar-se cada vez mais na boemia, Vinicius invadiu num rompante o restaurante Villarino, àquela altura, nos anos 50, uma conhecida uisqueria no Centro do Rio, e resgatou um Tom prostrado diante de uma garrafa quase vazia de malte escocês. Até hoje os dois são personae non gratae no local. Suas fotos estão estampadas nas paredes da tradicional casa de perdição etílica, embaixo das quais se lê: Procura-se. Consta que na fuga Tom e Vinicius não pagaram a conta. O episódio, no entanto, deu origem a um dos mais altos momentos da canção brasileira, a singela Se Todos Fossem Iguais a Você, que Tom dedicou ao amigo que lhe salvou a vida.


A Sustentável Leveza de Luciano Huck

Autor: José Junior
Editora: AfroReggae
Número de páginas: 80
Distribuição gratuita com patrocínio da Natura

Solidário desde o momento em que viu a luz, o pequeno Luciano Huck chorou copiosamente por vinte minutos até conseguir melhorias para os companheiros de berçário. Nos primeiros meses de vida, construiu uma imagem pública de bebê perfeito, sem vícios, mimos ou malcriações. Aos 3 anos, estrelou sua primeira campanha publicitária.

No colégio, Luciano ocupava sempre a primeira fila, fazendo questão de respeitar professores, pais, alunos, inspetores e orientadores. Transitava em todos os nichos, fazia amizade com grêmios de outras escolas e organizava festas congregacionais. Foi o representante de turma com o maior índice de aprovação de toda a história do sistema educacional brasileiro.

Atingiu a idade adulta sem nunca ter discordado de ninguém. A exposição de seu rosto em rede nacional causou furor entre as mulheres de Higienópolis, que o convidaram para participar do programa H.

Cioso de seu dever social, Huck batalhou arduamente para mostrar que era mais do que um rostinho bonito e paulista na tevê. Pioneiro, criou um círculo virtuoso em que ajuda os mais pobres, a si mesmo e os anunciantes, em igual proporção. A sociologia desconhece outro arranjo social em que todas as partes saem ganhando.


Um Homem Chamado Maluf

Autor: Adilson Laranjeira
Editora: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
Número de páginas: em licitação
Preço por dentro: em licitação
Preço por fora: 10 dólares pagos em Jersey

Responsável pela urbanização de São Paulo, antes de virar um fazendão lamacento, Paulo Salim Maluf teve sua trajetória marcada pelas obras que realizou. Viadutos, pontes, ruas e avenidas devem sua existência ao único homem público que uniu a utopia social da esquerda com o pragmatismo da direita.

Um homem que não tem nem nunca teve contas no exterior, mesmo porque os conceitos de fora e dentro lhe são anátema: “Considero todo nacionalismo tacanho. Sou um cidadão do mundo.” Em depoimento sentido, afirma que terá realizado seu sonho no dia em que o pequeno agricultor paulista se sentir tão à vontade nas ilhas Jersey quanto em Pindamonhangaba.


Marin, Marin – Uma Certa Magia

Autor: Eric Faria
Editora: Globo
Número de páginas: 500
Preço: US$ 1.500

José Maria Marin está para o futebol assim como Mandela está para a democracia. Dono de um carisma ímpar, o homem dos cabelos cromaqui batalhou arduamente pela ética e pelo entendimento entre os povos.

Modernizador da CBF, Marin implantou técnicas de gestão transparentes que lhe renderam um lugar no coração dos brasileiros. Ciente do papel socioalvissareiro da Seleção Brasileira, o dirigente passou a priorizar amistosos contra países em desenvolvimento, como Honduras e Zâmbia. Homem de fôlego civilizatório, marcou as partidas para locais que desconhecem os benefícios antropológicos do futebol, como Estados Unidos, Canadá e China. Tudo isso no ano que antecede a Copa do Mundo.

Dono de uma personalidade bonachona, que caiu no gosto do torcedor brasileiro, Marin notabilizou-se pelo hobby de colecionar medalhas e elogios.


Bonequinho de Luxo – A Vida Glamourosa de Mahatma Gandhi

Autor: Joyce Pascowitch
Editora: Glamurama
Número de Páginas: 210
Preço: R$ 70

Gandhi pregava a não violência, o vegetarianismo e o badminton quando conheceu Luciano Coutinho. O hábil economista estendeu-lhe uma linha de crédito a juros subsidiados sob o argumento de que a Índia precisava de campeões nacionais. Gandhi entrou firme no mercado de ações e adquiriu a Friboi. Em menos de cinco anos, tornou-se o maior produtor de proteína animal do subcontinente indiano, além de ter trocado suas tangas e sarongues démodés por jaquetas cubistas e bufantes pantufas produzidas por Alexandre Herch-covitch, de quem se tornou modelo exclusivo em desfiles organizados por Marta Suplicy. Empreendedor atilado, comprou, através de laranjas arregimentados por Gabriel Chalita, 51% da Taurus, o que lhe permitiu combater os maoistas de Uttar Pradesh que tanto se opunham à soltura dos espíritos animais do capitalismo. Ao lado de Tony Ramos, liderou a inesquecível campanha de extermínio dos beagles da Ásia e adjacências, que, moídos, serviram de ração para rebanhos de zebus e nelores. Morreu casto, abraçado a uma peça de picanha e duas sobrinhas virgens.


É Permitido Proibir: Uma Vida Caetana – A Biografia Autorizada de Caetano Veloso

Autor: Mangabeira Unger
Editora: Procure Ler
Número de páginas: Muitas
Preço: Caro

Paula Lavigne não autorizou a publicação de É Permitido Proibir: Uma Vida Caetana A Biografia Autorizada de Caetano Veloso.


Próximos lançamentos

Marco Feliciano: Um Homem Iluminado

Tocado por Deus, Marco Feliciano teve suas madeixas alisadas pelo Arcanjo Gabriel ainda na manjedoura. Lúcido defensor dos hábitos e costumes que fizeram da Idade Média o período de ouro da humanidade, Feliciano não cede aos apelos hipócritas dos defensores dos direitos humanos quando preside a Comissão dos Diretos Humanos da Câmara.

Alexandre Frota, Uma Vida Bem-Dotada

Ator, diretor, pintor, escritor, lutador de jiu-jístu, jogador de futebol americano, galã. Polivalente como Leonardo da Vinci, Alexandre Frota não é só trabalho. Espirituoso, seu hobby é descer o cacete nos defensores dos direitos humanos.

Nana Gouvêa, A Life in Pictures

Fotobiografia em que Nana sensualiza durante várias fases de sua vida. Ao longo de sua fotogênica existência, Sebastiana Gouvêa Morais usou de sua espontaneidade para iluminar alguns dos dramas mais candentes do período. Ajudou a população nova-iorquina a superar os momentos difíceis do hurricane Sandy e chamou a atenção para causas humanitárias como a dificuldade de acasalamento do urso panda.

A Angústia do Batedor na Hora do Pênalti

Finalmente o livro que todo amante do futebol esperava que Zico escrevesse. Em páginas ricamente ilustradas, Arthur Antunes Coimbra ensina todas as manhas que um aspirante do duro esporte bretão precisa conhecer para cobrar uma penalidade máxima vencedora. Em momento alto do livro, o Galinho de Quintino demonstra como conseguiu classificar o Brasil para a semifinal da Copa do Mundo de 1986 com um chute preciso e desconcertante. Com comentários luxuosos de Rogério Ceni e Roberto Baggio.



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