poesia

Três janelas

Francisco Alvim

FOTO

Um abraço frontal

Para as câmaras

O braço esquerdo
sobre o ombro esquerdo
a mão direita
cerrando a outra

De permeio
o Tratado

Um sopro gélido
de fornalha

E o jeito de sair
da cena

De costas
(se é que as tem)
com o andar que aprendeu
diz com clareza
o palácio é de um
outro
mas sempre será o seu

DO ESPELHO

História tão obscura
a deste país
Pensou,
o olhar paralítico
diante do espelho
de si para si
de dentro para dentro

Tal fora uma cobra
sucuri enorme
no charco mais fundo
da densa floresta
nestes brasis
de sombra e de sol
violentos

E o tempo dele
de fora e de dentro
fora
o movimento de um corpo
nas águas mortas
de um morto

RECUADRITO
El Embajador • se considera parte de la humanidad que ama la naturaleza. Por esa razón, su estadía en • ha sido particularmente enriquecedora. Y para eso no precisa salir de su casa. Acostumbra decir que pasar cerca de una ventana de la residencia de la Embajada de •, a medio camino de •, es exponerse a un soplo de felicidad. Nubes y montañas parece que allí desarrollan una conspiración en beneficio de quien las contemple, sacándolo de sí- de adentro de esos enredos confusos que frecuentemente nos secuestran la vida—y devolviéndolo al esplendor de este mundo. En el correr de su vida errante (ni tanto así, pues pasó muchos años de su vida profesional en •, su país natal), vivió en •, • y en •. Ahora, se considera muy feliz, por estar dentro de esta luz maravillosa.



Francisco Alvim

Francisco Alvim, diplomata e poeta, publicou a coletânea Poemas (1968–2000), coeditada pela 7Letras e Cosac Naify