memórias estrangeiras

Tufão, tromba, trombeta: dadá

Odores de Bucareste, solidão em Milão, restaurantes franceses com cozinheiros chineses em Nova York

Saul Steinberg
Steinberg e um recorte de si mesmo quando era menino: “Minha infância, minha adolescência na Romênia foram mais ou menos o equivalente a ter sido negro no estado do Mississippi”
Steinberg e um recorte de si mesmo quando era menino: “Minha infância, minha adolescência na Romênia foram mais ou menos o equivalente a ter sido negro no estado do Mississippi” FOTO DE EVELYN HOFER © THE SAUL STEINBERG FOUNDATION/ARTISTS RIGHTS SOCIETY (ARS), NEW YORK

Na Romênia, não tive tempo de viver a “melhor” época da vida, de homem de 30, 40, 50 anos, de homem feito. Não havia muita diversão para os mais jovens, eu não tinha nenhum direito, ia para o liceu com uma placa numerada, feito um automóvel; mas, sobretudo, quem não tinha dinheiro não tinha como gozar as liberdades terríveis da Romênia, praticar abusos, levar vida de grão-senhor, de quem tem dinheiro e sempre encontra gente para comprar. Minha infância, minha adolescência na Romênia foram mais ou menos o equivalente a ter sido negro no estado do Mississippi.

Havia moças que desciam das montanhas para trabalhar como criadas e eram tratadas como selvagens, como escravas: tinham pouquíssimos direitos e logo se tornavam presas dos maridos e filhos, dos vizinhos da casa. Vinham de regiões ainda intocadas pela civilização, terra de pechenegues, de visigodos, e chegavam à confusão da cidade apinhada de trapaceiros de toda espécie; eram a carne dos bordéis e muitas vezes se suicidavam, mesmo por razões absurdas, porque a patroa tinha gritado com elas, acusando-as de furto. Encharcavam-se de petróleo e acendiam um fósforo.

Não faltava querosene, o petróleo que se usava para os lampiões. Os vendedores ambulantes passavam com dois barris de petróleo, gritando: “Gase, gase.” As mulheres que andavam com o gasàr tinham um cheiro permanente de petróleo que afastava todo mundo.

De vez em quando, certos cheiros que não sinto desde criança retornam, não ao nariz, como um cheiro propriamente dito, mas ao cérebro do nariz; cheiros vagos e precisos ao mesmo tempo: cheiro de outono; de certas lojas; cheiro de começo de inverno, de início do frio: o primeiro fogo em casa, as luzes a partir das cinco da tarde. A estufa de metal, acesa pela primeira vez, tinha um cheiro peculiar, também porque a superfície fora untada para evitar a ferrugem. E sempre o cheiro do lampião a querosene.



Gosto muito de sentir de novo esse cheiro, mas não é possível evocá-lo por um esforço da vontade. Mesmo assim, de vez em quando acontece que, de repente, por alguma razão misteriosa, a memória desse cheiro retorne.

Nada do que é depositado na memória se perde, ela é um computador que continua acumulando dados a vida inteira, dados que nem sempre se utilizam, porque o homem muitas vezes parece um transatlântico que navega com apenas uma cabine ocupada. Deveríamos conseguir usar continuamente esse imenso acúmulo de dados, mantê-los em exercício, combiná-los entre si, multiplicá-los, reintroduzi-los no curso de nossos pensamentos. Como no caso do retorno desses cheiros, depositados há tantos anos na memória e agora ressuscitados.

Talvez eu tenha a sorte de encontrar mais coisas que agora me parecem esquecidas. Gostaria de poder voltar atrás e ver tudo que em algum momento armazenei, mas não percebi, andar atrás de mim mesmo quando tinha 10 anos e avaliar, com a cabeça de agora, as condições em que vivia: descobrindo o que então, sem que eu soubesse, ia se depositando no computador.

Tenho muito interesse pelo período logo antes do meu nascimento, e fico triste por não tê-lo visto. Tenho a impressão que, com algum esforço da vontade, poderia revê-lo. É uma época tão próxima de mim que tenho a sensação de conhecê-la bem, e me enterneço quando penso nisso. Talvez porque meus pais fossem jovens, não se conhecessem.

 

Cresci sem brinquedos. Meu pai era encadernador de livros, depois montou uma fabriqueta de caixas de cartolina, cheia de papéis coloridos e muita cola. Na fábrica, havia um cheiro de ateliê de artista, de colagem; e também o cheiro da tinta de impressão usada para os grandes tipos de madeira com que se estampavam as fitas das coroas mortuárias.

As operárias trabalhavam com habilidade e destreza manual, preparando e colando caixas e caixinhas, às vezes pequeníssimas, estojinhos de rouge (ainda não tinham inventado o plástico), isto é, pequenos cilindros de cartolina, de abrir e fechar, recobertos de papel colorido e decorados com ouro e prata.

Mulheres e moças de toda idade e tamanho trabalhavam em meio a muita gargalhada e falatório. Aos sábados, dia de pagamento, um grupo de homens esperava por elas fora da fábrica: os namorados ou mesmo os cafetões das moças mais velhas e os pais das mocinhas mais novas, que pegavam o dinheiro e iam logo se embriagar.

O momento de mais trabalho era a Páscoa, quando meu pai conseguia grandes encomendas de caixas para o pão ázimo. Antes de serem levadas às padarias, onde o pão era preparado sob a supervisão dos rabinos, essas caixas grandes eram empilhadas em enormes blocos que tinham o aspecto de fantasiosas arquiteturas de cartolina. A fábrica também produzia caixas para chocolates, bombons, confeitos; caixas de luxo, de tampa brilhante coberta com uma reprodução artística em cromolitografia – imitação ou reprodução de alguma pintura a óleo.

Em casa, havia grandes álbuns de reproduções das obras de arte mais populares, do Renascimento à arte moderna da época. Certas madonas de pintores renascentistas menores eram a imagem perfeita do cristianismo popular, ou melhor, do cristianismo kitsch, que os franceses chamam de bondieuserie. Millet era ideal para as caixas de chocolates, porque reunia um classicismo renascentista e um socialismo que, naquele tempo, era não só popular, mas ainda virgem (não se sabia então dos horrores que podiam vir pela frente, e que vieram de fato). Havia também Rafael: a madona de Dresden e o anjo pensativo, os cotovelos apoiados numa nuvem. Foi assim que vi muita coisa pela primeira vez, sem saber que aquelas imagens eram arte, pintura. Mais tarde, dei com elas em livros de arte e as reconheci.

Outro mestre, para mim, foi o álbum de família. Havia fotografias dos parentes, tios, primos, avós, bisavós, das primas, tiradas por bons fotógrafos, que ainda se inspiravam na pintura de Delacroix e de Ingres, e havia as primeiras tentativas de fotografias feitas por nós mesmos: fotografias em que todos tinham bigodes à la Hitler, criados pela sombra do nariz.

Essas fotografias foram meus primeiros modelos. Ainda hoje, fico impressionado ao ver uma pessoa que, parando de repente, parece ser uma fotografia de si mesma, assumindo um aspecto artístico-popular.

A influência da fotografia sobre a arte não cessou desde então. É óbvio que um pintor como Bacon deriva da polaroide; mas também é verdade que a arte precede a técnica, assim como o cheiro precede a torta. Bucareste, nos anos da minha juventude, era uma cidade estranha, uma cidade enfant prodige, em que a vanguarda convivia com o primitivismo, à maneira de certos lugares em que dois ou três rios vêm se misturar, em que há alguma coisa de essencial que não tem nada a ver com a natureza normal do lugar, alguma coisa que nasce de um momento especial em que as civilizações, as forças do sul, norte, leste e oeste se encontram e geram um turbilhão, um tufão, uma tromba ou, quem sabe, uma trombeta marinha: dadá.

Mal chegado a Milão, o que mais me impressionou não foi estar na Itália ou na universidade, mas sim estar sozinho. A solidão foi a experiência mais forte dessa época: a novidade, a descoberta da solidão, os prazeres, os terrores da solidão. Vivi oito anos na Itália e, contudo, não vi grande coisa do país; mesmo de Milão eu só conhecia um pedaço. Nessa época, meu interesse mais forte eram as moças. O que eu buscava era o amor, me encontrar no amor. Estava sempre na rua, nunca ficava em casa, não conseguia estudar, ter concentração, ler.

Depois da guerra, voltei para visitar o campo de batalha, ver as coisas que não tinha visto quando morei lá da primeira vez, recapturar as emoções daquele tempo. Na segunda vez, entendemos tudo de maneira diferente, entendemos de verdade, digerimos. Somos como ruminantes, que para digerir o alimento precisam fazê-lo atravessar dois estômagos.

Na primavera de 1940, um pouco antes da entrada da Itália na guerra, eu só esperava a hora em que seria preso. Sabia que as detenções aconteciam entre seis e sete da manhã. Faziam assim para que, como explica Soljenítsin, a prisão se desse naquelas horas “antissociais” em que todos dormem. Na Rússia, prendiam às duas da madrugada, e tenho certeza de que na Alemanha nazista era a mesma coisa. Na Itália, a detenção acontecia em hora mais cristã, mais cômoda para os policiais, que, pobres-coitados, acordavam às cinco, tomavam um café e, ainda sonolentos, iam despertar brutalmente outras tantas pessoas adormecidas, de modo que não houvesse ninguém nos corredores nem nas ruas para assistir.

Já fazia algumas semanas que acordava um pouco antes das seis e, mal me lavava, montava na bicicleta e ficava pedalando pelas ruas como quem fosse para o trabalho. O ar da cidade era ótimo naquela época, a luz era belíssima, e eu via uma coisa que jamais vira antes, o despertar tranquilo e silencioso de uma cidade: gente a pé, gente de bicicleta, bondes, operários.

Voltava para casa depois das sete e tinha certeza absoluta de que, se não tinham vindo até as sete, não viriam mais (não vinham nunca aos sábados e domingos). Tomava o café da manhã e voltava para a cama, para dormir um pouco mais, e tinha a grande satisfação de ter todo um dia livre diante de mim: mais que férias merecidas, era quase uma vida ganha.

Morava no Grilo, um bar perto da universidade que alugava quartos para estudantes. Certa manhã, quando estava para descer para a rua como todos os dias, a mais jovem das quatro irmãs proprietárias do Grilo veio entrando ansiosa pelo meu quarto: “Estão lá embaixo.”

Por sorte, havia jeito de sair pelo pátio sem que ninguém nos visse. Às oito, quando voltei, depois de ter telefonado para ter certeza de que tinham ido embora, fui festejado como um herói, como quem escapou por um triz. Contavam que um dos policiais, verdadeiro Sherlock Holmes, encostara a mão na cama e dissera: “Ainda está quente.”

Eram uns pobres-diabos, gente do sul que tocava a tarefa sem o menor interesse. Sua preguiça e o fato de que a organização não funcionava bem geravam uma ineficiência que, por sua vez, se traduzia em menos injustiça.

Vivi clandestinamente quase um ano, dormindo um pouco no Grilo, um pouco no estúdio de amigos, enquanto conseguia os vistos de que precisava. O único que me faltava era o italiano, que não me dariam se não me apresentasse em pessoa, como prova de que cumprira a lei.

Tive que me render. Com a detenção, meu dossiê estava completo e encerrado na forma da lei. Corria um risco, mas não havia outra coisa a fazer; foi o que fiz, e tudo correu bem. Tenho um pouco de amnésia a respeito desses tempos: vivia numa espécie de emoção que turvava olhos, ouvidos, todos os sentidos com uma espécie de gaze, para ocultar de mim mesmo a gravidade da situação. Tinha a impressão de estar num jogo alheio, de me ver como outrem, um pouco à maneira de um homem que desenha um homem; quem sabe um sintoma de infância persistente, que não tem fim, que não tem cura.

Tão logo me prenderam, comecei a me ver como um personagem importante. Na história, todos os personagens importantes conheceram a prisão. Em San Vittore, uma prisão clássica, tive que suportar o tratamento clássico de quem vai preso – entregar o cinto e esvaziar os bolsos –, isto é, em primeiro lugar, a falta de dignidade – as calças arriam. A segunda coisa é o convívio com os excrementos, porque o vaso sanitário era de uso comum.

Meus companheiros de cela eram dois ladrões de bicicleta, gente de pouca importância, que se desculpavam dizendo que tinham roubado bicicletas para matar a fome. Quando eu disse que tinha sido preso por razões mais ou menos políticas, os dois logo se amedrontaram e não quiseram mais trocar uma palavra comigo. No segundo dia, fui levado para uma cela com outro preso político, talvez um falso detento, na verdade um espião, ou alguém que estivesse ali por outras razões.

Por causa da idade, tudo isso me parecia uma grande aventura. Gostava de pensar que participava da vida de um jeito tão intenso assim: não era mais um leitor de romances, mas sim, como sempre desejara, um herói de verdade. E via realizar-se aquele momento em que o sonho se faz realidade.

A rua Palas, em Bucareste, era a minha pátria, uma ruela completamente à parte do trânsito, na qual crescia grama, imagino que ainda cresça. Dei instruções a um amigo que ia à Romênia, e ele me trouxe não apenas fotografias coloridas, mas também cromos para projetar na parede, em cores e dimensões quase naturais. Causaram-me uma emoção fortíssima, sobretudo porque nada mudou, exceto por algumas árvores que cresceram e por uma parede que agora está coberta de hera. No pátio da minha casa, vi, com horror, um automóvel. A rua tem um aspecto mais vulgar, porque onde havia lampiões a gás estão agora uns postes de madeira enormes. Além disso, fizeram uma coisa completamente inútil: numa ruela que tem no máximo 8 ou 9 metros de largura, pintaram no chão umas listras brancas para os pedestres atravessarem.

Tive a impressão de olhar para o interior de uma tumba, de levantar o sudário de um morto. Sentia uma raiva misturada à curiosidade de ver, e mais raiva por ter visto: como se tivesse perdido uma coisa importante.

Depois me acalmei e, para me curar da doença, pedi que outros dois amigos tirassem mais fotografias. Um deles fez as mesmas tomadas, mas no inverno, com neve, mais bonitas, porque se notam menos as mudanças; o outro fotografou um detalhe a partir do portão, conforme eu tinha pedido: o pátio visto do portão, com o número da casa e a placa da rua. Tudo igual, tudo igual, não tivessem passado cinquenta anos.

Nos Estados Unidos, não se pede a um transeunte que indique um bom restaurante, como se faz na Itália ou na França. As pessoas não sabem o que é um bom restaurante porque vão ao restaurante para se divertir, não para comer. Para responder, teriam que saber por que razão se vai a um restaurante: encontrar uma moça, levar a família, ter uma noite inesquecível com música e meia-luz, comer muito ou fazer uma refeição rápida. Nem saberiam dizer se este ou aquele diner é bom ou ruim: um diner é um diner.

Vai-se ao diner porque é grande e se come rápido. Ao lado, há um restaurante que é outra coisa: é preciso vestir-se, ficar por duas horas, todo um compromisso. E é preciso comer com calma, e com muito dinheiro. É um lugar onde se leva alguém para causar impressão. Quem tem família com crianças vai a um diner para comer o que se chama aqui de grease bowl, um prato de comida gordurosa, muito gordurosa, frita, comida para crianças.

Nos Estados Unidos, a gastronomia, os restaurantes, o paladar da nação são dominados pelo paladar das crianças. Uma desgraça, porque as crianças não comem outra coisa além de espaguete, hambúrguer e cachorro-quente. Comem o espaguete com almôndegas, afogado em molho e mole como uma papa; gostam de hambúrguer num pão ensopado com o sumo da carne, inundado de ketchup e acompanhado de batatas fritas em óleo malcheiroso. Melhor nem falar da salsicha, do cachorro-quente: até poderia ser excelente, mas não aqui, com mostarda de péssima qualidade. Mas é assim que as crianças gostam.

Os jovens de hoje conservaram o comportamento, os hábitos da nursery, do quarto das crianças, da creche. Por uma influência desencontrada de Freud, que ensinara a não criar complexos nas crianças, ninguém nunca os repreendeu, todos foram sempre pacientes ao máximo com eles. De vez em quando, se tem notícia de bebês estrangulados: são provavelmente pais e mães que levaram a paciência longe demais e deixaram para dar a bronca de uma vez só.

Esses jovens foram alimentados incessantemente, e jamais perderam o gosto de comer sem parar; no princípio, foram forçados pela mãe, depois também pela escola, por obra do free lunch (a refeição gratuita ao meio-dia), quando comem o que querem e compram o que estiver à mão, sempre circundados por anúncios de comida feita especialmente para eles, doces pavorosos, pizzas, hambúrgueres, sorvetes.

Saindo da escola, continuam a comer e beber pela rua: numa das mãos, levam uma fatia de pizza envolta num pedaço de papel; na outra, uma latinha de alumínio com um buraco do qual sai um canudo, às vezes dois ou três, para que possam sugar mais rápido. Param numa esquina, para conversar ou para olhar em volta. Quando terminam de beber, relaxam os dedos e a latinha vazia cai por terra. Nem sequer olham para ela, como vacas que deixam cair a bosta pelo pasto. Terminada a pizza, largam da mesma maneira o papel ou até o pedaço de pizza, se não estiver do seu gosto.

Se alguém os repreende, olham como se o outro fosse louco. Não entendem. Quem tiver azar pode até topar com um jovem pronto a assassiná-lo por ter feito observações a que ele não está habituado. Em casa, no próprio quarto, fazem de tudo pelo chão: sujam, vomitam e coisa pior. Na televisão, volta e meia se vê um quarto reduzido a um chiqueiro, onde uma mãe paciente exibe o produto que limpará tudo num instante. E o filho tem orgulho de ter tornado possível a demonstração da qualidade do produto. Nunca foi repreendido por ter sujado tudo, também porque tudo é fácil de limpar; e assim pensa passar o resto da vida, comportando-se da mesma maneira.

Perguntar a um passante onde se come bem é como perguntar qual é a sua classe social, suas tendências políticas; uma pergunta constrangedora, porque ir ao restaurante é um fato social, não gastronômico.

Em Nova York, como se sabe, com tantos estrangeiros e restaurantes de todo tipo, a situação não é típica dos Estados Unidos. Em Cincinnati, estive num grande restaurante em cujo centro havia uma pista de patinação no gelo com números de teatro de variedades: um patinador segurava uma bailarina pelas mãos e a fazia girar cada vez mais rápido, com os patins voltados para minha boca aberta, ocupada em comer. O lugar estava cheio de famílias com crianças, grandes mesas para celebrar um aniversário, as crianças com estranhos chapéus na cabeça.

Isso era um restaurante: música, variedade, iluminação especial; nem um único momento de sossego para comer. Se o cliente pedia uma salada… bem, uma enciclopédia teria tido o mesmo sabor, uma enciclopédia antiga; eram folhas velhas de alface, se é que não eram páginas amarelas. Os pratos de carne eram todos iguais, com nomes diferentes; acho até que havia nomes franceses.

Quando tinha meu estúdio na rua 60, via da janela dois restaurantes: o Veau d’Or, na 60, e outro restaurante francês, na 61. No meio, no pátio interno, havia uma cozinha que servia aos dois restaurantes, e os cozinheiros eram chineses.

Tradução de Samuel Titan Jr.

Saul Steinberg

Saul Steinberg (1914–99), artista gráfico e cartunista nascido na Romênia e radicado nos Estados Unidos. Trechos de Reflexos e Sombras, a ser lançado em maio pelo Instituto Moreira Salles.

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