diário

Um inglês na selva paulistana e na Amazônia

As observações de um intérprete sobre as belezas e mazelas do Brasil

Ken Colgan
Viajante curioso e linguista experimentado, o britânico Colgan observa desde as nuances do nosso “oi” até a incoerência de algumas chamadas do noticiário de tevê no Brasil. Tudo com humor
Viajante curioso e linguista experimentado, o britânico Colgan observa desde as nuances do nosso “oi” até a incoerência de algumas chamadas do noticiário de tevê no Brasil. Tudo com humor FOTO: CLEVER ANTÔNIO

Ao longo dos últimos dez anos, a profissão de KENNETH COLGAN levou-o a pelo menos trinta países mundo afora. Da Austrália a Burkina Faso, do Japão ao Haiti, a agenda desse intérprete titular do Parlamento Europeu, que domina quatro idiomas (grego, espanhol, francês e italiano), além do inglês, é um verdadeiro mapa-múndi. Sua próxima missão será em Angola. Para viagens de lazer, o poliglota Colgan, de 49 anos, tem uma queda acentuada pelo Brasil. Em janeiro, fez sua quarta expedição ao país para um primeiro batismo de Amazônia. As coisas nem sempre transcorreram conforme o imaginado, mas Colgan, admirador de porcos, fã de açaí e que acha Dalton Trevisan pessimista, pretende voltar

BRUXELAS, SÁBADO, 17 DE JANEIRO DE 2009_Levanto às 5h30 porque não consegui dormir. Consegui manchar minha calça no joelho direito dois segundos depois de vesti-la. Como pode? É justamente a calça que escolhi para levar para a Amazônia e não vou lavá-la porque ontem gastei um tempão impregnando-a com repelente de insetos. Não quero que isso se perca, apesar de o produto resistir a quatro lavagens. Jogo um pouco de água, mas só consigo espalhar mais a mancha. O táxi chega e impede que eu piore as coisas.

Chego ao aeroporto de Zaventem às 6h45. Estou um pouco ansioso quanto à segurança, pois minhas sacolas contêm, entre outras coisas, três tipos de repelentes de insetos, um desinfetante e uma pomada de cortisona para a eventualidade de os itens mencionados não funcionarem.

Faço escala em Madri e sigo para São Paulo. A viagem é boa, apesar de não estar sentado ao lado de nenhuma brasileira linda – de mulher alguma, aliás. Na poltrona ao lado está um francês cuja leitura de bordo é uma pilha de revistas sobre carros. Leio um conto do Rubem Fonseca: o início é brilhante, mas o final me pareceu um tanto desapontador. Depois ataco um romance policial de Lawrence Block. Perfeito para o avião. Também assisto a um filme e durmo um pouco. Além disso, me levanto periodicamente para fazer exercícios de alongamento – fato que, obviamente, não deixa feliz meu vizinho fissurado em carros. Dado que ele não encolhe as pernas, passo por cima delas cautelosamente e faço questão de atrapalhar sua sessão de cinema privada. Ele seleciona todos os filmes disponíveis e assiste a dez minutos de cada um.

Pousamos em Guarulhos com quarenta minutos de antecedência e esperamos meia hora até que trouxessem uma escada para sairmos do avião. O piloto anuncia que estamos em uma “posição remota”. Nunca havia saído de um Jumbo por uma escadinha de metal: não é uma experiência que valha trinta minutos de espera. Somos transportados de ônibus até uma área de desembarque com poucos guichês e, portanto, longas filas.

O táxi em direção ao hotel Ibis, na avenida Paulista, passa pela praça Charles Miller. Deixo o taxista perplexo ao mencionar que Miller foi quem introduziu o futebol no Brasil.

Todos os hotéis Ibis são parecidos. As únicas diferenças entre este e os de Londres ou Estrasburgo são: 1) cada quarto tem uma geladeira (vazia, você compra o que quer e a abastece); 2) todos os quartos possuem um cofre (muito útil); 3) há um pequeno degrau para o banheiro, onde, naturalmente, dou uma topada logo após tirar minhas botas de desbravador.

O lado bom: o quarto possui Wi-Fi.

 

DOMINGO, 18_No café da manhã, uma excêntrica combinação de suco de laranja e açaí, torta de frango e café. Depois vou ao Instituto Butantan para conferir sua considerável coleção de répteis e aranhas. O único senão é que há um monte de crianças correndo, gritando e fazendo aquelas coisas irritantes que as crianças fazem. As cobras são impressionantes, apesar de a maioria se enroscar junto às divisórias de vidro para estragar deliberadamente minhas fotos, ou permanecer encaracolada como uma mangueira de aspirador de pó, processo chamado de “enrodilhar” na ficha de informação disponível. Nota linguística: a palavra “cobra”, em português, aplica-se a qualquer serpente. Já “cobra”, em inglês, é conhecida no Brasil como “naja”. Na volta, pego um táxi até uma estação do metrô onde há uma curiosa exposição dedicada a uma interpretação artística sobre cuecas. Só vendo para crer! Os interessados podem conferir minhas fotos no site www.revistapiaui.com.br.

Planejo ir a uma livraria e depois ao cinema. Esqueci de mencionar que o taxista de hoje de manhã usou a peculiar expressão “pois não”, que significa “sim”.

À tarde, como o cinema está lotado, resolvo ir ao teatro. Vou de metrô e chego à estação República cedo demais. Algumas pessoas me pedem esmola com frequência maior do que nas duas vezes anteriores em que estive nesta cidade. Também vi gente dormindo nas ruas – até mesmo na avenida Paulista. Será que existem mais pobres na rua hoje em dia ou a minha crescente confiança está me levando para vizinhanças mais carentes? De todo modo, os pedintes se limitam a fazer gestos resignados quando percebem que não vou lhes dar nada.

Comprei o ingresso para o teatro e fui beber uma garrafa de água na rua – os prédios de São Paulo são sempre muito quentes ou muito frios, dependendo se eles têm ou não um ar-condicionado: o bar do teatro não tinha. Eu mesmo me surpreendi com o tanto que compreendi da peça – uma poética história de amor ambientada no sertão. Muito mais do que pude entender daquele filme brasileiro (Tropa de Elite) a que assisti em Lisboa no verão. Mas perdi as nuances, é claro, e por isso não aderi aos aplausos de 90% da audiência. O melhor da peça é que ela dura apenas uma hora.

 

SEGUNDA-FEIRA, 19_Esqueci de mencionar que, no caminho do aeroporto até a cidade, há muito mais igrejas evangélicas do que na última vez em que estive aqui. Cogitei visitar uma delas, mas acabei não indo, por achar que seria extremamente entediante. Foi só um daqueles impulsos que nos acometem sem que tenhamos a mais remota intenção de realizá-los. Melhor assim, pois o teto de uma das igrejas Renascer ruiu na noite passada, matando oito pessoas. Segundo o jornal que leio de manhã, a igreja já tinha sido fechada dez anos atrás, devido ao comprometimento das vigas do teto carcomidas por cupins (“cupim”: palavra curiosa que vem do tupi e que me orgulho de conhecer). Quão claramente Deus tem que fazer saber a esses fiéis que Ele não existe?

Penso em almoçar num restaurante vegetariano, mas acabo indo me saciar numa churrascaria ao lado do hotel. Bom e barato. Volto para o hotel, mas tenho de liberar o quarto para a arrumadeira trabalhar. Ontem, foi às 9h30; hoje, às 13h45. Qual a lógica?

À noite, vou ao restaurante vegetariano para tentar me desintoxicar e não beber. Mas ele está fechado e acabo indo a uma pizzaria, onde peço uma caipirinha e umas cervejas (e uma pizza, é claro).

 

TERÇA, 20_Ao acordar, resolvi assistir à televisão local. O primeiro assunto, iniquidade social, mostra um homem que vive do lixo jogado no rio Tietê (famoso por sua poluição) e em seguida foca as prateleiras vazias do barraco em que vive. “Os filhos dele não vão comer hoje à noite”, entoa o repórter, sentenciosamente. O próximo assunto do noticiário começa com as palavras: “O que fazer se seu filho come demais?” Basta trocar este pirralho pelas crianças da reportagem anterior, pensei com irritação.

O Brasil logo volta a me alegrar quando encontro um sujeito distribuindo folhetos de uma autoescola que anuncia uma “promoção bombástica”. Em seguida, acho um lugar que prepara meu café da manhã preferido: açaí, banana e granola na tigela (desculpe a insistência no açaí, mas é delicioso).

Pronto, hoje vou ao restaurante vegetariano: muito bom e barato (self-service por 16 reais). Eles têm até aqueles pratos imitando carne – vai ver que os vegetarianos, no fundo, gostam mesmo é de um belo filé. Consigo também assistir ao filme O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher. Como todos os filmes desse diretor, este é tecnicamente surpreendente. E, também, como todos os seus filmes, dura uma hora e meia a mais do que devia.

À noite, vou a um restaurante baiano. Passo por muros altos e grades cheias de câmeras de circuito interno de tevê. Alguns desses muros vêm equipados com cercas elétricas, e quase todas as entradas têm portas duplas de segurança – mais parecem prisões do que prédios de apartamentos.

O restaurante é uma decepção. Os preços são tão astronômicos que vou até o toalete para contar meu dinheiro e ver se tenho o suficiente para pagar a conta. Melhor não reviver um humilhante incidente ocorrido em Ouro Preto, na primeira vez que vim ao Brasil. O peixe veio seco e cheio de espinhas. Caipirinha e vinho bons, todavia.

 

QUARTA, 21_Acordo às 6 horas e decido tomar o ônibus para o aeroporto em vez do táxi, já que meu vôo só sai às 10h30. Animado para tomar meu café da manhã, descubro que o serviço ainda não abriu, apesar de as ruas já estarem cheias de carros e tráfego. O ônibus para o aeroporto deve passar às 7h40, informa o recepcionista do hotel. Ele estava errado. O ônibus passa às 8h08.

Os poucos passageiros a bordo descem na parada seguinte e o motorista me informa que tínhamos chegado ao ponto final. A próxima partida seria em meia hora e chegaríamos ao aeroporto só às 10 horas. Ele sugere que eu tome um táxi e me indica um. Até me ajuda a carregar a mala. Justo quando as coisas começavam a entrar nos eixos, percebo que esqueci minha carteira no ônibus. Volto até o ponto final e vejo que não tem ninguém no seu interior. Entro e procuro por minha carteira, em vão. Coisas do Brasil: o motorista sai do banheiro dos fundos e me entrega a carteira, explicando que já havia tentado localizar o taxista. Que sujeito simpático!

O site da cadeia hoteleira Accor garante que o Mercure (que em Manaus se pronuncia mercury, naturalmente) fica “no centro de Manaus”, o que é uma mentira deslavada. Manaus é muito mais quente e abafada do que São Paulo, e, ao contrário da capital paulista, onde esse quesito é impecável, as placas com nomes de ruas são erráticas: não adianta saber que temos que virar à esquerda na rua São Luís se não sabemos que acabamos de passar por ela.

Chego ao centro de Manaus. A área do porto parece um imenso mercadão onde são vendidos artigos não-turísticos que as pessoas parecem querer: DVDs piratas, roupas horrorosas e a lingerie menos erótica que já vi na vida. As calçadas estão tomadas por camelôs. Os mais espertos montam suas barracas bem próximas às entradas das lojas para pegar carona no ar-condicionado. Os vendedores anunciam seus produtos aos gritos, às vezes com megafones, e o lugar transmite uma energia forte. Manaus tem a reputação de ser muito segura e é isso que sinto aqui.

Decido conferir o famoso Teatro Amazonas, a ópera que fiquei conhecendo em um panfleto encontrado na biblioteca de minha cidade natal, Solihull, quando tinha 14 anos: um achado que despertou meu fascínio pelo Brasil. A princípio achei o Teatro um tanto decepcionante, pois não parecia em nada com uma casa de ópera. Descobri logo a razão: eu estava olhando para o Tribunal de Justiça, no lado oposto da rua. A ópera propriamente dita é maravilhosa, de construção condizente com o tempo em que Manaus era uma das cidades mais ricas do mundo e seus moradores mandavam lavar suas roupas em Lisboa. A cúpula, com suas 36 mil pastilhas verdes e amarelas formando bandeiras brasileiras, é impressionante.

Depois de tanta cultura, acho que mereço um sorvete, algo que deve ser divino em Manaus. Chego a uma sorveteria chamada Glacial – recomendada pelo guia de viagem Footprint – situada ao lado de um ponto de táxi, o que é sempre de bom augúrio. Decido me certificar de que a casa tem troco para minha nota de 100 reais. Dirijo-me ao caixa:

Moça: Oi. (Cumprimento brasileiro padrão. Ótimo.)

Ken: Oi. Só tenho uma nota de 100. Tudo bem?

Moça: Oi? (Com ponto de interrogação significa: “Como?”)

A sorveteria é self-service, um marketing esperto, pois as pessoas sempre pegam mais coisas quando estão se servindo. Eu também me empolgo um pouco e pego brigadeiro, milho verde, açaí, uma fruta amazônica chamada cupuaçu (gosto bem interessante) e outros sabores dos quais não me lembro. Na saída, não há mais táxis no ponto, e decido voltar a pé ao hotel. Apesar da bela vista que oferece de Manaus, a piscina na cobertura do hotel é só um pouco mais larga que a banheira lá de casa. Na sala de ginástica, nenhum dos aparelhos está ligado e a sauna passa por uma reforma. Por que alguém iria querer se enfiar numa sauna em Manaus é um mistério para mim.

Já que vou comer peixe quando começar minha aventura pelo rio Amazonas (nota pedante: Manaus não fica no Amazonas, e sim no rio Negro), decido me garantir com um churrasco que, basicamente, consiste em várias carnes em espetos, trazidas à sua mesa por garçons que vão cortando pedaços com facas mortalmente afiadas. Não conheço nenhum dos cortes e faço uma pausa nos pedidos às 20h15, voltando heroicamente às 20h20. Encerrei de vez a noitada quando o segundo filé-mignon enrolado em bacon (Homer Simpson adoraria isso aqui) chegou à minha mesa, às 20h28. Após a sobremesa, tomo um café surpreendentemente bom (detalhe: apesar de plantarem o troço, o café brasileiro geralmente é ruim).

QUINTA, 22_Táxi para o Museu do Índio, administrado por missionários salesianos – segundo o Footprint, eles são os mesmos que colaboraram na destruição da cultura indígena. Este fato dá um toque ardido à interessante e pobremente apresentada exposição – com legendas apenas em português. Anotei um monte de palavras para procurar no dicionário.

Vou ao banco trocar dinheiro. Eles não trocam. Claro que não. Que idéia a minha, de achar que seria possível trocar dinheiro em banco! Descubro que a coisa é feita em casas de câmbio.

Amanhã de manhã vou para a floresta.

SEXTA, 23_Encontro com o resto do grupo. Há dois italianos monoglotas, Santino e Enzo, este bastante interessante. Estão no Brasil para um encontro ambientalista em Belém. Há também um casal. Ele me parece muito francês: tem o ar indefeso que os homens franceses transmitem quando estão fora do ambiente francófono (na verdade, ele é suíço, o que dá na mesma, mas, para ser justo, devo dizer que ele fala espanhol). Ela é mais exótica (chilena). Nosso guia, Antônio, um índio genuíno (mas não da região amazônica), se apresenta de trança. Ele é forçado a se comunicar com o grupo em espanhol, pois é a única língua que Enzo e Santino entendem um pouco (ênfase no “pouco”):

Antônio: Son vegeterianos?

Santino: Italiani, si.

Descubro que Santino tem uma imensa coleção de sapatos, a maioria deles pouco apropriada para o terreno que iremos percorrer. No momento ele está de sandálias e meias brancas (mas devo confessar que eu mesmo estou usando um paletó de linho branco que comprei para ir aos restaurantes badalados de São Paulo, e que ficou todo amarrotado na mala). Difícil acreditar que estamos em um rio (tecnicamente, dois rios) e não no mar: são quilômetros e quilômetros de largura. O barco segue um padrão que se repetirá sempre: popa baixa na água e a proa para cima. Passamos por postos de gasolina flutuantes. Paramos no “encontro das águas”. Aqui, o rio Solimões (que só é chamado de Amazonas após percorrer quilômetros vindo do território peruano) e o rio Negro correm lado a lado por 6 mil metros, sem que suas águas se misturem. É uma visão inquietante. Solimões significa “água suja” em alguma língua indígena, e é cheio de sedimentos e muito profundo.

Dali seguimos para o Porto da Várzea, onde passeamos pelo mercado (o suíço precisava comprar uma capa de chuva). Duas crianças, aparentando 10 anos, passaram a cavalo. Não imaginava ver cavalos aqui. As vitórias-régias são gigantes: quase 2 metros de diâmetro. Passamos por uma igreja evangélica que, por alguma razão, tem em seu entorno estátuas de urubus em várias poses (que palavra esplêndida, “urubu”). Levo um susto quando uma das estátuas se mexe: as aves são de verdade!

Seguimos numa velha kombi, todo o grupo empilhado mais as nossas malas e provisões – melancias, galões de água enormes etc. A estrada, que não é asfaltada, está enlameada pela chuva. O motorista habilmente gira a direção para a direita, depois para a esquerda e o carro consegue prosseguir, serpenteando pelo caminho. Todas as casas daqui, as chamadas palafitas, são erguidas sobre estacas para protegê-las de enchentes.

Depois seguiríamos de barco até o hotel, mas tivemos que parar após alguns metros, pois começou a chover. E chover. Chuva mesmo! Pelo menos agora sei por que, em inglês, a Amazônia é conhecida como rain forest. Esperamos meia hora até a torrente acalmar um pouco, mas a atmosfera permaneceu ainda abafada (atmòs significa vapor em grego – esses caras entendiam das coisas). Paramos para visitar um armazém: até agora não sei se o dono era um velhinho ou uma velhinha barbada.

O barqueiro tem um nome ótimo, senhor Tucano. O hotel é bem básico. Tenho meu próprio chalé, uma espécie de minipalafita com telhado de sapê. Eletricidade apenas entre seis e dez da noite. As nuvens deixam tudo mais escuro. Temos velas e os fósforos mais inúteis que já vi: tanto a caixa como seu conteúdo estão irremediavelmente úmidos. Consigo acender um palito após várias tentativas frustradas e acendo a vela, que logo se apaga. Desisto. Comida decente (arroz, feijão e carne) e frutas da região: finalmente experimento o verdadeiro cupuaçu. É um parente do coco que precisa ser aberto com um facão e cuja polpa é comida com as mãos. Não era bem o que eu esperava – ácido demais. O suco me pareceu doce pela quantidade de açúcar adicionada.

Converso com os italianos, ambos da Sicília. Enzo, que tem sotaque esquerdista, usa uma camiseta com a frase “Ao tentarmos superar nossas limitações, conseguimos, aos poucos, derrotar os medos que nos impedem de controlar nossa existência”.

Após uma breve sesta, tomo um banho de repelente e voltamos ao barco para uma pescaria de piranhas. Pescar é uma enrascada para mim, mais embaraçoso ainda porque eu já havia pescado no Pantanal com um sucesso razoável. Não posso nem dizer que estava em um lugar ruim porque estou ao lado de Enzo, que com seus Crocs cor turquesa – absurdos sapatos de plástico com furos a intervalos estratégicos – pescou seis. Ele me explica que sua esposa é uma exímia pescadora. Só fico jogando minha isca de pequenos cubos de carne, mas nenhuma das pestinhas morde meu anzol. Amazonas 1, Ken 0. Santino, que me pareceu estar usando meias de alta compressão para vôos longos, é tão malsucedido quanto eu, mas como ele fuma e joga as bitucas na água, me sinto superior a ele. Uma mosca fica me rodeando. Com fé na minha habilidade em repeli-la, não faço nada. E ela, de fato, se afasta.  1 a 1. Continuamos navegando e vemos alguns botos saltando, inclusive um cor-de-rosa.

A paisagem reflete lindamente na água parada quando escurece. Aliás, a água está parada porque estamos em um lago, o Arara. Só quando enveredamos por um rio tranquilo, afluente do Solimões, percebo que, tecnicamente, não vou chegar até o rio Amazonas, apesar do nome do estado ser Amazonas.

Depois do jantar é hora de um passeio noturno. Me parece ser uma perda de tempo, mas vou assim mesmo porque sou durão. Transformo meu chapéu de explorador numa balaclava, para proteger a cabeça e o pescoço, mas a providência é desnecessária: quando o barco está em movimento, não há mosquitos. Felizmente, sou o único a não poder ver o quanto estou ridículo. Cruzamos com alguns vaga-lumes e Antônio pega um pequeno jacaré de cerca de 50 centímetros e uns 3 anos de idade (de acordo com Antônio). Ele (o jacaré) parece tranquilo, mas o meu guia Footprint desaprova essa prática.

Em determinado momento vejo algo realmente impactante no caminho de volta: vaga-lumes enormes. Eram apenas as luzes do hotel. Vou me deitar às dez da noite e decido tirar só as botas e a calça, encharcando minhas pernas de repelente. Uso um produto em cada perna para testá-los. Durmo. Acordo no meio da noite imaginando estar chovendo, mas são apenas as folhas da palmeira batendo no meu telhado de sapê. Há um inseto fazendo um barulho semelhante ao de uma campainha.

 

SÁBADO, 24_Acordo sem qualquer mordida de inseto. 2 a 1 para mim. Após o almoço, saímos num bote motorizado para observar animais. É bastante divertido, apesar da chuva. Chuva, aliás, não parece ser problema aqui (nem no Brasil como um todo): chove, você se molha, pára de chover, vinte minutos depois você e suas roupas estão secos de novo.

A parte menos atraente do passeio é quando Antônio ou o capitão do bote avistam algum animal, coisa que fazem com destreza. Eles apontam em direção ao local, eu me esforço para enxergar o que talvez seja um bicho-preguiça ou uma jibóia (não tenho muita certeza), mas não consigo detectar os jacarés nem as iguanas. Não que eu me importe, pois já estive bem perto de um bicho-preguiça na Costa Rica e filmei um jacaré no Pantanal.

A chuva aperta. Meus óculos estão encharcados, e uma desagradável mistura de dois tipos de repelentes, protetor solar, suor e água escorre nos meus olhos, fazendo-os arder muito. Não consigo ver nada por vários minutos, muito menos a iguana que Antônio indica alegremente.

É bom estar ao ar livre. O barco passa por casas estranhas, botos nadando, belos pássaros voando (especialmente o jaçanã, com suas asas amarelas) e a sensação de uma parede verde em ambos os lados, que parece não ter fim. Um profundo sentimento de paz.

No jantar, comemos as piranhas que pescamos (quer dizer, Enzo e o capitão) ontem. No Pantanal, piranhas são usadas para fazer sopa – bem melhor do que a fritura daqui. São peixes cheios de espinhas e com espantosa pouca carne para um carnívoro. Depois da refeição, tomando caipirinhas, fico sabendo que Julien e Luz também vão para Belém, para o mesmo “encontro ambientalista” de Enzo e Santino, que na verdade é o Fórum Social Mundial. Sinto-me um bobão por não saber do que se trata. Enzo, que descubro ser comunista, nos conta sobre sua recente viagem a Cuba. Soa horrível.

Antônio se junta ao grupo e, durante a conversa, conta que seu primeiro nome é “Clever” – esperto, em inglês. A princípio, pensei se tratar de uma figura de linguagem, do tipo “perigo é o meu nome”, mas esse é seu verdadeiro nome: Clever Antônio. Apesar do fato de ele realmente ser esperto, acho melhor que continue a se apresentar como Antônio. Santino, gentilmente, me oferece um isqueiro de sua enorme coleção para eu acender a vela depois que desligarem a luz.

 

DOMINGO, 25_Tomo um banho, frio como sempre, e visto uma camiseta chinesa de manga comprida. Aliás, caso alguém me peça para resumir minha experiência amazônica, o primeiro conselho seria o seguinte: traga camisetas de manga comprida. Usá-las diminui em 90% a área que os mosquitos dispõem para poder picar.

Na última excursão em grupo (os demais vão embora hoje à tarde), visitamos a casa de alguns caboclos da região. A moradia é simples, telhado de sapê, com dois ambientes: um é a cozinha, o outro é onde se faz de tudo menos cozinhar. Doze pessoas moram aqui. A linha escura na parede indica até onde chega a água das cheias de junho e julho. Todos dormem em redes. A água que bebem vem direto do rio. Luz pergunta como eles a tratam – eles não a tratam. Quando nos oferecem chá, ninguém aceita. Nem mesmo o capitão. Por aqui se joga futebol aos domingos, como hoje, no lago Piranha. Um dos moradores nos mostra uma bola de borracha sendo feita pelo filho. Parece boa, quica bem. Eles extraem látex da seringueira para mostrar aos hóspedes do hotel. Somos convidados a ir até o local da extração, mas, no caminho, vislumbro dois leitões soltos e imediatamente me dirijo até eles. São os maiores animais que vi até agora na minha exploração amazônica.

Admiro muito os porcos, animais nobres, intelectualmente curiosos e muito inteligentes que receberam um papel ingrato dos homens. Esses dois são muito bonitos, rosados e com manchas pretas. Um permanece sob um toldinho de madeira, enquanto o outro fuça e grunhe alegremente. Não acho bom chegar muito perto, em respeito ao espaço deles.

Dou adeus aos quatro parceiros de expedição que partem. Restam apenas Antônio, o capitão e eu. Em nova descida pelo rio, fiquei tentando imaginar o que torna tudo tão calmo e pacífico. Em parte, são os diferentes sons, pois o silêncio, na mata, nunca é absoluto. Apenas não se ouve os ruídos aos quais estamos habituados. Ou será que, a despeito de algumas casas aqui e ali, e do visível desmatamento, me sinto em um lugar intocado pelo homem? Vamos conferir uma enorme árvore que foi poupada pelos madeireiros. Por algum motivo, só agora percebo que o lago é mata alagada. O que você vê na superfície não está boiando: é o topo de uma árvore cujas raízes estão fincadas no solo, 6 metros abaixo do nível do rio. De repente, sinto minha mão doer. Uma enorme formiga está na junta do meu dedo, e me pica. O que uma formiga faz em um barco?

De volta ao hotel. Há um casal americano que parece ser legal, mas há também um sujeito que imagino ser holandês (acertei de novo – sou bom nesse negócio de adivinhar nacionalidades). Ele fala um português razoável, com aquele ar de autocongratulação que os holandeses têm (mas lá pelas tantas eu o ouvi usando a palavra tarântula em vez de tartaruga – bobão). Também apareceu um grupinho de argentinos metidos.

Quando volto para meu quarto e acendo a luz, vejo um enorme inseto se esgueirando pela minha cama. Devido à parca iluminação, não consegui ver onde se escondeu. Algo cai no meu pescoço quando passo pelo ventilador. Não me mordeu, mas eu quase enfartei. Passo repelente nos lençóis, nos pés da cama, em tudo. Acordo às duas da manhã. Ouço um inseto que parece uma pessoa roncando – mais tarde, no café da manhã, ouço os americanos dizendo que era ronco mesmo.

 

SEGUNDA-FEIRA, 26_Acordo. Meu dedo indicador foi picado. Dói bastante e por isso aplico minha pomada de cortisona. Quem inventar uma pomada dessas que realmente funcione vai ficar rico. As duas que eu trouxe não servem para nada. Mostro o dedo para Antônio. Ele o examina com olhos de quem tem ancestrais que viveram na floresta por várias gerações e informa solenemente que aquilo foi feito por “algum inseto”. E eu aqui pensando que um jacaré tivesse invadido meu quarto e me atacado. Na verdade, Antônio é de uma região montanhosa ao norte, na fronteira com a Guiana, e não um homem da floresta.

Seguimos de barco para uma parte do rio coberta por vegetação. à primeira vista, parece um viçoso carpete verde pelo qual podemos caminhar – mas quem tentar, vai acabar sob 3 metros de água. Trata-se de uma planta popularmente chamada de “arroizão”, por se parecer com o arroz. O capitão informa que ela pode matar uma pessoa, mas acho sua explicação, assim como tudo o mais que ele diz, altamente incompreensível. A coisa vai ficando tão densa que nos pomos a remar para não danificar o motor. Pensei em segurar firme no arroizão e ir puxando o barco, mas, por via das dúvidas, achei melhor não: poderia liberar os tais poderes letais da planta.

Aportamos no nosso destino: um local onde se produz farofa (farinha de mandioca) e onde faz um calor absurdo, apesar de ser coberto por um telhado de sapê, aberto nos quatro lados. O calor vem de dois enormes fornos de barro sobre os quais reinam dois panelões de aço. A mandioca é colhida, descascada e colocada de molho por muitos dias, para a eliminação de parte do cianeto. O resto sai no cozimento final. Em seguida ela é triturada em um moedor movido a motor de barco, peneirada e cozida. Dois sujeitos sem camisa, pequenos e fortes como todos os homens daqui, seguram algo que se assemelha a um remo para mexer a montanha de farinha amarela nas panelas. O mais jovem pega uma colherada e joga para o alto. Bonito efeito ao sol. A cada 50 quilos produzidos, eles ganham 15 reais. Sou convidado a ajudar no processo. Vou peneirando, me sentindo virtuoso.

Assim como na produção da borracha de ontem, tudo é muito fascinante até que você entenda o processo. Depois, é entediante. Vamos até a plantação propriamente dita e na volta um dos caboclos começa a contar uma história. Ele fala tão lentamente e baixo que se torna difícil entender o que diz – tanto quanto nosso capitão. Antônio, então, assume o papel de tradutor para um português que entendo: é a história de como o narrador matou uma onça (Shakespeare usa a palavra ounce para um grande felino em Sonho de uma Noite de Verão).

Na volta, Antônio avista um jacaré que até eu consigo ver. O capitão solta um grito e paralisa o barco. Ele e Antônio correm para a margem, e o primeiro começa a subir numa árvore. Eu permaneço no barco, que não foi amarrado e, por sorte, não fiquei à deriva, sozinho, no meu último dia aqui. O capitão desce da árvore segurando uma preguiça fêmea de três garras, bem menor do que a de duas garras que vi na Costa Rica. Fico com pena, mas não mando largar o pobre bicho – na verdade, até tirei uma foto. O animal me lança um olhar de sofrida reprovação. Ao final, o bicho é colocado de volta ao pé da árvore e ele a escala com digna lentidão. Mais adiante, Antônio vê uma cobra em outra árvore a 3 metros de onde estamos. O capitão sugere, em vão, que ele vá pegá-la.

Depois do almoço, cinco argentinos, dois brasileiros, Antônio, eu e o capitão Tucano, sem falar na nossa bagagem (um dos argentinos trouxe um violão!), embarcamos para a viagem de volta. O barco me parece perigosamente superlotado. Não me senti nada seguro, mas o resto dos passageiros nem ligou.

Começa a chover. Para piorar, o senhor Tucano nos leva por um caminho diferente do da vinda. Ele passa pelo maldito arroizão. Antônio repete que a planta cheia de espinhos pode matar se chegar à sua garganta, mas não explica como ela conseguiria percorrer esse caminho. Remamos mais.

Chegamos a um trecho onde as copas das árvores se juntam e a água parece uma sopa pouco apetitosa, cheia de troncos podres e vegetação. É a chamada “cachoeira”, que, para meu alívio, é o nosso destino.

TERÇA-FEIRA, 27_Uma embarcação de maior porte nos devolve a Manaus. O que eu achei do Amazonas? É claramente uma experiência que gostei de ter tido. Notável. Mas se você quer ver animais – o propósito maior do grupo –, devo dizer que o Pantanal tem mais a oferecer. Excetuando-se os pássaros.

Fico no Tropical Hotel. Foi um erro. Achei charmoso experimentar um cinco-estrelas depois do desconforto na mata. Só que você paga por serviços de primeira classe, mas recebe tratamento de segunda. Um banho bem quente, por exemplo, que era meu maior objeto de desejo, revela-se uma miragem. Depois vem a internet com dificuldade de conexão. Sou informado pelo recepcionista que a estranha tela que pede meu nome é parte da luta do governo contra a pornografia e a prostituição infantil. Como não tive que fazer nada disso em São Paulo e nem no meu outro hotel de Manaus, invento Peter Iglet, 23 anos, Scumbag Street, Oxford. Fico feliz por saber que estou ajudando no combate à pedofilia.

Na manhã seguinte, decido pegar um ônibus até o centro, onde passo a maior parte do dia. Isso significa perder a oportunidade de conhecer o jardim zoológico da cidade dirigido pelo Exército – um conceito que não consigo captar.

Procuro pela Doca Flutuante, uma estrutura de 1902, época em que Manaus vivia o seu apogeu. Como, por definição, a doca fica na água, seria de imaginar que um graduado de Oxford, funcionário do Parlamento Europeu, que fala português, equipado com um mapa, conseguiria achá-la. Mas não. As pessoas dão orientações um tanto vagas, do tipo “em frente” ou “mais adiante”. Depois de uma frustrante meia hora, desisto e volto ao Teatro Amazonas.

Almoço simples num café: sanduíche na chapa e suco de jenipapo. Não tenho idéia do que seja jenipapo, mas uma música do Junio Barreto fala da fruta, e eu quis experimentar. Parece uma cruza de gengibre com abacaxi. O suco é espesso: o canudo fica em pé no copo.

 

QUARTA, 28_Visitei o zoológico do hotel Tropical. Vi uma onça que parecia razoavelmente feliz. Mas como proteger a espécie se um macho (ou fêmea – não tenho idéia do gênero do animal que está à minha frente), em idade de reprodução, é retirado do único ambiente onde poderia fazer mais onças? Em outra jaula, havia uma jaguatirica deitada com ar de tédio. Também vi algumas capivaras: belos animais, embora não se possa dizer que sejam hiperativas. Havia muitos pássaros, menos o jaçanã, meu favorito. Mas o melhor de tudo foram as queixadas. Para quem não sabe, esse mamífero pertence à família do porco, apenas com cara menos inteligente. Tem um corpo musculoso, patas delicadas e, nesse caso, um colar de pêlos brancos. O resto da pelagem é preta, com alguns brancos salpicados no dorso, como se alguém tivesse jogado talco por diversão. Há sete adultos e cinco filhotes. Os adultos andando para lá e para cá, fuçando na lama. Os pequenos deitados quietinhos. Um deles me parece doente: os adultos vão até ele e o lambem.

Retorno ao quarto para arrumar as malas. Parece que chove torrencialmente em São Paulo há três dias. No aeroporto ouço o que penso ser música de flautas amazônicas, mas, na verdade, é apenas um carrinho de bagagem com o rangido mais agudo que já ouvi. Fico feliz por descobrir uma filial da sorveteria Glacial no aeroporto. Tomo um sorvete de açaí e teperebá. Vejo que eles têm sorvete com sabor de chiclete, mas é tarde demais. Deveria ter pedido chiclete com banana em homenagem a Jackson do Pandeiro, ou Lenine.

Vou ao toalete. O homem no mictório ao lado está falando ao celular, preso entre sua orelha e seu ombro esquerdo.

A floresta principia a 100 metros da pista. Decolamos, e o rio (acho que é o Solimões) parece absurdamente imenso. Lá de cima, ele adquire um tom dourado ao sol da tarde. Durante o vôo, o piloto nos diz que precisa diminuir a velocidade por motivos que não consigo compreender. Isso significa que chegaremos quinze minutos atrasados. Faço uma “refeição”: bolachinha e suco de laranja. Leio Dalton Trevisan, um escritor de Curitiba. É uma das cidades com melhor qualidade de vida do Brasil, mas não dá para perceber isso lendo Trevisan: um desfile funesto de bêbados, prostitutas, adúlteros e adúlteras na década de 40. Acho suas histórias difíceis, mas seu forte cinismo e pessimismo são estimulantes.

Aterrissamos em Guarulhos.

 

São Paulo, QUINTA, 29_Decido ir até o centro para tirar fotos, mas percebo tarde demais que a máquina está sem bateria. O carregador ficou em Bruxelas. Vou a uma galeria meio grunge que vende discos, camisetas de rock e apetrechos para surfe. Compro um CD dos Racionais MC’s. Descubro que o Brás é um bairro ótimo, com a maior concentração de lojas de roupas que já vi na vida, com nomes como Charmzone e Loony. De volta ao hotel, descubro que passei sem saber pertinho do Museu do Imigrante, descrito pelo Rough Guide como um dos melhores de São Paulo. Droga!

 

Sábado, 31_Estou tão suado e com tanto calor que tomo outro banho. Ao me vestir, descubro que a lavanderia em Manaus removeu cuidadosamente o cordão que servia de cinto na minha calça branca. Mas tenho que usá-la, pois vou a um restaurante famoso. Tento enfiar o cordão nas calças, mas não consigo.

Não acho o restaurante. Nada mais frustrante do que saber que você está perto de onde quer ir, mas não consegue achar o local. Especialmente se for dez da noite e você estiver com muita fome. Acabo me conformando com uma lanchonete que serve um hambúrguer caríssimo. Mas a caipirinha é boa.

Hoje é sábado e estou de partida para o aeroporto. O Brasil é o máximo! Venham conferir.

Ken Colgan

Ken Colgan é intérprete no Parlamento Europeu.

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