anais da comédia

Um militante e um humorista entram num bar

As voltas políticas que o humor politicamente incorreto dá

André Boucinhas
CREDITO: REINALDO FIGUEIREDO_2019

“Esse é o pior momento para ser uma celebridade. Estamos todos condenados. O Michael Jackson está morto há dez anos e até ele recebeu duas novas acusações! Aliás, eu vou dizer uma coisa que não deveria. Eu preciso ser sincero. Eu não acredito nessas histórias que contam sobre ele. Eu não acredito que ele tenha feito isso que dizem. E mesmo que tenha… Eu sei que mais da metade das pessoas aqui já foi molestada. Mas não foi pelo Michael Jackson, foi? O rei do pop chupou o pau desses garotos. Imagine como eles se sentiram no dia seguinte. ‘Ei, como foi seu final de semana?’ ‘Meu final de semana? Michael Jackson chupou o meu pau! E essa foi minha primeira experiência sexual. Se eu comecei aqui, o céu é o limite!’”

É difícil imaginar que alguém pudesse considerar esse comentário, feito em um show de stand-up, de bom gosto – ou simplesmente aceitável. O comediante procura fazer graça com um assunto tabu – a pedofilia – e ainda tenta aliviar a culpa de um artista que, ao que tudo indica, molestou uma série de crianças. Será que vale a pena contar piadas desse tipo?

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André Boucinhas

Historiador, é coautor de Pernambuco em Chamas, pela Fundação Joaquim Nabuco, e doutor em literatura brasileira pela UFRGS

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