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Vinhetas de um plantão noturno na neurocirurgia do Miguel Couto

| Edição 58, Julho 2011

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Paulo Roberto Lobato estudou no colégio Andrews, se formou pela Faculdade de Vassouras e está há um ano de se aposentar da emergência neurocirúrgica do Miguel Couto.  É mais identificável em meio ao burburinho do plantão noturno no Miguel Couto  pela voz de barítono (ou de ex-fumante inveterado) e pelos cabelos grisalhos. Emergência não tem como mudar.É como uma cachaça. Adoro operar até hoje, até porque se parar muito tempo, enferruja. Brigo com os garotos por eles me tirarem cirurgias”.

Lobato costuma ficar na dele, num canto da sala da chefia, ensimesmado. Já viu demais para ficar contando histórias. Ao longo de seus mais de 30 anos de hospital, pacientes demais já morreram em suas mãos. “Mas tentamos sempre, mesmo quando o paciente chega muito ruim. É que se não tentar nem operar, as chances dele de morrer são 100%, certo?”  Certa vez operou o filho de um comandante da Marinha e muitos anos depois, quando já nem lembrava do caso, foi convidado a ser padrinho de casamento do garoto.

Fernando Vasconcelos, o caçula da equipe do plantão noturno, sempre dá um jeito de saber o que aconteceu com o paciente atendido no Miguel Couto e depois transferido para alguma clínica particular.  Sua mãe, pai e tio são cirurgiões. “O meio médico se conhece. Você sempre tem algum conhecido ou parente que trabalha em outro hospital. E é bom acompanhar a evolução do paciente no pós operatório para saber se o que você fez, fez certo. Sim, porque o sucesso da cirurgia em si você sabe na hora. Mas isso não é tudo.”. 

 

Thiago  de Bellis ainda era acadêmico (ou seja, ainda não concluíra o curso de Medicina) quando viu pela primeira vez um paciente morrer na mesa de cirurgia. Levara um tiro na cabeça, a bala transfixara e rasgara todo um seio venoso do cérebro. “Fomos abrir, mas não deu mais de um minuto e o paciente estava morto. A sensação de impotência é grande, mas você se conforta dada a gravidade inicial do quadro.

Todos já admitem ter chorado por pacientes e com pacientes. “Há dois meses vi uma jovem sentada na escada”, conta Lobato. “Ela tinha um tumor cerebral inoperável. Não deu, ela começou a chorar, eu comecei a chorar também. O fato de você saber qual vai ser a definição daquele caso não ajuda”.

Thiago, por sua vez, lembra que ainda no tempo de faculdade ficara um tempão na enfermaria do hospital conversando com um paciente de câncer. “Não como médico, apenas como ouvinte, como amigo momentâneo. E falava que não tinha medo de morrer. Me chamava de ‘meu filho’".

 

–  “Meu filho”, me dizia ele, “sempre me falaram de qualidade de vida, nunca me falaram de qualidade de morte. Eu nunca soube que sofreria tanto para morrer”.

O episódio deixou uma marca funda no futuro neurocirurgião. “Essas coisas a gente não aprende na faculdade”, diz ele.

Num hospital público como o Miguel Couto, o médico recebe retorno de gratidão sobretudo quando tem criança envolvida – é bastante comum pais humildes voltarem para agradecer. Lobato conta a história de um colega que fazia compras num supermercado, quando foi abordado:

 

– Dr. Salomão?

– Sim, sou eu

– Não sei se o senhor lembra, mas há 20 anos o senhor colocou uma válvula em mim e estou ótimo.

O paciente sempre lembra. O médico, nem sempre.

Indagado como ele trata da própria saúde, o veterano solta uma gargalhada rouca  diante de pergunta tão estapafúrdia. “De cinco a seis anos para cá, não tenho feito nada. Não dou muita importância, não. Me sinto bem todo dia, acho que não preciso fazer exame de sangue , essas coisas. Chego no hospital de manhã, faço as cirurgias, saio às 6 ou 7 da tarde, vou para casa, tomo banho e janto. No dia seguinte a mesma coisa. Sem falar no plantão à noite. Então quando penso numa academia, meu Deus do céu, prefiro muito mais ir dormir na minha cama!”. Por ser o único médico de sua família – é filho de militar – lhe ocorre o contrário: vive recebendo telefonemas de parentes pedindo conselhos.  

Thiago já percebeu que médicos têm problema sério para tratar da saúde adequadamente. “Em geral, quando você descobre que tem alguma coisa, conta para dez médicos, cada um liga pro seu colega especialista, você liga para marcar dez consultas e acaba ficando sem rumo. É complicado. Ou então você encontra um colega no corredor e diz: “Ô, fulano, vou marcar um horário no seu consultório”. 

– “Que nada”, responde o colega,”faz assim: me traz teus exames e eu dou uma olhada aqui mesmo. Ou seja, vira aquela consulta informal, no meio do corredor.

Thiago se limita a dar três caminhadas por semana, com uma corrida de 6 km na praia.

 

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