Igualdades

O acender das luzes

Julia Sena, Amanda Rossi e Renata Buono
02set2019_09h00

O Brasil é um dos países que mais produz energia renovável no mundo. No ano passado, 81% da eletricidade consumida no país foi gerada por turbinas movidas a água e vento ou por placas solares, que não emitem gases que provocam aquecimento global. É cerca de quatro vezes a média de uso de energia renovável no mundo, segundo a Agência Internacional de Energia. As hidrelétricas são a principal fonte de eletricidade brasileira. A seguir vêm as usinas térmicas, cuja geração de energia quase quadruplicou desde 2011. Isso ajudou a evitar um novo apagão em 2014 – quando a seca fez os reservatórios das hidrelétricas baixarem – mas aumentou a emissão de poluentes. A energia eólica também ganhou espaço e já é a terceira principal fonte de eletricidade do país. O =igualdades desta semana traz comparações sobre a energia produzida no Brasil.

O Brasil já chegou perto de ter 100% de energia renovável. Em 1995, 94 de cada 100 watts produzidos no país provinham de fontes verdes. Já na Alemanha, eram 5 de cada 100 watts.

No ano passado, a proporção de energia renovável no Brasil foi de 81 a cada 100 watts produzidos. Enquanto isso, na Alemanha, chegou a 40 de cada 100 watts.

A queda na proporção de energia renovável no Brasil ocorreu devido ao aumento da energia térmica, produzida pela queima de combustível fóssil. Estima-se que as usinas térmicas brasileiras tenham liberado o equivalente a 59 milhões de  toneladas de CO² no ambiente, em 2017, a última medição disponível. Isso equivale à poluição gerada pela queima de todo o combustível vendido em postos paulistas e fluminenses no mesmo ano.

A principal fonte renovável do Brasil é a hidrelétrica, que gera energia a partir do movimento dos rios. Com mais de um décimo da água doce do planeta, o Brasil tem mais de mil hidrelétricas. Em 2018, elas produziram 72% da energia do país. As térmicas geraram 16,5%; as eólicas, 8%; a nuclear, 3%; e a solar, 0,5%.

O Brasil começou a produzir energia eólica, a partir dos ventos, apenas em 2006. Uma década depois, a eólica já tinha se tornado a terceira principal fonte de energia do país. O pico de produção ocorre entre setembro e outubro, quando os ventos ficam mais fortes. A maior geração já registrada foi em 12 de setembro de 2018, suficiente para abastecer 14 de cada 100 consumidores brasileiros naquele dia.

O Brasil está entre os dez países com maior capacidade de geração eólica no mundo. A China, líder nesse tipo de energia, tem 15 vezes o poder de geração brasileiro. 

A emissão de gases poluentes e a geração de lixo nuclear não são os únicos problemas ambientais da produção de energia. Exemplo disso é a hidrelétrica de Belo Monte, criticada por alterar as dinâmicas do Rio Xingu. Em 2018, Itaipu gerou quatro vezes o que foi produzido por Belo Monte.

Fontes: Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Empresa de Pesquisa Energética, Agência Internacional de Energia (IEA), Banco Mundial, SEEG Monitor Elétrico, Fraunhofer, Relatório 2019 da Energia Eólica Internacional.

Nota metodológica: a soma dos ícones da quarta infografia, sobre a composição da matriz de energia brasileira, é igual a 101 devido aos arredondamentos.

Julia Sena (siga @ajuliasena no Twitter)

Colaboradora da piauí. Antes, trabalhou no FOX Sports Brasil

Amanda Rossi (siga @amanda_rossi no Twitter)

Jornalista, trabalhou na BBC, TV Globo e Estadão, e é autora do livro Moçambique, o Brasil é aqui

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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