Igualdades

O arsenal civil brasileiro

Allan de Abreu, Renata Buono e Marcella Ramos
25mar2019_10h00

O atentado à escola Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, que deixou 10 mortos no dia 13 de março, reacendeu a discussão sobre a posse de armas de fogo no país. O Brasil possui poucas armas nas mãos de civis, em comparação com os Estados Unidos – a maior parte do que é produzido pela indústria bélica nacional vai para o exterior. Mas as armas mataram, em 2017, 51 mil pessoas no país, quatro vezes mais do que acidentes envolvendo automóveis.

 

Os Estados Unidos têm dez vezes mais armas de uso pessoal por habitante do que o Brasil. Por aqui, são 165 armas de fogo para cada 100 mil habitantes, enquanto nos Estados Unidos essa média é de 1.597,5 armas. 

 

O estado brasileiro com mais armas por habitante é o Acre (557 por 100 mil hab). Na outra ponta, o estado com menos armas é o Maranhão (34 por 100 mil hab). Ou seja, para cada maranhense armado, existem cerca de dezessete acrianos donos de armas.

 

De cada dez armas nas mãos de brasileiros, uma está com policiais “à paisana”. Civis têm 350,4 mil armas de fogo, enquanto policiais e seguranças privados possuem 39,9 mil armas particulares – a estatística não inclui armamentos das corporações.

 

Armas matam 4 vezes mais do que carros no Brasil. Em 2017, armas de fogo provocaram 50,9 mil mortes no Brasil, contra 11,9 mil causados por automóveis.

A indústria bélica brasileira exporta 7 vezes mais armas do que importa. Em 2018, o Brasil importou 48,3 milhões de dólares em armas e munições e exportou 368,5 milhões de dólares.

 

 

A indústria de armas de fogo fatura 1,6 bilhão de reais por ano e emprega diretamente 6 mil pessoas. É o mesmo faturamento anual da indústria de brinquedos, que emprega o dobro de pessoas.

 

Fontes: Polícia Federal do Brasil, Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives USA, Datasus, Departamento Nacional de Trânsito, IBGE, Ministério da Economia.

Allan de Abreu (siga @allandeabreu1 no Twitter)

Repórter da piauí, é autor dos livros O Delator e Cocaína: a Rota Caipira, ambos publicados pela editora Record

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

Marcella Ramos (siga @marcellamrrr no Twitter)

Repórter e coordenadora de checagem da piauí

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