Igualdades

O combustível em tempos de conflito

Amanda Rossi e Renata Buono
13jan2020_07h30

A tensão militar entre Estados Unidos e Irã, após o assassinato do general Qasem Soleimani, gerou temores de alta no preço internacional do petróleo. O aumento pode se refletir nas bombas de gasolina e diesel brasileiras, já que o preço interno leva em conta a cotação internacional. Questionado pela imprensa, Jair Bolsonaro declarou que não vai intervir na política de preços dos combustíveis. Na última grande alta do petróleo pós-conflitos no Oriente Médio, durante o governo de Dilma Rousseff, a Petrobras praticou preços abaixo dos patamares internacionais para segurar a inflação. O =igualdades desta semana aborda o valor dos combustíveis no Brasil e no mundo.

O Oriente Médio é a região do mundo que mais produz petróleo: 31,8 milhões de barris de petróleo por dia. Arábia Saudita, Irã e Iraque são os três maiores produtores da região. Isoladamente, porém, os Estados Unidos são o maior produtor. O Irã é também um dos países que controla um dos principais canais de escoamento de óleo do mundo, o Estreito de Ormuz. A produção dos Estados Unidos é uma das que mais cresce no mundo.

Conflitos no Oriente Médio costumam pressionar o valor internacional do petróleo. Entre 2011 e 2013, a Primavera Árabe e as guerras na Líbia e na Síria contribuíram com altas recordes no preço do barril, que atingiu US$ 112, na média de 2012. Hoje, está em US$ 65. Com o valor de 2 barris em 2012, é possível comprar 3 barris hoje.

A alta do preço internacional do petróleo entre 2011 e 2013 não se refletiu nas bombas brasileiras, devido ao controle de preços bancado pelo governo Dilma. Após o impeachment da petista, o valor do combustível começou a se equilibrar – ou seja, subiu, na contramão do que ocorria no exterior. Com o valor de 8 litros de gasolina em 2012, é possível comprar 5 litros hoje.

O Brasil produz mais do que consome. Por isso, exporta mais do que importa. Mas, o petróleo brasileiro é vendido a preço mais baixo que a média internacional. O valor médio de exportação foi de US$ 61, enquanto o valor médio do barril importado pelo Brasil, em 2018, foi US$ 74. Seis barris brasileiros valem o mesmo que cinco barris importados.

O litro de gasolina no Brasil custava, em média, R$ 4,39, em outubro de 2019. O preço do produto em si equivalia a dois quintos desse valor. Outros dois quintos eram tributos. O restante eram custos de transporte e margem de lucro de distribuidores e revendedores.

Em novembro, o preço médio do litro da gasolina no Brasil subiu para R$ 4,41. A cidade turística de Angra dos Reis (RJ) tinha a gasolina mais cara do país, em média R$ 5,15 o litro. Já Macapá (AP) tinha o combustível mais barato, em média R$ 3,97. Com R$ 150 era possível abastecer o carro com 29 litros de gasolina em Angra dos Reis ou com 38 litros em Macapá.

A cidade de São Paulo tem a maior variação no preço da gasolina. Em novembro de 2019, registrou os preços mais altos e mais baixos do país: R$ 3,65 e R$ 5,80 o litro. Com R$ 150 era possível abastecer o carro com 41 litros no posto mais barato ou com 26 litros no posto mais caro.

Já o preço médio do litro do diesel no Brasil foi de R$ 3,71, em novembro de 2019. O litro mais barato era comprado no Paraná, a R$ 3,50. O mais caro era o do Acre, R$ 4,72. Com R$ 150 era possível abastecer um caminhão com 43 litros de diesel no Paraná ou com 32 litros no Acre.

 

Fonte: Agência Nacional do Petróleo (ANP), BP Statistical Review of World Energy, 2009 e 2019.

Amanda Rossi

Jornalista, trabalhou na BBC, TV Globo e Estadão, e é autora do livro Moçambique, o Brasil é aqui

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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