Martin Scorsese tem razões de sobra para sorrir.
Diretor prolífico, alternando ficção e documentário, realizou filmes notáveis em quase 50 anos de carreira, já tendo alguns projetos anunciados, como diretor e produtor executivo, para depois de .
Reconhecido como um dos grandes cineastas do nosso tempo, é dotado de maestria rara como diretor. Cinéfilo apaixonado, conhece a história do cinema como poucos, e se dedica ainda à tarefa crucial de preservar filmes.
Com um currículo desses, é fácil entender não ser fácil encontrar, entre as fotos disponíveis no Google, alguma em que ele não esteja sorrindo.
Mesmo a que vai no alto deste post, na qual sua expressão transparece certa tensão – reparem na testa franzida, sobrancelhas arqueadas e nos lábios apertados – deixa entrever também alegria no olho esquerdo, mais cerrado que o direito.
O que o leva a se submeter a semelhante constrangimento?
A resposta também é simples: profissionalismo de quem faz filmes, como , de orçamento acima de 150 milhões de dólares. Esse é um dos preços a pagar, modesto aliás, pelo direito a extravagâncias como essa, ainda mais quando o resultado comercial fica aquém do esperado.
Ontem à noite, na cerimônia de entrega do Oscar, das 11 indicações, Hugo ganhou 5, o que não é nada mau, mas nos momentos em que foram anunciados o melhor diretor e melhor filme, Scorsese não conseguiu sorrir. O veterano cineasta manteve a compostura, mas ser preterido por Michel Hazanavicius e O Artista, não pode deixar de ter doído. A esta altura, porém, a caminho de casa, e de seus novos milionários projetos, já deve estar sorrindo de novo.