Igualdades

Pandemia que conta muitas tragédias

Plínio Lopes e Renata Buono
13jul2020_11h04

O primeiro caso do novo coronavírus no Brasil foi registrado há quase cinco meses, no dia 25 de fevereiro, de um homem que havia retornado da Itália. Desde então, o país já soma 1,8 milhão de contaminados e 72,1 mil mortos até esta segunda-feira, 13 de julho. Porém, os números por si só não dão a dimensão da mortandade causada pela doença no Brasil. Por isso, o =igualdades comparou as mortes pela Covid-19 com tragédias nacionais e internacionais da história recente. Em poucas semanas, a doença matou mais do que o rompimento da barragem em Brumadinho, do que todos os acidentes aéreos da última década no Brasil e mais do que os atentados do 11 de setembro. Com alguns meses, a Covid-19 matou mais brasileiros do que os homicídios e os acidentes de trânsito. E se aproxima de uma hecatombe.

O rompimento da barragem de Brumadinho matou 259 pessoas – e onze continuam desaparecidas. A pandemia do novo coronavírus demorou 42 dias, desde o primeiro caso confirmado em 25 de fevereiro, para matar o dobro de pessoas. Até 6 de abril, 553 pessoas haviam morrido por conta da Covid-19.

De 2010 até 2019, o Brasil registrou 813 mortes em acidentes aéreos – incluindo aviões, helicópteros etc. Até o dia 8 de abril, a Covid-19 tinha matado 800 pessoas. Ou seja, em 44 dias, a pandemia matou quase o mesmo número de pessoas que dez anos de acidentes aéreos no Brasil.

O Brasil teve alguns incêndios trágicos pelo grande número de vítimas. Em 1961, 503 pessoas morreram no incêndio no Gran Circo, em Niterói. Um incêndio no Edifício Andraus, em 1972, matou 16 pessoas. Dois anos depois, em 1974, outro evento no Edifício Joelma causou 188 mortes. Já o incêndio na Boate Kiss, em 2013, deixou 242 mortos. Somados, estes quatro incêndios mataram 949 pessoas. A Covid-19 demorou 46 dias para matar o mesmo número de brasileiros: 1.056 mortos até o dia 10 de abril.

Com 59 dias de pandemia, no dia 23 de abril, o Brasil chegou a 3.313 mortes por Covid-19 e superou o número de mortos nos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, quando 2.977 pessoas morreram.

No dia 4 de junho, com 101 dias de pandemia, o total de mortos por Covid-19 ultrapassou o número de mortes por acidentes de trânsito em um ano no Brasil. Em 2018, 32.655 pessoas morreram em acidentes; a Covid-19 matou 34.021 pessoas até 4 de junho.

Com 126 dias de pandemia, em 29 de junho, o Brasil chegou ao total de soldados americanos mortos na Guerra do Vietnã. No total, 58.220 americanos morreram naquela guerra. Até o dia 29 de junho, 58.314 pesssoas já haviam morrido de Covid-19 no Brasil.

Apenas oito dias depois, no dia 7 de julho, o Brasil chegou a 66.741 mortes causadas pelo novo coronavírus. Isso é mais do que o total de pessoas assassinadas em 2017, ano que bateu o recorde histórico no número de homicídios: 65.602 pessoas foram mortas.

A bomba atômica jogada pelos Estados Unidos na cidade de Hiroshima, no Japão, em agosto de 1945, matou aproximadamente 90 mil pessoas até o final daquele ano – as mortes e sequelas posteriores são ainda maiores. Em que data a Covid-19 vai matar mais pessoas no Brasil do que a bomba de Hiroshima matou no Japão?

Fontes: Ministério da Saúde; Defesa Civil de Minas Gerais; UCLA Asian American Studies Center; Comitê Internacional da Cruz Vermelha; Atlas da Violência – Ipea; Arquivos Nacionais dos Estados Unidos; Enciclopédia Britannica; Jornal O Globo (Andraus e Gran Circo); Portal G1 (Boate Kiss); Folha de S. Paulo (Joelma);  Painel Sipaer

Plínio Lopes (siga @Plluis no Twitter)

Repórter freelancer, trabalhou na Agência Lupa e é especializado em jornalismo de dados e fact-checking

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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