=igualdades

Séculos de escuridão nas Forças Armadas

Se uma mesma pessoa pedisse acesso a todos os documentos desclassificados pelo Exército desde 2013, levaria 695 anos para receber todas as respostas

Luiz Fernando Toledo e Renata Buono
18jun2021_18h35

As Forças Armadas concentram 90% dos documentos desclassificados desde a sanção da lei. E estabeleceram critérios próprios para a liberação dos documentos: só agem se provocadas via LAI, e liberam os papéis em lotes de quinze em quinze. Juntos, Marinha, Exército e Aeronáutica desclassificaram ao menos 394.408 documentos de 2013 até maio de 2020, e o tempo médio de resposta varia de 16 a 23 dias, segundo a Controladoria-Geral da União.

Na Marinha, ao menos 69.315 mil documentos foram desclassificados desde 2013. Para ter acesso a eles seria preciso fazer 4.621 pedidos de informação divididos em quinze documentos por vez. Como a média de resposta da Marinha demora 21 dias, se alguém pedisse acesso a todos os documentos, o tempo para recebê-los seria de 97.041 dias, ou 266 anos. Na Aeronáutica, que já desclassificou ao menos 87.284 documentos desde 2013, seriam necessários 5.819 pedidos de informação. A resposta demora em média 23 dias, e sempre são liberados quinze documentos por vez. O tempo total de liberação desses papéis seria de 133.837 dias, ou 367 anos. No Exército, onde foram liberados desde 2013 ao menos 237.809 documentos, o tempo de resposta é menor, 16 dias. Ainda assim, para ter todos os documentos liberados em lotes de quinze em quinze seria preciso fazer 15.854 pedidos de informação. A resposta demoraria 253.664 dias – ou 695 anos.

Luiz Fernando Toledo (siga @toledoluizf no Twitter)

É editor de Brasil do OCCRP e pesquisador-visitante na Universidade de Oxford. É um dos diretores da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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