Igualdades

Soja brasileira, máquinas europeias

Emily Almeida, Luigi Mazza e Renata Buono
15jul2019_09h04

Após duas décadas de negociações, Mercosul e União Europeia fecharam um acordo de livre-comércio. O tratado determina que, em até dez anos, não haverá mais tarifas sobre 92% dos produtos brasileiros, argentinos, uruguaios e paraguaios exportados para o bloco europeu. Por outro lado, 72% das importações vindas da União Europeia também não vão pagar tarifas. Hoje, o bloco é o segundo maior parceiro comercial do Mercosul – em 2018, importou 54,6 bilhões de dólares em produtos –, ficando atrás somente da China. Nesta semana, a seção =igualdades analisa o tamanho das relações comerciais do Mercosul com a União Europeia e outros países.

Nos últimos cinco anos, o Mercosul exportou, em média, 48,2 bilhões de dólares por ano para os 28 países da União Europeia. Isso coloca os europeus em segundo lugar no ranking de principais parceiros econômicos do Mercosul, atrás da China (50,3 bilhões de dólares por ano) e à frente dos Estados Unidos (30,6 bilhões de dólares por ano).

O principal produto que o Mercosul exporta para a União Europeia é farelo de soja: em 2018, foram 5,7 bilhões de dólares. Para cada dólar de farelo de soja que exportou, o Mercosul importou dois dólares de máquinas – como motores, válvulas e centrífugas –, principal produto importado da União Europeia (foram 9,5 bilhões de dólares em 2018).

A soja é o alimento que o Brasil mais exporta para a União Europeia. Em 2018, foram 5 milhões de toneladas embarcadas. Essa é a mesma quantidade que foi exportada de milho e café, segundo e terceiro alimentos mais exportados pelo Brasil.

Em 2018, para cada litro de vinho que importou da União Europeia, o Brasil exportou 37 litros de suco de laranja para os europeus.

A cada 9 toneladas de açúcar que o Brasil exportou para a União Europeia em 2018, o país importou um carro de passeio.

Por ano, o Brasil exporta uma média de 184 milhões de dólares em carne bovina para a Itália. Isso é cinco vezes mais do que o Brasil importa de bolsas, sapatos e malas de couro italiano (35,4 milhões de dólares).

Após ter firmado o acordo com a União Europeia, o Mercosul estuda a possibilidade de um tratado com a Suíça – país que não faz parte do bloco econômico europeu. Hoje, embora seja o maior produtor de café do mundo, o Brasil tem déficit com a Suíça no comércio desse produto. Por ano, o país exporta 7 milhões de dólares em café não torrado para os suíços, e importa de volta 37,4 milhões de dólares de café torrado – valor cinco vezes maior.

Fontes: Ministério da Economia; Trade Map; Secem (Sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Mercosul).

Emily Almeida (siga @emilycfalmeida no Twitter)

É estagiária de jornalismo da piauí. Antes, trabalhou no jornal O Globo

Luigi Mazza (siga @LuigiMazzza no Twitter)

Repórter da piauí e produtor da rádio piauí

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

leia mais

Últimas Mais Lidas

Maria Vai Com as Outras #3: Quero ser mãe, não quero ser mãe

Uma editora e uma advogada e escritora falam sobre os desdobramentos na vida de uma mulher quando ela decide ter ou não ter filhos

Vítimas de Mariana cobram R$ 25 bi de mineradora BHP na Inglaterra

Juiz deve decidir em junho se vai julgar o processo, o maior em número de vítimas da história do Reino Unido

Passarinho vira radar de poluição

Pesquisadores usam sangue de pardais para medir estrago de fumaça de carros e caminhões em seres vivos

Foro de Teresina #68: Censura na Bienal, segredos da Lava Jato e um retrato da violência brasileira

O podcast de política da piauí discute os principais fatos da semana

Presos da Lava Jato unidos contra os ratos e o tédio

Condenados por crimes de colarinho-branco já caçaram roedores e fizeram faxina em complexo penal; transferidos para hospital penitenciário e sem ter o que fazer, gastam o tempo com dominó  

O maestro e sua orquestra – andamento lento e músicos desafinados

Governo se julga no direito de “filtrar” projetos incentivados com verba pública, mas filtrar é eufemismo para censurar

Quando a violência vem de quem deveria proteger

Quatro meninas são estupradas por hora, a maior parte dentro de casa, e 17 pessoas são mortas pela polícia por dia, revelam dados do Anuário de Segurança Pública

“Poderia ter sido eu a morrer ali no ponto de ônibus”

Como a morte espreita a juventude negra no Rio de Janeiro, estado com maior taxa de homicídios em ações policiais

Léros Léros em Itaipu

Brasil se recusa a pagar prejuízo de US$ 54 milhões; presença de suplente do PSL em reuniões binacionais aumenta crise e atrapalha renegociação para 2023

Mais textos
1

Léros Léros em Itaipu

Brasil se recusa a pagar prejuízo de US$ 54 milhões; presença de suplente do PSL em reuniões binacionais aumenta crise e atrapalha renegociação para 2023

2

“Poderia ter sido eu a morrer ali no ponto de ônibus”

Como a morte espreita a juventude negra no Rio de Janeiro, estado com maior taxa de homicídios em ações policiais

3

Vítimas de Mariana cobram R$ 25 bi de mineradora BHP na Inglaterra

Juiz deve decidir em junho se vai julgar o processo, o maior em número de vítimas da história do Reino Unido

4

Presos da Lava Jato unidos contra os ratos e o tédio

Condenados por crimes de colarinho-branco já caçaram roedores e fizeram faxina em complexo penal; transferidos para hospital penitenciário e sem ter o que fazer, gastam o tempo com dominó  

6

A guerra contra o termômetro

Quando chegam más notícias sobre o desmatamento, os governos atacam o emissário

9

Bacurau – celebração da barbárie

Filme exalta de modo inquietante parceria entre povo desassistido e bandidos

10

Sem SUS, sem saída, sem vida

Sem dinheiro para pagar dívidas médicas nos Estados Unidos, idoso mata mulher e se suicida; tragédia amplia debate sobre acesso a sistema público de saúde