Igualdades

Tráfico em tempos de pandemia

Luigi Mazza, Marcos Amorozo e Renata Buono
19out2020_11h05

Embora a circulação de pessoas e mercadorias tenha diminuído por causa da pandemia, a quantidade de maconha apreendida pela polícia no Brasil mais do que dobrou em 2020. Até setembro, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, em média, 62,1 toneladas de maconha por mês. No ano passado, a média foi de 27 toneladas. Ao mesmo tempo, a apreensão de cocaína nas rodovias federais cresceu 25%. É um movimento que se encontra sobretudo nos estados que fazem fronteira com o Paraguai: juntos, Mato Grosso do Sul e Paraná responderam por 70% de todas as apreensões de droga. Segundo dados da ONU, o Brasil é hoje o quarto país com maior volume de apreensões de cocaína, volume esse que triplicou num intervalo de cinco anos. Em 2018, a quantidade de cocaína apreendida só no Porto de Santos foi o dobro do que na Argentina. O =igualdades faz um retrato das apreensões de droga no Brasil – e do que aconteceu com elas na pandemia.

A pandemia não parou a circulação de maconha no Brasil. De janeiro a setembro deste ano, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, em média, 62,1 toneladas por mês. É mais que o dobro do que em 2019, quando a média foi de 27 toneladas por mês.

A quantidade de cocaína apreendida pela PRF cresceu 25% em 2020. Até setembro, foram apreendidas, em média, 2,5 toneladas de cocaína por mês; em 2019, a média tinha sido de 2 toneladas por mês. Ao mesmo tempo, houve redução nas apreensões de cocaína pela Polícia Federal. De acordo com o Anuário 2020 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma das possíveis explicações para esse fato é a de que, com os aeroportos paralisados na pandemia, com baixíssima oferta de voos, o tráfico se viu forçado a usar rotas terrestres para escoar a produção de drogas.

Localizados na fronteira com o Paraguai, os estados do Mato Grosso do Sul e Paraná concentram 70% de todo o volume de maconha e cocaína apreendido no Brasil. A cada 100 toneladas de maconha e cocaína apreendidas em 2020, 39 foram no Mato Grosso do Sul e 31 no Paraná. As outras toneladas se espalham pelos demais estados.

As apreensões de cocaína triplicaram de tamanho no Brasil em cinco anos. Em 2014, a Polícia Federal apreendeu 33,9 toneladas de cocaína no país. O volume cresceu de forma significativa nos anos seguintes, chegando à marca de 104,6 toneladas em 2019.

No ranking mundial, o Brasil é o quarto país com maior apreensão de cocaína do mundo, segundo dados da ONU. A cada 100 toneladas de cocaína apreendidas em 2018, 6 eram brasileiras. A Colômbia lidera a lista com folga, com 34,7 toneladas a cada 100, seguida por Estados Unidos (19,3 toneladas) e Equador (6 toneladas).

O Porto de Santos, o maior do país, é também o que mais movimenta drogas. Em 2018, a Polícia Federal apreendeu ali 23,8 toneladas de cocaína – praticamente o dobro de toda a cocaína que foi apreendida na Argentina (12 toneladas, em 2018).

Os portos desempenham papel central na rota do tráfico internacional de drogas que passa pelo Brasil. Das drogas que saem daqui, a imensa maioria tem como destino a Europa. Em 2020, a cada 100 toneladas de cocaína apreendidas nos portos brasileiros, 35 seriam levadas para a Holanda; 25 iriam para a Bélgica; 23 iriam para outros países da Europa, como Alemanha, Itália e Espanha; e 17 toneladas iriam para outros continentes.

Fontes: Polícia Federal (PF); Polícia Rodoviária Federal (PRF); Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

Luigi Mazza (siga @LuigiMazzza no Twitter)

Repórter da piauí

Marcos Amorozo (siga @marcosamrz no Twitter)

Produtor do Foro de Teresina e repórter na piauí, é estudante da Universidade de Brasília (UnB)

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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