Igualdades

Tragédia amazônica

Luigi Mazza, Emily Almeida e Renata Buono
06jan2020_07h00

Num intervalo de doze meses, de agosto de 2018 a julho de 2019, a Amazônia perdeu quase 10 mil km² de floresta – a maior taxa de desmatamento da década. E a tragédia ainda está em curso, ao que indicam os dados compilados pelo Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. De agosto a outubro de 2019, o sistema DETER (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) alertou para mais 3,7 mil km² de floresta desmatada – área equivalente a quase cinco cidades de Nova York. É o dobro do que foi registrado nesse mesmo período de 2018. No caso do Pará, estado que lidera com folga o ranking do desflorestamento, a área devastada triplicou de tamanho nesse intervalo de tempo. O =igualdades desta semana explica o tamanho da tragédia ambiental da Amazônia.

As multas aplicadas pelo Ibama por crimes contra a flora na Amazônia Legal vêm caindo desde 2016. Naquele ano, foi aplicada uma média de 449 multas por mês. Em 2019, até outubro, essa média foi de 263 multas por mês – quase a metade.

A taxa de desmatamento na Amazônia entre agosto de 2018 e julho de 2019 foi a maior da última década para esse mesmo período. Foram desmatados 9,7 mil km² de floresta. Para cada 7 árvores cortadas em 2009, foram cortadas 9 em 2019.

A área da Amazônia que foi desmatada entre 2018 e 2019 (9,7 mil km²) corresponde ao tamanho de quase 8 cidades do Rio de Janeiro.

A cada 10 árvores derrubadas na Floresta Amazônica entre 2018 e 2019, 4 foram no Pará, 2 no Mato Grosso, 1 no Amazonas, 1 em Rondônia, e 2 nos demais estados da Amazônia Legal (Acre, Roraima, Maranhão, Tocantins e Amapá).

O estado onde o desmatamento mais cresceu proporcionalmente foi Roraima. Para cada árvore derrubada no estado entre 2017 e 2018, três foram derrubadas entre 2018 e 2019. Ou seja, a taxa de desmatamento triplicou.

Para cada árvore derrubada em terras indígenas na Amazônia, 9 árvores foram derrubadas em florestas públicas não designadas ou sem informação – o que sinaliza um predomínio das atividades de grilagem na taxa de desmatamento.

Os alertas de desmatamento do sistema DETER (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) indicam que o desmatamento continuou a crescer em agosto, setembro e outubro de 2019. Nesses três meses, foram detectados 3,7 mil km² de desmate na Amazônia – o equivalente, em área, a quase 5 cidades de Nova York.

Os alertas de desmatamento nos últimos meses mostram também um aumento na comparação anual. Para cada km² de floresta desmatado entre agosto e outubro de 2018, foram desmatados 2 km² nesse mesmo período de 2019.

No Pará, os alertas de desmatamento nos últimos meses cresceram acima da média. Em agosto, setembro e outubro de 2019, foram desmatados 1.604 km² de floresta no estado – o triplo do que havia sido registrado nesse mesmo período de 2018 (529 km²).

Fontes: Inpe; Ipam; Imazon.

Luigi Mazza (siga @LuigiMazzza no Twitter)

Repórter da piauí, produtor da rádio piauí e diretor do podcast Foro de Teresina

Emily Almeida (siga @emilycfalmeida no Twitter)

Repórter da piauí

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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