Tupi or not Tupi… a questão é climática

A jornada que transformou vastas áreas da América do Sul em domínio quase absoluto dos povos Tupi-Guarani provavelmente foi impulsionada por uma fase de alterações climáticas e ambientais entre 3 000 e 2 000 anos atrás, aponta um novo estudo. Nesse período, o aumento da umidade no território sul-americano, segundo a pesquisa, favoreceu a expansão de florestas tropicais, justamente o ambiente onde os Tupi-Guarani (um grupo originário das matas do sudoeste da Amazônia) surgiram como etnia.

O estudo, publicado por uma equipe internacional de pesquisadores na revista científica The Holocene, é mais um exemplo de como a arqueologia tem levado a uma espécie de inversão de papéis da região amazônica, ao menos do ponto de vista pré-histórico. Hoje uma das áreas mais esparsamente povoadas do continente, a Amazônia guarda muitas pistas de ter sido, no passado, um núcleo dinâmico de crescimento populacional e complexidade social e política, que “exportava” sua cultura a outros pontos da América do Sul. “Quando os europeus chegaram aqui, talvez fizesse mais sentido pensar no Sudeste ou no Nordeste como regiões periféricas, e não centrais, se comparadas à Amazônia”, disse o arqueólogo Eduardo Góes Neves, da USP, que não participou da nova pesquisa, mas é um dos principais estudiosos do passado amazônico no mundo.