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Um ano de histórias cabeludas

    Francisco Schertel Mendes, filho do ministro do STF Gilmar Mendes, e Ednal­do Rodrigues, ex-presidente da CBF CRÉDITO: DIVULGAÇÃO_JOILSON MARCONNE_CBF_2023

retrospectiva

Um ano de histórias cabeludas

Desmandos na CBF, corrupção no STJ, estranhos negócios do Banco Master e outros escândalos que passaram pelas páginas da piauí em 2025

| 29 dez 2025_09h01
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Em 2025, reportagens do site e da revista piauí desvendaram casos de assédio sexual, lavagem de dinheiro, fraudes bilionárias, corrupção no Judiciário, contrabando de ouro, o paradeiro de uma deputada foragida – a lista é longa. Abaixo, uma retrospectiva para colocar as leituras em dia neste fim de ano.

Em janeiro, a reportagem O bonde do tigrinho contou como influenciadores ganharam fortunas e ajudaram as bets a produzir a pandemia do vício no Brasil. A piauí revelou, entre outras coisas, a existência do chamado “cachê da desgraça alheia” – um tipo de contrato em que o influenciador, ao divulgar a bet, é remunerado com um percentual do dinheiro que o apostador perder. Ou seja: quanto mais o usuário perde, mais o influenciador ganha. Muitas pessoas acumularam, com o passar do tempo, dívidas impagáveis.

Em março, a reportagem Estilhaços na sala reconstituiu o escândalo sexual que derrubou o ministro Sílvio Almeida. À frente do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Almeida chegou ao governo em janeiro de 2023 a bordo das melhores expectativas. Seu nome aparecia até mesmo nas listas de cotados para o STF. Em 2024, porém, começaram a despontar na imprensa relatos de que ele havia assediado sexualmente Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial. Depois outras acusações vieram à tona, e Almeida acabou demitido em setembro daquele ano. A reportagem da piauí ouviu 39 pessoas durante quatro meses, em Brasília e São Paulo, e contou em detalhes o que aconteceu.

Silvio Almeida e Anielle Franco

 

Em abril, a piauí fez uma radiografia da gestão de Ednaldo Rodrigues na CBF. Encontrou um festival de mordomias, salários turbinados, conflitos de interesses e uma bagunça administrativa. Poucas semanas depois da publicação da reportagem, Ednaldo foi afastado do cargo por decisão da Justiça do Rio de Janeiro, em meio a uma disputa interna por poder que envolvia figurões do Judiciário.

Também em abril, a piauí contou a história da escritora Helena Lahis, internada contra a própria vontade numa clínica psiquiátrica no Rio. A internação teve a participação de seu ex-marido, de quem ela estava se separando. Lahis ficou retida durante 21 dias e nunca se recuperou do trauma.

O escândalo das fraudes do INSS, um dos grandes assuntos do ano, foi tema de uma reportagem extensa em julho. Ela mostrou que governo e oposição, que se acusavam mutuamente por ter permitido a roubalheira, estavam ambos certos: o esquema de desvio de aposentadorias foi uma obra conjunta, realizada ao longo de anos. Começou no governo Temer, se consolidou no governo Bolsonaro e decolou de vez no governo Lula.

Ainda em julho, a piauí revelou as relações de empresários de casas de apostas com políticos, juízes, artistas e bicheiros. Mostrou, por exemplo, uma viagem que o senador Ciro Nogueira – integrante da CPI das Bets – fez a Mônaco em um jatinho do empresário Fernandin OIG, dono das empresas de apostas 7 Games Bet, R7 Bet e Betão Bet.

Ciro Nogueira ao lado de Hugo Motta e outros parlamentares

 

No mesmo mês, a revista revelou um estranho negócio do Banco Master, envolvendo um terreno que valorizou 11 mil % em 36 dias e era usado pela instituição como garantia de um empréstimo milionário. A essas estranhezas, já se somavam outras. Em setembro, finalmente, o Banco Central recusou a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), alegando que os riscos eram grandes demais. A transação mexia com interesses políticos graúdos, como também contou a piauí.

Julho foi um mês agitado. Enquanto acontecia tudo isso, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) estava foragida, depois de ser condenada pelo STF a dez anos de prisão por ter contratado um hacker para invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela foi presa no dia 29, em Roma. A piauí foi o primeiro veículo a noticiar sua prisão e, pouco depois, revelou os três esconderijos usados pela deputada em sua fuga pela Itália.

Uma reportagem publicada em agosto contou a história de Brubeyk Garcia Nascimento, um goiano de 38 anos com uma trajetória peculiar: começou a carreira vendendo biscoito de polvilho e se tornou, segundo a Polícia Federal, um dos maiores contrabandistas de ouro da história recente do Brasil. Também em agosto, a piauí revelou que o médico Paulo Augusto Berchielli, apesar de condenado a doze anos de prisão por estupro de vulnerável, continuava livre para clinicar em São Paulo enquanto aguardava a análise de um recurso.

Em setembro, uma reportagem da piauí trouxe informações inéditas sobre o esquema de lavagem de dinheiro do PCC na Faria Lima – uma estrutura que, segundo a PF, movimentou mais de 100 bilhões de reais em cinco anos. Em outubro, a piauí revelou a história de mulheres que relatavam terem sofrido investidas sexuais de Ruben Gerardo Sternschein, o rabino sênior da Congregação Israelita Paulista. Ele foi demitido em dezembro.

Em novembro, a revista entrou de cabeça na investigação sobre venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ), um caso delicado que abalou Brasília e ainda está em curso. Antes disso, em março, a piauí já havia revelado os diálogos e milhões de reais que levaram a PF a indiciar juízes e desembargadores do Maranhão, todos sob a mesma suspeita: venda de sentenças.

Nelma Sarney Costa, uma das desembargadoras indiciadas no Maranhão

 

No mês de dezembro, a piauí mostrou que modelos estão acusando de assédio sexual um agente e um prestigiado maquiador. Revelou também que Roberto Leme, mais conhecido como Beto Louco, e seu sócio Mohamad Hussein Mourad, ambos investigados por fraudes no setor de combustíveis, ofereceram à Procuradoria-Geral da República uma delação inflamável. Eles relataram, entre outras coisas, que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), lhes pediu 2,5 milhões de reais para bancar um show de Roberto Carlos em Macapá. Os desdobramentos dessa história ficarão para 2026.

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