Igualdades

Vá plantar cebolas

Amanda Gorziza e Renata Buono
31maio2021_10h36

Vodca ou batatas? Arroz ou um iPhone? Para o consumidor brasileiro, o preço do telefone da Apple paga nada menos que 1.222 kg de arroz – nos Estados Unidos, o telefone custa menos, US$ 829, e paga apenas 229 kg de arroz. Pela segunda vez, o =igualdades ilustra o peso das escolhas dos consumidores em vários países com base em dados do site GlobalProductPrices.com, que rastreia os preços de varejo dos mais variados produtos. Os resultados mostram que, se os eletrônicos são caros por aqui, os preços de alimentos em geral são mais baixos. A exceção é a cebola, que no Brasil custa 38% acima da média global. É de chorar – duas vezes.

Os produtos eletrônicos têm preços elevados no Brasil. Aqui, o preço de um iPhone 12 é  US$ 1.491,49, o quarto mais alto entre os 84 países pesquisados. Com esse valor, um brasileiro compra 1.222 kg de arroz. Já nos Estados Unidos, que têm o preço mais baixo do celular da Apple, compram-se cerca de 229 kg de arroz com o valor do telefone.

Bebidas alcoólicas saem bem mais barato no Brasil. Uma vodca Smirnoff custa US$ 4,08 – o preço mais baixo entre os 77 países pesquisados. Com esse dinheiro, é possível comprar 3,3 kg de batata. Já na Rússia, a mesma vodca custa US$ 15,05, e esse valor compra 26,4 kg de batata.

Uma garrafa de Heineken de 500 ml no Brasil compra 0,6 kg de banana. A cerveja tem o preço 44% abaixo da média global. Na China, onde o valor é 23% maior que a média, é possível comprar 2,6 kg da fruta.

O cigarro no Brasil também é barato. Uma caixa vermelha de Marlboro custa o equivalente a US$ 2,33 – dinheiro que compra três garrafas de 300 ml de Coca-Cola. No Japão, o mesmo cigarro custa 16% acima da média dos 52 países pesquisados, US$ 7,34. Um japonês compra dez Coca-Colas com o valor.

O preço do quilo da carne bovina no Brasil custa 31,5% menos em relação à média entre 94 países pesquisados. Pelo preço de 1 kg da carne no Brasil, US$ 9,29, é possível adquirir 3,8 litros de óleo de cozinha. Na Noruega, onde o quilo de carne custa US$ 38,34 e está mais de 180% acima da média global, compram-se 12,3 litros de óleo.

Em geral, o Brasil tem preços de alimentos mais baixos. Uma das exceções é a cebola, que custa 38% acima da média global. Com o que paga por 1 kg desse legume, US$ 1,89, um brasileiro compra 2,9 kg de açúcar. Na Índia, onde o quilo de cebola custa US$ 0,48, com esse dinheiro não dá para comprar nem 1 kg de açúcar.

Eletrônicos são muito caros no Brasil – e ainda mais caros na Argentina. Um MacBook Pro de 13 polegadas custa US$ 3.384 no país vizinho. Com esse valor, um argentino compra 525 kg de carne bovina. No Brasil, o computador da Apple também custa caro, US$ 1.957, mas compra a metade de carne, 211 kg.

*Nota metodológica: o preço dos produtos pode variar em função da taxa de conversão para o dólar norte-americano; aqui foi usada a conversão pelo dia 25 de maio. 

Fonte: GlobalProductPrices.com

Amanda Gorziza (siga @amandalcgorziza no Twitter)

Estagiária de jornalismo na piauí

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

leia mais

Últimas Mais Lidas

Até cem anos de proteção a Pazuello e cinco para quem denunciou milícia no Rio

Justificativa foi de que documentos continham informação pessoal; o de Pazuello ganhou sigilo de um século, e as cartas, de cinco anos

O padre, o filho e a pensão alimentícia

Justiça manda religioso pagar três salários mínimos mensais a ex-fiel que diz ter tido um romance e um filho com ele; o padre nega

Pela simplificação dos planos diretores

Legislação complicada e genérica precisa ser substituída por outra capaz de ser entendida pela população

O encalhe de Pantanal e Dona Beija

Acervo com mais de 25 mil fitas da Rede Manchete vai a leilão, mas não atrai nenhum comprador

Foro de Teresina #154: Boom, bola e bolso

O podcast de política da piauí discute os principais fatos da semana

Dias de alívio e de pranto

Vestibulanda relata angústia de ver sua avó, vacinada, se recuperar da Covid, enquanto um amigo chorava a morte do pai, sem vacina

Mais textos