anais do crime

A guerra do PCC

Facção se internacionaliza com tráfico de cocaína, e pela primeira vez Marcola vê seu poder ameaçado

Allan de Abreu
“Toda organização criminosa do mundo passa por reciclagem em sua liderança. Chegou a hora do Primeiro Comando da Capital”, diz o promotor Lincoln Gakiya. O assassinato em fevereiro de Gegê do Mangue, número dois do PCC, desencadeou uma crise sem precedentes na cúpula da facção
“Toda organização criminosa do mundo passa por reciclagem em sua liderança. Chegou a hora do Primeiro Comando da Capital”, diz o promotor Lincoln Gakiya. O assassinato em fevereiro de Gegê do Mangue, número dois do PCC, desencadeou uma crise sem precedentes na cúpula da facção ILUSTRAÇÃO: PEDRO FRANZ_2018

O carro parou no acostamento da rodovia entre Guarujá e Cubatão, na Baixada Santista, no local previamente combinado, bem ao lado da ponte sobre o rio Diana, que nasce na Serra do Mar e deságua no canal do porto de Santos. Eram três e vinte da madrugada de 18 de agosto de 2017, uma sexta-feira. Logo o motorista viu quatro vultos se aproximarem na escuridão. Ele desceu do carro, abriu o porta-malas e começou a retirar as bolsas de viagem. Dezesseis no total. Cada uma armazenava vários tabletes prensados, do tamanho de um tijolo, contendo cocaína. Somavam 273 quilos. O grau de pureza da droga era elevadíssimo – 97%. Os cinco pegaram as malas e rumaram a passos ligeiros para o mangue que margeia o rio. Com o auxílio de faroletes, chegaram a uma voadeira à beira d’água. Era um barco pequeno, com casco de alumínio, ágil e veloz, ideal para aquela missão. O jovem motorista voltou para o carro, enquanto os outros quatro entravam na embarcação. O céu limpo e a ausência de ventos fortes prenunciavam o sucesso da empreitada. Em poucos minutos a voadeira alcançava o canal do porto de Santos.

Horas antes, ainda na noite da véspera, 17 de agosto, um agente da Polícia Federal, com o uniforme de uma das empresas que trabalham no porto, atravessou o cais, misturado a centenas de estivadores, e escalou os degraus de um dos guindastes que se espalham pelo canal, como se fossem gigantescas patas de aranha. Subiu a uma altura de 80 metros do nível do mar, o equivalente a um edifício de 26 andares. Então abriu a bolsa que carregava a tiracolo e pegou um binóculo de uso noturno e as peças de um fuzil calibre 762, que começou a montar metodicamente. Do alto do portêiner, ele tinha uma visão privilegiada do canal e, sobretudo, do navio cargueiro ancorado mais à frente. Era ele que iria levar à Europa a cocaína que os quatro membros do Primeiro Comando da Capital, o PCC, trariam por mar dali a algumas horas.

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Allan de Abreu

Repórter da piauí, é autor do livro Cocaína: a Rota Caipira, da editora Record

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