É mais reconfortante para um paciente operado de câncer de próstata crer que sua vida foi salva pela medicina do que pensar que sua impotência sexual se deve a um exame desnecessário
Ver dados da foto É mais reconfortante para um paciente operado de câncer de próstata crer que sua vida foi salva pela medicina do que pensar que sua impotência sexual se deve a um exame desnecessário IMAGEM: HULTON ARCHIVE_GETTY IMAGES

Novembro cinza

O rastreamento do câncer de próstata na berlinda
Olavo Amaral 
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É mais reconfortante para um paciente operado de câncer de próstata crer que sua vida foi salva pela medicina do que pensar que sua impotência sexual se deve a um exame desnecessário IMAGEM: HULTON ARCHIVE_GETTY IMAGES

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São onze da manhã de uma terça-feira de novembro de 2016, e André Di Paulo se prepara para entrar em cena. Do lado de fora da academia Bio Ritmo, no terraço do Conjunto Nacional, em São Paulo, ele tira de um saco plástico um bigode preto gigante, de mais de 2 metros de envergadura. Veste o adereço, que esconde seu rosto e os braços e deixa à mostra apenas as pernas, pequenas e frágeis se comparadas às dimensões da fantasia.

O ator ingressa no café da academia, e em segundos um homem com pinta de gerente aparece e chama a equipe de funcionários para uma foto. A duras penas, dada a incompatibilidade do traje com a largura das passagens, Bigode visita as salas da academia, cujos aparelhos estão na maior parte ociosos nessa hora ingrata para as classes trabalhadoras. À sua frente, Itaciara Monteiro, funcionária do Instituto Lado a Lado pela Vida, distribui panfletos para mulheres que fazem abdominais e semeia palavras sobre “prevenção da saúde do homem”. Na sala de musculação, as funcionárias vibram ao deparar com um bigodudo de verdade, que se vê impelido a posar ao lado do irmão maior.

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