Igualdades

A doença que mais mata

Camille Lichotti e Renata Buono
29jun2020_11h29

Os dados de hospitalizações mostram que a Covid-19 está muito longe de ser uma gripezinha, como afirmou o presidente Jair Bolsonaro. Em todo o país, para cada paciente hospitalizado com síndrome respiratória aguda causada pelos vírus influenza – de doenças gripais mais comuns –, 56 pacientes foram hospitalizados com síndrome respiratória aguda de Covid-19. Na cidade de São Paulo, a cada 100 pessoas hospitalizadas por Covid-19, 24 morreram. Em Porto Alegre, 1 em cada 3 pessoas que precisaram ser intubadas durante a internação por Covid-19 morreram. Na capital paulista, a doença causada pelo novo coronavírus já se tornou a principal causa natural de morte e fez mais vítimas que todos os tipos de câncer somados: a cada 100 pessoas que morreram de câncer em 2020, 104 morreram por Covid-19. Nesta semana, o =igualdades mostra os efeitos mortais da Covid-19. 

No Brasil, 90.771 pessoas foram hospitalizadas com Síndrome Respiratória Aguda Grave causada pelo novo coronavírus até o dia 21 de junho*. No mesmo período, 1.624 pessoas foram internadas por conta dos vírus Influenza. Para cada paciente hospitalizado pelos vírus Influenza, 56 foram hospitalizados por Covid-19.

Em todo o Brasil, até o dia 21 de junho, 90.771 pessoas foram internadas com síndrome respiratória aguda causada pela Covid-19*. Dessas, 31.510 morreram. Ou seja, 1 em cada 3 brasileiros hospitalizados com SRAG/Covid-19 morreu.

Na cidade de São Paulo, 22.915 pessoas foram internadas com síndrome respiratória aguda causada pela Covid-19. Dessas, 5.667 morreram até dia 15 de junho. Ao mesmo tempo, 169 pessoas foram internadas com problemas respiratórios por conta dos vírus Influenza – 11 pacientes morreram. Na capital paulista, a cada 20 internados por Covid-19, 5 morreram. Para os vírus Influenza, a cada 20 internados, 1 morreu. 



Em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, 463 pacientes com problemas respiratórios causados pela Covid-19 foram hospitalizados e 105 precisaram ser intubados. Desses, 39 morreram – cerca de um terço dos pacientes que passaram pela intubação. Na cidade, a cada 100 internados por Covid-19, 23 precisaram ser intubados; entre os intubados, um de cada três morreu.  

Na cidade de São Paulo, a Covid-19 já é a principal causa de morte natural – ou seja, com exceção das causas externas, por acidentes e violência. A doença já matou mais que todos os tipos de câncer somados: até 17 de junho, 6.145 pessoas morreram por Covid-19 na capital paulista. No mesmo período, todos os tipos de câncer mataram 5.891 pessoas. Ou seja, para cada 100 pessoas que morreram de câncer em SP, 104 morreram de Covid-19.

Na capital paulista, 542 mulheres morreram de câncer de mama até dia 17 de junho. Nesse período, 2.627 mulheres tiveram morte confirmada por Covid-19. Ou seja, para cada mulher que morreu de câncer de mama em 2020, 5 morreram por Covid-19.

Em São Paulo, 282 homens morreram por câncer de próstata até dia 17 de junho. Nesse período, 3.517 homens tiveram a morte confirmada por Covid-19.  Ou seja, para cada homem que morreu por câncer de próstata em 2020, 12 morreram de Covid-19

Os efeitos mortais da Covid-19 doença são mais visíveis entre as parcelas mais pobres da sociedade. Na capital paulista, até o dia 17 de junho, a doença matou 785 pessoas com 12 anos ou mais de estudo; entre pessoas com até três anos de estudo, houve 2.096 mortes, ou seja, o dobro.

Em São Paulo, 4.853 pessoas que moravam em áreas de exclusão morreram por Covid-19. Nas áreas de inclusão morreram 842. Essa divisão, apresentada pela prefeitura de São Paulo, leva em conta indicadores de autonomia, qualidade de vida, desenvolvimento humano e equidade nos diferentes territórios da cidade. De cada 100 pessoas que morreram por Covid-19 e têm o local de moradia indicado, 85 moravam em áreas de exclusão.

*Nota metodológica: Para os dados do Infogripe foram considerados os casos de síndrome respiratória aguda de Covid-19 e influenza que atendiam aos critérios de sintomas, segundo a definição de SRAG sugerida pelo Ministério da Saúde em função de casos sem presença de febre. Os critérios são tosse ou dor de garganta; dispneia ou saturação de oxigênio < 95% ou dificuldade respiratória; internação ou óbito.

Fontes: Infogripe; Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM/PRO-AIM; CEInfo, SIVEP GRIPE/DVE/COVISA, Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo; SINAN/DVE/CEVS/Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul. Todos os dados foram coletados dia 25 de junho.

 

 

Camille Lichotti (siga @camillelichotti no Twitter)

Estagiária de jornalismo na piauí

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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