questões eleitorais

#EleNão supera #EleSim nas redes

Atos contra Bolsonaro despertam seis vezes mais curiosidade no Google do que as manifestações a favor do ex-capitão

Marcella Ramos
01out2018_21h25
ILUSTRAÇÃO: PAULA CARDSO

No fim de semana, para cada busca por “ele sim” no Google, seis foram por “ele não”. Para cada post a favor de Jair Bolsonaro em páginas do Facebook, quatro foram feitos em oposição ao candidato. E para cada tuíte de apoio durante os atos pelo país a favor do presidenciável do PSL no domingo, com menções a #EleSim, cerca de dois posts de oposição foram feitos na tarde deste sábado, quando as manifestações pelo #EleNão levaram milhares às ruas das cidades de 26 estados e do Distrito Federal para protestar contra Bolsonaro.

Entre as 16 horas de sábado e as 16 horas desta segunda-feira, os termos “ele não” foram buscados 71% mais vezes do que “ele sim” no Google. As principais consultas relacionadas aos dois termos foram referentes a manifestações ou a figuras que se posicionaram na discussão, como as cantoras Anitta e Daniela Mercury. Quando se analisam os volumes de buscas por termos mais abrangentes, a diferença de interesse é menor do que nas pesquisas pelos termos das hashtags. Somadas, as consultas que se identificam com o #EleNão, como “Contra Bolsonaro” e “Protesto Bolsonaro”, representam 52% das buscas, enquanto as pesquisas próximas do #EleSim – “Pró Bolsonaro”, “A favor de Bolsonaro” e “Carreata Bolsonaro” – foram 48% das pesquisas na amostra.

O apoio ao movimento contra o capitão da reserva é perceptível na internet. Embora Bolsonaro seja o candidato à Presidência mais bem posicionado nas redes nesta campanha, sua base de apoio se mostrou muito inferior à quantidade de perfis com posicionamento político definido que se unem contra o candidato. Um levantamento feito pela Diretoria de Análises de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP-FGV) mostra que no último fim de semana, a discussão política no Twitter foi formada 42% por perfis que se unem contra o candidato. O pico do movimento #EleNão na rede foi na tarde de sábado, quando chegou a 2,5 mil postagens diferentes por minuto contra Bolsonaro. Ao todo, foram mais de 1,4 milhão de menções aos atos. O debate a favor do candidato foi mais frequente no domingo, mas o auge de incidência foi de 1,4 mil postagens por minuto. Ao todo, foram 1 milhão de menções de apoio ao candidato. Desde o início da corrida eleitoral, segundo a DAPP, o grupo com maior presença nos debates nas redes era de perfis que não defendiam, necessariamente, algum candidato, mas que se uniam contra Bolsonaro.

Na ferramenta CrowdTangle, do Facebook, que analisa postagens de páginas e grupos públicos, #EleNão aparece em 12 mil posts. Já as menções ao #EleSim são pouco mais de 3 mil nos últimos sete dias. Nos dois lados, as principais publicações foram transmissões ao vivo de atos que aconteceram no sábado. Do lado do #EleNão, foi a Mídia Ninja que mais bombou com a transmissão do ato contra Bolsonaro que aconteceu em Belo Horizonte. O vídeo foi visto mais de 2 milhões de vezes e teve, ao todo, 228 mil interações, levando em consideração reações, compartilhamentos e comentários. Do lado do #EleSim, a publicação mais popular foi a transmissão ao vivo do ato pró-Bolsonaro em Copacabana, no Rio de Janeiro, no sábado. O conteúdo foi visto mais de 1 milhão de vezes e teve 162 mil interações.

No segundo post mais comentado tanto do #EleNão quanto do #EleSim, o conteúdo foi crítico à hashtag mencionada. Do lado da campanha contra Bolsonaro, o youtuber Maurício Küster chamou atenção com um vídeo humorístico em que diz que quem compartilha a hashtag só deixa Bolsonaro mais popular. O vídeo recebeu 236 mil interações, a maior parte delas de pessoas que apoiam o candidato. Do lado do #EleSim, o humorista Fábio Porchat postou um vídeo em que usou a hashtag na legenda, mas estava divulgando o apoio ao movimento contra o candidato. A postagem teve 147 mil interações.

Marcella Ramos (siga @marcellamrrr no Twitter)

Repórter e coordenadora de checagem da piauí

Leia também

Relacionadas Últimas

Um protesto histórico, menos na tevê

Ao reunir dezenas de milhares, #EleNão provoca maior manifestação liderada só por mulheres no Brasil mas é quase ignorado na tevê

Mitificação de Eduardo, demonização da esquerda

Em evento bolsonarista, filho do presidente e ministros apresentam rivais como mal radical, em sintoma da deterioração democrática no país

Moro em queda livre

Ministro e seu pacote anticrime perdem espaço no governo, no TCU e no Twitter

Foro de Teresina #72: Bolsonaro contra o PSL, o governo contra a imprensa, e o Sínodo pela Amazônia

O podcast de política da piauí comenta os principais fatos da semana

Entre a cruz e a motosserra

Na Amazônia profunda, missionária católica enfrenta a falta de padres, os pastores evangélicos e o desmatamento, enquanto papa faz Sínodo sobre a região

O retorno da audácia à Nicarágua

Estudante que desafiou Daniel Ortega volta do autoexílio para retomar resistência ao regime

Frans Krajcberg – dignidade e revolta

Documentário faz reviver inconformismo do artista diante da destruição ambiental brasileira 

Extra: Foro de Teresina especial no Festival Piauí de Jornalismo

Programa gravado ao vivo em São Paulo já está disponível

Perseguido na Nicarágua, jornalismo independente sobrevive no exílio

Da Costa Rica, Carlos Fernando Chamorro comanda veículo que critica governo totalitário de Daniel Ortega e cobra eleições livres

Na Rússia de Putin, falar mal de Putin é proibido

Preso injustamente, repórter russo foi libertado graças à pressão da sociedade civil

Mais textos
2

Fala grossa e salto fino

As façanhas de Joice Hasselmann, do rádio ao Congresso

3

Entre a cruz e a motosserra

Na Amazônia profunda, missionária católica enfrenta a falta de padres, os pastores evangélicos e o desmatamento, enquanto papa faz Sínodo sobre a região

4

Letra preta

Os negros na imprensa brasileira

5

Rodrigo Maia: um olho nos Bolsonaros, o outro em 2022

Presidente da Câmara diz que Temer operou impeachment de Dilma e que, se quisesse ser presidente a qualquer custo, teria sido em 2017

8

Foro de Teresina #72: Bolsonaro contra o PSL, o governo contra a imprensa, e o Sínodo pela Amazônia

O podcast de política da piauí comenta os principais fatos da semana

10

Quando mídia, ciência e universidade viram “inimigos”

Jornalista Jane Mayer aponta estratégias para reagir aos ataques de Trump à imprensa americana