humor e podcast

Entre gargalhadas, cotidiano e estratégia: os podcasts de humor

Linguagem politicamente incorreta e medo da repetição estão entre as preocupações dos realizadores 

17ago2019_17h53
Mauricio Cid, Samir Duarte e o mediador Dan Stulbach
Mauricio Cid, Samir Duarte e o mediador Dan Stulbach FOTO: MARCELO SARAIVA

O ônibus, o sexo, a internet, a roupa, a militância das cenas da vida cotidiana, pouco escapa ao radar atento de Mauricio Cid e Samir Duarte, apresentadores de podcasts de humor e participantes da quarta mesa da 2ª Maratona Piauí CBN de Podcast, realizada neste sábado em São Paulo. Com mediação do ator Dan Stulbach, também comentarista da CBN, a mesa levou às gargalhadas a plateia do auditório da ESPM, na Vila Mariana. Mas os convidados deixaram claro que criatividade não basta para garantir a vida de um podcast de humor, e a estratégia conta.

Cid é o humorista e empresário é a figura por trás de quase trinta blogs, programas no YouTube e podcasts da marca Não Salvo. O primeiro podcast criado por ele foi o Não Ouvo. Sob esse guarda-chuva, surgiram outros três, também humorísticos. Juntos, constituem uma série que disponibiliza novos episódios nos tocadores de segunda a quinta-feira, cada dia com um podcast diferente. Atualmente, o Não Ouvo é o segundo podcast mais escutado no Brasil, de acordo com a última PodPesquisa. O medo de se repetir, em comparação com outros programas, é uma preocupação constante, mas Cid confia no humor como ferramenta de diálogo.

“Eu gosto de contar uma boa história. Eu fazia vários podcasts, para outras pessoas, aí resolvi fazer também”, contou Cid. Ele considera que o brasileiro tem uma pegada humorística muito forte, e é até de estranhar que os podcasts de humor tenham demorado a ganhar mercado.

Com frequência, o podcast Um Milkshake Chamado Wanda conta com convidados para falar dos assuntos mais comentados nas redes sociais, estratégia que provocou forte engajamento dos ouvintes. Wanda foi eleito o podcast do ano pela MTV e o quinto mais mencionado no Twitter em 2018, com cerca de 700 mil downloads a cada episódio. Duarte afirmou que o programa, iniciado no improviso, aos poucos foi se profissionalizando: tem roteiro fixo e anunciantes.  



“Experiência, vivência e tragédia”, resumiu Duarte sobre o que atrai seu ouvinte, ainda que, num podcast de humor, o sentido de tragédia varie de uma situação para outra. Um dos episódios mais comentados do Wanda, segundo ele, foi o de uma jovem que alugou uma casa mobiliada para um Carnaval e, ao chegar lá, encontrou apenas um lugar vazio, com alguns colchões e um freezer com sorvete.

Outra preocupação de Duarte é evitar a linguagem politicamente incorreta e qualquer forma de preconceito. “A gente aprende muito. Existem termos que a gente usava, mas não usa mais. Por a gente ter essa veia de militância, as pessoas cobram isso de nós”, contou Duarte. “É uma mão no joelho e outra na consciência.”

Cid afirmou que, em seus podcasts, esse tipo de preocupação é bem menor. Por outro lado, disse entender que o humor pode contribuir para ajudar a discutir temas tabu, como doenças sexualmente transmissíveis. “Num episódio, teve um cara que tinha todas as doenças, deu detalhes, contou de doenças que eu nunca nem imaginei. A gente até recebeu mensagem do Ministério da Saúde elogiando, dizendo que, com humor, a gente tinha abordado um tema muito importante”, contou.

 

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