Igualdades

Governo Bolsonaro no fogo do Twitter

Luigi Mazza, Amanda Rossi e Renata Buono
16set2019_08h12

Em agosto, as queimadas na Amazônia também incendiaram o Twitter. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi citado mais de 900 mil vezes na rede – tornando-se o terceiro bolsonarista mais mencionado. Paralelamente, as novas mensagens vazadas da Operação Lava Jato puseram Deltan Dallagnol na boca dos tuiteiros. Com 1,5 milhão de citações, o procurador de Curitiba ultrapassou figuras importantes do bolsonarismo. O =igualdades  desta semana mostra a movimentação do governo no Twitter a partir de monitoramento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP-FGV).

A divulgação de novas conversas vazadas da Lava Jato voltou as atenções do Twitter para o procurador Deltan Dallagnol. Em agosto, ele foi mencionado 1,5 milhão de vezes na rede social. Com isso, ultrapassou Eduardo Bolsonaro e Ricardo Salles, prata e bronze do bolsonarismo no mês passado. À sua frente, apenas o ministro Sergio Moro, medalha de ouro no Twitter.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi queimado na fogueira do Twitter em agosto, mês em que eclodiu a crise dos incêndios na Amazônia. Foram 903 mil citações, cerca de cinco vezes o que tinha recebido no mês anterior (189 mil).

As queimadas colocaram Ricardo Salles no mesmo patamar de menções do deputado federal Eduardo Bolsonaro. O filho 03 de Bolsonaro é a segunda figura do governo que mais mobiliza o Twitter, com 1 milhão de menções em agosto. Eduardo ainda assoprou o fogo do debate, impulsionando uma hashtag de apoio ao ministro.

Ainda assim, nem Salles nem Eduardo Bolsonaro chegaram perto do patamar do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Em agosto, Moro foi citado 3,1 milhões de vezes no Twitter. Para alcançar o ex-juiz, seria preciso somar 2 Eduardos e 1 Salles.

Moro é, de longe, a figura mais popular do governo no Twitter desde fevereiro. Seu auge foi em junho, quando vazaram as primeiras conversas da Operação Lava Jato. Desde então, o ex-juiz está em queda. De 9,3 milhões de citações em junho, caiu para 6,3 milhões em julho e, por fim, 3,1 milhões em agosto.

No ranking do bolsonarismo no Twitter, a deputada federal Carla Zambelli (PSL) é a mulher mais bem colocada. Em agosto, seu nome circulou 886 mil vezes na rede. É um pouco mais que outro tuiteiro ativo do governo, o ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Paulo Guedes assumiu a Economia como superministro e foi encolhendo. Pelo menos no Twitter. Em abril, teve 1 milhão de menções na rede social. Em agosto, 351 mil. O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes teve o dobro de citações que Guedes no mês passado.

A primeira-dama Michelle Bolsonaro foi muito falada nas redes sociais em agosto, devido à divulgação do passado de sua família. Recebeu 274 mil menções no Twitter. Para cada 5 vezes em que Michelle foi lembrada, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, foi citado 3 vezes. Mourão vem perdendo importância na rede social desde o começo do ano.

Fonte: Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getulio Vargas.

Dados abertos: O documento que serviu de base para a reportagem pode ser acessado aqui.

Luigi Mazza (siga @LuigiMazzza no Twitter)

Repórter da piauí, produtor da rádio piauí e diretor do podcast Foro de Teresina

Amanda Rossi (siga @amanda_rossi no Twitter)

Jornalista, trabalhou na BBC, TV Globo e Estadão, e é autora do livro Moçambique, o Brasil é aqui

Renata Buono (siga @revistapiaui no Twitter)

Renata Buono é designer e diretora do estúdio BuonoDisegno

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