cartas

Um Fla x Flu de posições políticas, entre vaias e aplausos

É PAU, É PEDRA

A análise política de César Benjamin da nossa atual conjuntura (“É pau, é pedra, é o fim de um caminho”, piauí_103, abril) revela mais uma vez a clarividência do autor. Como um cirurgião competente, ele é capaz de identificar os males que levaram à doença de que o Brasil padece no momento. Assim como fez em Bom Combate (livro reunindo artigos do autor, de 2004) ao perceber os desvios dos ideais do PT logo no início do primeiro mandato de Lula.

Seus pontos de vista fazem falta na pauta política da nossa imprensa, focada nos esquemas de corrupção que, embora devam ser revelados e desmantelados, não dão conta de tudo. Constatamos com Benjamin que o buraco é mais embaixo.
BETH OLINTO_RIO DE JANEIRO/RJ

 

Depois de ler as reportagens de Claudia Antunes (“Tea Party à brasileira”, piauí_103, abril) e do lunático César Benjamin (“É pau, é pedra, é o fim de um caminho”), definitivamente me excluo da lista de assinantes desta revista. E não é a primeira vez que faço isso. Há mais ou menos dois anos percebi que uma revista ligada à Editora Abril nunca seria isenta politicamente. Telefonei para cancelar a assinatura e me convenceram de que estavam reformulando etc. e tal, essas coisas que dizem os atendentes quando querem manter os clientes. Fiquei. Adorava o lado cultural da revista e paguei pra ver as “mudanças”. E elas estão aí, descaradamente expostas, quando dão espaço para reportagens desse nível. Vocês realmente reformularam e pioraram muito. Hoje, lendo a parte política da piauí, eu me pergunto: qual é a diferença entre esta revista, Veja, IstoÉ, Folha, O Globo? Nenhuma.

Fico com um gosto amargo na boca de ver como a imprensa deste meu país está cada dia mais pobre e podre, com a petulância de achar que manda no Brasil. É nojenta a cobertura que se dá a esses derrotados das urnas, que tentam dar um golpe na democracia brasileira. É ridículo ouvir Aécio Neves, Ronaldo Caiado, Agripino Maia e outros falando em corrupção, alarmados com a corrupção! Porque vocês não fazem reportagens sobre o andamento do mensalão tucano, sobre o HSBC, sobre o metrô de São Paulo, sobre a Operação Zelotes, sobre Gilmar Mendes e Sérgio Moro? Mas acho que estão a favor da elite paulistana, que vai para a rua para aparecer nos telejornais e nem sabem o que é a terceirização. Eu, felizmente, faço parte do outro grupo. Daquele que ganhou as eleições e que mudou o Brasil pra muito melhor.
MARIA BEATRIZ TEIXEIRA_BELO HORIZONTE/MG

 

Que capa é essa? Fiquei assustado com esse buraco negro e os títulos proféticos. César Benjamin (“É pau, é pedra, é o fim de um caminho”) e Fernando de Barros e Silva (“Celso Pitta e o destino do lulismo”, piauí_103, abril) revelam bem que o Brasil e seus projetos e programas políticos são como um desfile de escola de samba na Marquês de Sapucaí. Depois que a fantasia passa, resta a realidade suja, atrasada e pobre.
JOSÉ ROBERTO ZORZETO_SÃO JOÃO DA BOA VISTA/SP

 

Venho cumprimentar esta revista que assino há anos por ter dado destaque a esse assunto logo no primeiro artigo (“Tea Party à brasileira”), embora muita gente comece a ler pela última página. A piauí poderia ter feito com esses grupos de centro-direita ou liberais o que os meios de comunicação fizeram nos anos 70 com o Simonal – apagá-lo do mapa. Mas não: deram cobertura a esse evento.

Apesar do estilo alternativo da revista dos primeiros tempos, me parece que piauí não se alinha à esquerda tradicional, cega à realidade. Tenho visto aqui ótimos artigos e entrevistas.
MAURICIO FRIZZO_NITERÓI/RJ

 

Em conversas politizadas, discordar é sempre uma boa forma de mostrar conhecimento sobre determinado assunto. Pensando assim, fica claro que não sei absolutamente nada sobre a dissolução da esquerda descrita por César Benjamin no texto “É pau, é pedra, é o fim de um caminho”, pois não consegui discordar sequer de um parágrafo seu.

Fora isso, a edição 103 de piauí nos trouxe muitas facetas sobre a política brasileira contemporânea e seus peões (caricaturados pelo Glauco), além de nos inundar com a sinceridade de Flavia Castro (“Entre duas narrativas”) e Walter Kirn (“O impostor”, traduzido por Sergio Tellaroli).

P.S.: Notei que em 2014 o preço da piauí aumentou em maio e por isso esperei para fazer minha assinatura em abril de 2015! Saibamos apreciar as pequenas vitórias.
FERNANDO SETTON SANCHES_SÃO PAULO/SP

NOTA DO DEPARTAMENTO FINANCEIRO: Vitória pra você, Fernando. Depois a revista encolhe e o pessoal espalha que a gente só pensa em engordar a mais-valia.

MAU GOSTO

Achei de muito mau gosto o fato de piauí ter colocado o Diário da Dilma ladeado por duas matérias contendo críticas ácidas ao PT e à presidenta, na edição 103. Muito embora as matérias maledicentes estejam corretas em relação à mandatária Dilma Rousseff, a simpática figura que tem sua vida mensalmente devassada por este periódico não merecia tamanha indelicadeza, muito menos na sua vizinhança imediata! Como diria o eterno presidente Collor – outro injustiçado pela mídia golpista: é tudo uma mentira da Polícia Federal!

THIAGO VILAÇA RODRIGUES_RECIFE/PE

CAIU NA REDE

Hoje, depois de tanto tempo sem ler uma revista piauí na versão de papel, eu não podia imaginar que seria tão triste. Essa foi a primeira reportagem que eu li, e cada parágrafo me deixava mais chocada. É sobre Justine Sacco, que tem a vida revirada por causa do linchamento virtual (“A vida por um tuíte”, piauí_102, março). Nesse quesito, o texto é incrível, realmente empático e nos dá uma outra visão da questão dos retuítes de ódio. Seria maravilhoso se o autor Jon Ronson (branco e britânico) não tivesse decidido, ele mesmo, julgar se era racista ou não o tuíte de Justine: “Partindo para a África. Espero não pegar Aids. Brincadeirinha. Sou branca!”

A moça perdeu o emprego, foi massacrada virtualmente (e quase na vida real), sofreu vários ataques machistas, acho que nem precisamos mais discutir como ela cagou no maiô. Mas como, apenas como, alguém pode julgar esse texto, de uma mulher branca, cuja família mora na África do Sul, como “suposto racismo”, “gracejo”, “piada”? – “[…] comecei a suspeitar de que não era uma frase racista, mas uma autocrítica ao privilégio dos brancos”. Que bom, pessoas brancas criticando o racismo fazendo piada? Nossa, isso parece inovador, por favor me ilumine um pouco mais.

É triste ver uma das revistas que eu mais admiro fazendo exatamente o que todo o resto da mídia faz: aliviando a dos brancos. Nessa edição, na minha rápida inspeção (me corrijam se eu estiver errada), não tem nenhuma coluna, reportagem ou literatura produzida por pessoas negras, nenhuma foto, ilustração ou propaganda que caracterize uma pessoa negra. Até a questão judaica é mais presente que a questão de negritude.

Isso é sintomático, isso é sério. Para mim, fica muito claro que a revista toma um partido. Pior a dor de um indivíduo linchado do que um problema social, histórico, que se arrasta pelos séculos. O perdão da piadinha que não quer o mal de ninguém, do mal entendido, do deixa disso. Penso se o único pré-requisito para ler esta revista é ter um parafuso a mais, mesmo.
LUARA LULUA_SÃO PAULO/SP

 

Seria difícil opiniões expressas em 140 caracteres possuírem profundidade, mas Jon Ronson nos mostra como a infelicidade dessas poucas linhas pode destruir vidas e estabelecer valores, muito mais que uma obra colossal e laudatória. É, de qualquer forma, um significativo reflexo da superficialidade e imediatismo de nossas vidas e “discussões” correntes – sim, entre aspas, porque limitadas a okays e carinhas de agrado ou desaprovação. Vão aqui minhas palavras opinativas, pouco mais que o piado eletrônico, mas com a pulga atrás da orelha se isso me destruirá um dia. Contumaz nas missivas, não tanto quanto o Dirceu Luiz Natal denunciado por Gustavo Laet Gomes (Cartas, piauí_102, março), estaria me aproximando perigosamente do rótulo de maldito?

Aliás, fiquei preocupado com a diminuição da seção de cartas para menos da metade do espaço anteriormente ocupado. É permanente ou um soluço neste mês de abril? Um raro espaço para discussão de leitores, diferenciado de outras revistas e que agora vai sumindo. Sinal dos tempos da nova dimensão da comunicação de massas e, talvez, fim do jornalismo impresso? Sem espaço, os missivistas se desestimulam e leem menos. Sem leitores não haverá revista.
ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

NOTA DA REDAÇÃO: Diz a máxima latina que seção alentada de cartas exige… cartas. Nossa utopia é uma seção de cartas de no mínimo dez páginas. Quanto maior ela for, menor o número de páginas editoriais, dessas escritas por repórteres que insistem em ser remunerados. Você há de convir que, diante de gestos mesquinhos como os do leitor FERNANDO (ver na página ao lado), seria um jeito de fechar as contas. Ocorre que, talvez pelo calor, talvez pelo desinteresse, o pessoal anda meio letárgico. Até mesmo o Dirceu Luiz Natal, missivista mais pertinaz que a Marquesa de Sévigné, nos faltou este mês. O que, aliás, muito nos entristece.

 

#LAGRANDEFOLIE

Sobre a Esquina #lagrandefolie (piauí_102, março), só um comentário: #belindiarules!

MÁRCIO XAVIER_SÃO PAULO/SP

 

UMA NOITE BRASILIENSE

Assim como o Diário da Dilma, Daniela Pinheiro não pode faltar na piauí, mas, na Esquina da edição 103 (“Uma noite brasiliense”), senti uma “pisada na bola”: porque não foram nominados o Consultor, o Advogado, o Juiz e o Parlamentar? O relato é notícia (e então os nomes têm que aparecer, como os dos “coadjuvantes”) ou é ficção?



JOSÉ LUIZ FELIX DA CUNHA_MONTES CLAROS/MG

MAMÃE MERKEL

Excelente perfil (“A alemã tranquila”, piauí_102, março). Depois que terminei de ler, pensei: será que a Angela Merkel conseguiria dar um jeito no Brasil?

Parabéns por mais uma ótima e interessante edição!

MAYARA VIEIRA_FLORIANÓPOLIS/SC

 

ALEMANHA E GRÉCIA

Gostaria de parabenizar a revista por seu conteúdo de altíssima qualidade; assino há pouco tempo, porém a edição 102 me surpreendeu com tamanha beleza das matérias publicadas. Destaque para a Chegada “Depois do Minotauro”, que soube fazer uma crítica sutil aliada à charge impressa em conjunto; também destaco “A alemã tranquila”, que com a riqueza de detalhes – e as fotos, que sempre muito me chamam a atenção – conseguiu traçar um perfil da chanceler alemã que o grande público não conhece. Parabéns a todos!

GUSTAVO RIGONATO_AMERICANA/SP

 

DILMA LÁ! MAS ONDE?

A foto reproduzida no alto do texto de autoria de Fernando de Barros e Silva, “Onde está Dilma?” (piauí_101, fevereiro), mostra Dilma no centro, entre seus 39 ministros, qual uma maestrina com sua faixa presidencial no lugar da batuta, e os componentes da orquestra, a maioria exibindo um sorriso protocolar. Tem-se a sensação de que faltam músicos que entendam de seus instrumentos e de que há nessa orquestra solistas pouco confiáveis, motivo pelo qual o espetáculo periga resultar num rotundo fracasso.

DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA COMEMORATIVA DA REDAÇÃO: Não nos faltou! Não nos faltou!

 

O ESTOURO DA BOIADA

Sobre a reportagem “O estouro da boiada”, de Consuelo Dieguez (piauí_101, fevereiro), só tenho algo a dizer: os goiano dero um baile de esperteza (no mau sentido) nos quatrocentões paulistas.

JOSÉ ANÍBAL SILVA SANTOS_TEÓFILO OTONI/MG

 

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