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MERCOSUR PROFUNDO

La historia es más o menos la misma desde que salió piauí. Los viajeros me traen la edición del mes que consiguen en aeropuertos o en librerías de cualquier ciudad. Buenos descubrimientos que, en la edición de febrero, me hacen escribirles: los poemas de Manoel Ricardo de Lima. No es necesario aclarar que al pedido de viajeros le he agregado su novela As Mãos.

PS: El artículo de Laurita Mourão es una perla do Mercosur profundo.

MAURICIO RUNNO_MENDOZA/ARGENTINA

 

O BIGODE DA MODERNIDADE

A notícia de que cientistas da Universidade de Zaragoza conseguiram clonar uma espécie extinta (há nove anos!) de cabra montês, através de amostra de seu dna recolhido na época, gerando um filhote que, no entanto, sobreviveu apenas sete minutos, deixou-nos com uma pergunta na ponta da língua: e o Brasil brasileiro e inzoneiro? Conseguimos com sucesso clonar duas espécies que supúnhamos extintas há pelo menos vinte anos: Michel Temer e José Sarney (piauí_30, março 2009). Com a Copa do Mundo ainda distante, nosso fervor patriótico foi aplacado com esta notável façanha pelos integrantes do Congresso, onde a densidade de doutores é imensurável. Para não falarmos da também notável façanha do deputado Edmar Moreira, que clonou um castelo medieval inteirinho em seu laboratório de São João Nepomuceno.

GUZ CARTUNISTA (PAULO CANGUSSU)_BELO HORIZONTE/MG

A piauí também falha: correndo na praia (e sem bigode), na página sete, está Austregésilo de Athayde, não José Sarney.

BARBARA HELIODORA_RIO DE JANEIRO/RJ
Tornei a examinar, e não estou mais tão certa a respeito do corredor da praia.

BARBARA HELIODORA_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA DA REDAÇÃO: piauí às vezes falha. Mas foi o próprio ex-poeta-petiz quem confirmou estar correndo na praia (embora não atrás de marimbondos de fogo) em foto de seu arquivo pessoal.

Na foto de Sarney com Castelo Branco e Geisel (piauí_30, março 2009, p. 8), o terceiro militar não é Costa e Silva, mas um oficial ajudante-de-ordem, provavelmente do Gabinete Militar, então chefiado pelo Geisel. Isso não muda em nada o significado da imagem. Parabéns pela alta qualidade da revista, mantida mês a mês.

ISRAEL BELOCH_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA DA REDAÇÃO: Vossa Excelência, o presidente do Senado, sustenta tratar-se mesmo do marechal Arthur da Costa e Silva.

Deslumbrantes de tão chiques as fotos do Sarney. Me fez lembrar um cãozinho vermelho de borracha que eu tinha quando criança, que atendia pelo mesmo nome do monarca maranhense. Coisa do meu pai. Ah! Menção honrosa para o bicão na foto, um Jacques Chirac empoleirado no ombro esquerdo do nosso respeitabilíssimo politicão.

BRUNO L. S. BRASIL_RIO DE JANEIRO/RJ

 

MARCO AURÉLIO GARCIA

Não sabia que Marco Aurélio Garcia era tão odioso, e sequer consegue justificar tanto ódio (“O formulador emotivo”, piauí_30, março 2009). Ele diz que odeia Israel porque apoiou a ditadura da Nicarágua. Sendo assim, devemos odiar nosso amado país que apóia a ditadura da Síria que já fez limpeza étnica de mais de 15 mil xiitas, ou o Sudão que já permitiu o massacre de meio milhão de animistas. Menos Top-Top.

DANIEL ALTMAN_SÃO PAULO/SP

 

DESPEDIDA RUDÁ

Não adepto da antropofagia, porém “como vocês…”, aprendi que a notícia, quando transmitida, deve ter o seu corpo dissecado integralmente. Assim, na matéria sobre o ilustre Rudá de Andrade (“La vita è cosi, maestro”, piauí_30, março 2009) esmiuçar os detalhes da nadadora santista aventurando-se a atravessar o Canal da Mancha sairia do tema que se vincula à reportagem. No entanto, creio que ao identificá-la, além de valorizar o ato de bravura, receberíamos também valiosa pista para pesquisa. A nadadora chama-se Renata Câmara Agondi. Quem quiser saber mais sobre ela deve ler Revolution 9 de Marcelo Teixeira, da editora Unisanta.

Nas piscinas, Renata exibiu muito talento, mas foram nas provas de águas abertas que ela realmente se encontrou. Em um curto espaço de tempo, transformou-se na principal competidora da categoria no estado de São Paulo e numa das melhores do país. Depois das participações em provas internacionais na Itália, ela entendeu que chegara a hora de encarar o maior desafio de todos, a travessia das gélidas águas do Canal da Mancha.

Num dia fatídico, 23 de agosto de 1988, totalmente exaurida pelo esforço extremo provocado por uma imperdoável falha na rota, e apresentando um acentuado quadro de hipotermia, Renata veio a falecer. Renata dava o nome aos seus diários de Revolution 9, em homenagem aos Beatles, grupo pelo qual demonstrava grande admiração.

MÁRCIO SIMÕES DA SILVA_SANTOS/SP
Quero fazer dois agradecimentos: por ter ganhado do meu filho uma assinatura da revista e por ter lido uma matéria perfeita como “La vita è cosi, maestro”, sobre Rudá de Andrade e sua família. É estranho, quem faz a história não participa dela.

ANTONIO ANGELO DE BRITO_TRÊS MARIAS/MG

NOTA DA REDAÇÃO: O seu filho é perfeito.

 

MILK

Gus Van Sant foi considerado “não-ousado” ao conceber o filme Milk. Todavia, é exatamente nesse comentário do autor do artigo (“Assim é se não lhes parece”, piauí_29, fevereiro 2009) que reside o erro da crítica. Van Sant, diferentemente do que afirma o texto, não apenas ousa: supera-se. A ousadia do diretor está no fato dele ter decidido realizar um filme mainstream, acessível ao público – qualquer público, seja ele hetero, homo, alternativo ou de shopping center. É aí que se encontra a contundência de sua obra. Pegando carona na onda “Hope” iniciada por Barack Obama, Van Sant também acertou em seu marketing, mas não entrarei nesse mérito.

LUCAS FERRAÇO NASSIF FERREIRA DOS SANTOS_RIO DE JANEIRO/RJ

 

PIAUITOS
Não sei até hoje o que tenho na cabeça para lê-los, mas vocês também não têm lá muita coisa na cabeça. Senão vejamos: a revista não tem linha editorial, nem publicidade insuportável, nem textos sobre perder a barriguinha e mudar sua (nossa) rotina sedentária, nem dicas de consumo, nem colunistas onipresentes, nem matérias certinhas, nem leitores caretas, daqueles que elogiam pela “oportunidade” de ler tal coisa. Como sobrevivem? De loucos?

No fundo, o leitor da piauí se acha meio integrante não-remunerado da revista.

WELDHER RODRIGUES DE ABREU_GUARULHOS/SP
Esta é a única revista no Brasil que consigo ler 99% de todas as matérias sem bocejar. Mas não entendo por que não assinam os deliciosos textos de abertura. Só os bambambãs é que assinam suas matérias? Que frescura é essa?
CARLOS DE SOUZA_NATAL/RN

NOTA DA REDAÇÃO: as Esquinas sem assinatura são o espaço mais disputado da revista. Não se engane: os verdadeiros bambambãs estão todos lá.

 

QUADRINHOS ADVENTISTAS

Caraca! Os quadrinhos de Allan Sieber (piaui_30, março 2009) são um soco no estômago, lâmina afiada, energia pura. Creio que, como eu, muitos irão se identificar com o personagem Eduardo e a sua terrível cultura – a Teologia do Sofrimento.

O final da história é um primor. O personagem editor, talvez um católico não praticante, para quem religião não fede nem cheira, e pela qual todo o medo se exorciza com um simples padre-nosso, uma ave-maria e o sinal da cruz – basta ver os jogadores de futebol –, não poderia mesmo entender o drama do evangélico. Nem mesmo o meu analista entendia esse iluminado, o mártir do “toma a tua cruz e segue-me”.

LUCAS COTRIM_CAMPINAS/SP

Tenho lido essa revista frequentemente por causa da maneira bem-humorada com que assuntos relacionados à política e aos fatos cotidianos da vida são tratados pelos redatores. Mas achei de muito mau gosto a publicação da “história (verídica) em quadrinhos” desta última edição. Penso que o autor poderia, ao menos, ter omitido a identidade da igreja referida (Adventista do Sétimo Dia). Ora, se a experiência religiosa desse cidadão foi frustrada, é preciso ter consciência de que, talvez, a dos mais de 15 milhões de membros espalhados pelo mundo não o tenha sido. Dentre esses eu me incluo. Não vou entrar no mérito dos motivos pelos quais “Eduardo” achou que era sua obrigação “salvar a humanidade”, apenas digo que a igreja desenhada através dos quadrinhos não passa de ficção. A Igreja Adventista do Sétimo Dia é uma instituição séria, presente em mais de 200 países do mundo, conta com milhares de escolas, clínicas médicas, hospitais, universidades, editoras e agências de desenvolvimento humanitário.

FAGNER FRANCISCO CASTILHO_CURITIBA/PR

Achei bastante agressivo o conteúdo do quadrinho da última edição. Agressivo e realmente recalcado. O espaço me pareceu mais uma seção “abra seu coração”, ou “conte suas mágoas”…

GISELLE CAMARGO_SÃO PAULO/SP

Caraca! Os quadrinhos de Allan Sieber (piauí_30, março 2009) são um soco no estômago, lâmina afiada, energia pura. Creio que, como eu, muitos irão se identificar com o personagem Eduardo e a sua terrível cultura – a Teologia do Sofrimento.

O final da história é um primor. O personagem editor, talvez um católico não praticante, para quem religião não fede nem cheira, e pela qual todo o medo se exorciza com um simples padre-nosso, uma ave-maria e o sinal-da-cruz – basta ver os jogadores de futebol –, não poderia mesmo entender o drama do evangélico. Nem mesmo o meu analista entendia esse iluminado, o mártir do “toma a tua cruz e segue-me”.

LUCAS COTRIM_CAMPINAS/SP

 

GOTLIB & CRUMB

Falou-se em laços de amizade, nepotismo, mensalinho na tentativa de compreender a fascinação dos editores da revista por Gotlib. O que eu não podia esperar era tamanho ato desesperado de terrorismo: Mulheres & plástica (“Livrando a cara”, piauí_28, janeiro 2009). Que tal uma historinha curta – de uma página – do Pateta, ou uma daquelas “historinhas mudas” de última página do gibi do Cebolinha (com o Louco de preferência)?

GUSTAVO LAET GOMES_SAO PAULO/SP

 

MEU NOME É FILIPE

Quando recebemos um nome que na maior parte das vezes carregamos por toda a vida, nossos pais, ao nos batizar, escolhem o nome de acordo com critérios decididos por eles: livros, artistas, significado, homenagem ou qualquer outro motivo que lhes agradem mais. Esses nomes podem agradar ou podem fazer com que o filho vire motivo de chacota e acabe mudando de nome no futuro, ou até mesmo traga danos psicológicos.

Um estudo britânico, realizado pela Abbey Banking, mostra que os ingleses têm a crença de que a escolha certa do nome é crucial para que a criança tenha um futuro promissor. A pesquisa ainda afirma que um casal demora em média 45 horas para achar o nome ideal para seu filho e um entre três casais acredita que o nome certo pode dar confiança a esta criança.

Em um país em que a maior personagem da televisão se chama Maria da Graça Xuxa Meneghel, o rei do futebol é mais conhecido como Pelé do que Edson Arantes do Nascimento e o nosso atual presidente fez questão de colocar no nome seu apelido, Luiz Inácio Lula da Silva, o nome faz diferença?

Mandei uma carta para a piauí no mês passado e fiquei feliz por ver que ela foi publicada. Informei duas vezes no e-mail que meu nome era Filipe, mas ainda assim a revista publicou Felipe.

FILIPE CEROLIM_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA DA REDAÇÃO: mil perdões, Felipe.

 

CASO GOLDMAN

Fiquei chocada de verificar que não existe nem um pouquinho de imparcialidade com o que está sendo escrito na piauí sobre o caso.

ISABELLA BARROS_RIO DE JANEIRO/RJ

Vocês são uns dos poucos órgãos da imprensa brasileira a tratar o caso com imparcialidade e exatidão. Dá gosto ler uma publicação assim!

ALFREDO C. AGUIAR_ORLANDO/FLORIDA

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