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Arqueologia de um crime

    Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil, ao ser preso no Rio: “Me incomodava que Rivaldo tinha aquele constante sorriso no rosto mesmo num momento tão grave”, diz Monica Benicio, viúva de Marielle, sobre o início da investigação do crime CREDITO: DANIEL RAMALHO_AFP_2024

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Arqueologia de um crime

Os bastidores da investigação do caso Marielle

Chico Otavio | Edição 211, Abril 2024

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-Tem visto a Cris? – perguntou o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz à sua mulher, que o visitava na Penitenciária Federal em Brasília, no início do ano passado. Queiroz estava preso desde março de 2019, sob a acusação de participar do atentado que, um ano antes, matou a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. “Cris”, na verdade, era um código que o casal combinara para designar a ajuda financeira que sua família recebia do comparsa Ronnie Lessa, outro ex-policial militar, que estava preso pela mesma razão. O dinheiro era o pagamento que Queiroz recebia em troca de sua lealdade. Quando sua mulher, Suzana, lhe respondeu que a Cris não aparecia havia tempos, Queiroz percebeu que estava sendo abandonado – ou “cheirando a peixe”, expressão que, no submundo do crime no Rio de Janeiro, significa apodrecer na prisão.

Quando foi preso, Queiroz passou a receber uma ajuda de 10 mil reais mensais, fornecida por Ronnie Lessa. Eram 5 mil reais para a família e outros 5 mil para os advogados, valores sempre entregues pelo ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, conhecido como Suel. Com o tempo, a ajuda aos advogados foi cortada e, aos poucos, a parcela destinada à sua família foi minguando. Em 2022, o dinheiro já estava em apenas 2 mil reais, depois caiu para 1,5 mil – até que parou por completo. Queiroz chegou a pensar que o corte do pagamento decorria do fato de que Suel estivesse no “spa”, outro código, que se refere à prisão. “Que nada”, respondeu a mulher de Queiroz, durante a visita ao marido, segundo a reconstituição feita mais tarde pelo próprio preso. Suel continuava em liberdade naquela altura. “A Cris é que sumiu mesmo”, disse Suzana.

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