questões da república

As direitas em choque

O efeito retardado da bomba Bolsonaro sobre as tribos liberais

João Gabriel de Lima
O cabo de guerra entre os direitistas que apoiam e os que desaprovam o governo: hoje, o Partido Novo está dividido em duas alas. Uma é o PSL Personnalité, como é chamado o grupo dos que aderiram a Bolsonaro ou evitam críticas à sua administração; outra é o Psol Laranja, como foram batizados os que se formaram na militância antipetista nas ruas mas querem distância do presidente
O cabo de guerra entre os direitistas que apoiam e os que desaprovam o governo: hoje, o Partido Novo está dividido em duas alas. Uma é o PSL Personnalité, como é chamado o grupo dos que aderiram a Bolsonaro ou evitam críticas à sua administração; outra é o Psol Laranja, como foram batizados os que se formaram na militância antipetista nas ruas mas querem distância do presidente CREDITO: ROBERTO NEGREIROS_2020

O jornalista Lucas Berlanza não quer ver Sara Winter nem pintada. Ele, que hoje preside uma das entidades mais tradicionais da direita brasileira, o Instituto Liberal, já defendeu a extremista dos militantes conservadores que a criticavam por seu passado de feminista radical. Chegou a escrever um artigo em que elogiava a “corajosa transformação” de Sara Winter, que renunciou ao seu passado esquerdista e virou uma defensora de Jair Bolsonaro e Olavo de Carvalho. “Ao longo de seis anos de militância, participei de vários congressos, com gente que se sentava na mesma mesa e que hoje não se olha na cara”, diz ele. “Hoje, confesso que não tenho vontade de participar de qualquer coisa ao lado de Sara Winter. Ela começou a defender uma espécie de milícia louca e chegou ao ponto de divulgar dados privados de uma menina de 10 anos, vítima de estupro, para que houvesse pressão sobre ela para não abortar. É radical como antes, só que com sinal trocado.”

Aos 28 anos, Berlanza tem orgulho de ter realizado a primeira conferência do Instituto Liberal reunindo algumas estrelas da nova direita que entraram para a política na onda conservadora que tomou impulso a partir de 2013, mas não esconde que sua decepção com a ascensão de Bolsonaro vai muito além de Sara Winter. “Ponha-se no nosso lugar”, diz, começando a explicar por que liberais como ele embarcaram na candidatura e no governo de Bolsonaro. “Estávamos vendo liberais de prestígio entrando no governo. Gente que frequentava nossos encontros e participava de nossos debates, como Salim Mattar, Adolfo Sachsida e Geanluca Lorenzon. Isso ocorreu também com conservadores como Bruno Garschagen e o professor Ricardo Vélez, que é um nome histórico do Instituto Liberal.”

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João Gabriel de Lima

Colunista de O Estado de S. Paulo, é professor do Insper e da Faap, e autor de O Burlador de Sevilha

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