questões de gênero

As radicais

A novidade brasileira na cena feminista de Portugal

Adriana Negreiros
A Greve Internacional Feminista tomou as ruas do Porto e de outras cidades portuguesas pela primeira vez em 8 de março, recomendando às mulheres que, naquele dia, não fizessem nenhum trabalho doméstico: “E se hoje não lavar a loiça? E se não passar a ferro?”, diziam os cartazes​
A Greve Internacional Feminista tomou as ruas do Porto e de outras cidades portuguesas pela primeira vez em 8 de março, recomendando às mulheres que, naquele dia, não fizessem nenhum trabalho doméstico: “E se hoje não lavar a loiça? E se não passar a ferro?”, diziam os cartazes​ CREDITO: JULIANO MATTOS_2019_ PROJETO ATIVISMO EM FOCO

Julia Favero custou a acreditar no que via. Um dos pôsteres que ela afixara na cafeteria da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto havia sido adulterado. O cartaz em fundo vermelho convidava as alunas da FBAUP – “efebaupe”, como dizem os portugueses – a participar da primeira reunião do recém-inaugurado coletivo feminista formado na escola, o Fofolete Molotov, atualmente com vinte integrantes. O segundo “a” da palavra “alunas” fora grosseiramente transformado em “o” com uma caneta esferográfica azul, que, por causa da força empregada, quase rasgara o papel cuchê. “E os alunos?”, perguntava o interventor em um canto do pôster, dessa vez utilizando uma caneta branca – a mesma cor que a jovem escolheu para escrever sua resposta. “E mais uma vez tudo é sobre os homens…”, registrou, em letras maiúsculas. Logo abaixo, entre parênteses, em caligrafia cursiva caprichada, ela anotou: “Mulheres merecem um espaço só delas.” 

A estudante tem 21 anos, um piercing no nariz, 27 tatuagens (desenhos e mensagens pelo corpo que incluem animais, palavrões, armas e flores) e vive no Porto desde setembro de 2018. Antes, morava com os pais, um químico e uma enfermeira, na Vila Madalena, em São Paulo, onde começou a estudar cinema em uma universidade privada. Como achava o curso fraco e não lhe apetecia o ambiente do campus, que julgava excessivamente liberal – do ponto de vista das ideias político-econômicas, não dos costumes –, abandonou as aulas. Durante uma pesquisa pelos sites das universidades europeias, gostou do plano de estudos da FBAUP e convenceu os pais a financiar sua mudança para Portugal. 

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Adriana Negreiros

Jornalista freelancer, foi editora das revistas Playboy e Claudia. É autora de Maria Bonita: Sexo, Violência e Mulheres no Cangaço

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