cartas

Basta, eu quero cultura inútil

ABICHORNEI-ME

Folheei a piauí 3/30. Abichornei-me (no significado gaúcho do termo).

A um esculhambador deve ser dado o direito de exercer esta execrável função, com liberdade de expressão e direito à vazão de seus (meus) instintos bestiais. Quando o protótipo de esculhambador é cerceado, editado, anulado, e pior, reduzido (injustamente) à figura de um rançoso nazistóide, só lhe (me) resta uma saída: a própria.

Demito-me!!!! Renuncio ao cargo de esculhambador-geral da piauí. Até porque a redação do periódico já preenche esta função, com galhardia.
CARLOS ARTHUR ORTENBLAD_RIO DE JANEIRO

NOTA DA REDAÇÃO: A vaga de esculhambador-geral deixa de existir, por intransferível.

 

BOITEMPO E LATINOAMERICANA

Não pretendo fazer um desagravo a Emir Sader (“O ortodoxo”, novembro). Sua obra, sua militância e sua trajetória de vida podem e têm sido aferidas por juízes mais bem credenciados. Quero fazer ponderações a respeito da editora Boitempo. Ela publicou no final de agosto uma obra que nos orgulha, a Latinoamericana: enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe. Seu mérito maior não são os números, que por si só são impressionantes (980 verbetes, 1.040 fotos, 95 mapas e 136 tabelas, 21 gráficos e fichas com dados gerais sobre cada país da região), e sim o fato de ser uma obra única. Não há outro livro, editado no período recente, que tenha reunido intelectuais do porte de Aníbal Quijano, Chico de Oliveira, Thomas Moulian, Álvaro Garcia Linera, Atilio Borón, Emir Sader, Ana Esther Ceceña, Mike Davis, Flávio Aguiar, Marcio Pochmann, Iná Camargo Costa, Luiz Alberto Moniz Bandeira, Néstor García Canclini, Margarita López Maya, Ricardo Antunes, Francisco Alambert, Theotonio dos Santos, entre 123 autores de mais de vinte países. Ainda assim, a maior parte da grande imprensa tratou a Latinoamericana como se fosse um manual de esquerda, uma obra menor. Como se tudo o que é produzido pelo pensamento contra-hegemônico fosse “ideologizado”. Apontaram picuinhas contra a forma como foram tratados Cuba, o PT, o MST. E questionaram o apoio “estatal”. Incapazes de atacar a obra em seu conteúdo, transitam pelo terreno de uma suposta moralidade pública, levantada somente quando se trata de iniciativas de grupos diversos dos seus. A Boitempo é uma editora de prestígio, respeitada pelo público, por seus autores e pelo meio acadêmico e intelectual. Trouxemos ao Brasil obras inéditas de importantes autores do pensamento contemporâneo. Estamos publicando a obra de Marx e Engels, em novas edições comentadas, com cuidadosas traduções dos originais em alemão. Quero, com isso, apontar a gravidade e a irresponsabilidade da matéria em que fui mencionada como “namorada”, “sócia” ou “parceira” de Emir Sader, e não pelo meu trabalho como editora da Boitempo e da revista Margem Esquerda, e coordenadora e autora da enciclopédia Latinoamericana.
IVANA JINKINGS_RIO DE JANEIRO, RJ

 

%&$*#@

Que %&$*#)@ de papel foi esse que vocês usaram? Enquanto folheava a revista andando na rua fiquei abismado com a queda vertiginosa na qualidade. Por favor, voltem com o papel anterior… O “reciclado”.
FLAVIO AUGUSTO RIOS_RIO DE JANEIRO, RJ

 

DESCULPAS

Gostaria de pedir desculpas à família de D. Francisca por meu email anterior, sobre a matéria “Auto de Natal Aéreo” (número 2). Não posso concluir, pelo relato de um parto em condições precárias, que ela venha a necessitar de ajuda de programas do governo para criar seu filho. E ainda que venha a precisar de tal ajuda, não posso concluir nada a respeito da integridade moral dos pais da criança nem dos princípios que norteiam a construção de sua família, como fiz.
MATEUS DE OLIVEIRA FECHINO_RIBEIRÃO PRETO, SP

 

VAGABUNDO EXALTADO

piauí devia ficar ao lado da revista The Economist na banca. Assim, quando eu estivesse na iminência de gastar os meus dinheirinhos, pudesse olhar para o lado e ver tudo o que eu tenho certeza que não quero ler nos meus períodos de não-obrigação. Basta, eu quero cultura inútil (!). Quando eu estiver pegando a minha grande e colorida revista e notar que um engravatado olha pra mim com desprezo, bastará eu apontar para a revista ao lado e gritar: gaste os seus 25 reais e coma os seus dados estatísticos!
LUCAS MENDES_RIO DE JANEIRO