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    Cartaz da PUC-SP pela anistia: a nova comissão quer revisar quase todos os processos julgados durante o governo Bolsonaro, quando foram indeferidos 95% dos cerca de 9 mil pedidos de anistia CRÉDITO: REPRODUÇÃO

anais da ditadura

A longa espera da Comissão de Anistia

Órgão tenta se reerguer após minimizar ditadura durante o governo Bolsonaro

Luigi Mazza | Edição 200, Maio 2023

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José Pedro da Silva era um veterano do sindicalismo quando estouraram as greves do ABC, na Grande São Paulo, em 1978. Dezesseis anos antes, havia participado das jornadas do governo João Goulart (1961-64), quando milhares de operários cruzaram os braços exigindo a implantação do décimo terceiro salário. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Zé Pedro, como era conhecido, fez propaganda e passeata. Submergiu depois do golpe de 1964 e passou a atuar por vias clandestinas, organizando grupos secretos nas fábricas por onde passou em Osasco, quase todas do setor metalúrgico. Era um líder inconteste. De modo que, quando os trabalhadores da montadora sueca Scania desligaram as máquinas na cidade vizinha de São Bernardo do Campo, em 12 de maio de 1978, deflagrando a primeira greve em catorze anos de ditadura, Zé Pedro mobilizou os operários da fábrica onde trabalhava, a suíça Brown Boveri, de sistemas de automação. Aderiram à greve.

“Paramos a fábrica inteirinha, foi uma coisa de arrepiar”, lembra o sindicalista, apontando os pelos eriçados do braço. Sentado num café em Brasília, Zé Pedro reconstitui sua trajetória e descreve minuciosamente o que fazia quando era caldeireiro – “um serviço apaixonante, porque você trabalha muito com os braços, mas também precisa fazer cálculos”. Com 81 anos de idade, ele é um homem alto, corpulento e de cabelos brancos. Ao concluir o falatório, explica por que pleiteia uma indenização do Estado brasileiro: “O Estado errou conosco. Fez muita coisa errada, fez barbaridades durante a ditadura. Então é justo que peça desculpas. E uma reparação econômica, porque atrapalharam muito a nossa vida.”

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