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| Edição 45, Junho 2010

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O FUNERAL DA MEMÓRIA

Li com interesse e surpresa as impressões de Catherine Herszberg relacionadas ao 65º aniversário da libertação de Auschwitz (“O funeral da memória”, piauí_44, maio 2010). Em março deste ano, também estive pela primeira vez em Auschwitz-Birkenau. Foi uma experiência perturbadora sob vários aspectos, a começar pelo destaque que a “maior fábrica de mortos da História” ocupa entre as “atrações turísticas” da região em torno de Cracóvia. Um destaque impregnado de ironia histórica, sem dúvida, mas muito distante do “funeral” anunciado pelo título da matéria.

Placas informativas em estações de trem e metrô, recepcionistas de hotéis e folhetos distribuídos pelas ruas oferecem modalidades variadas de se chegar lá, na cidade de Oswiecim, renomeada Auschwitz pelos nazistas: ônibus, carros, trem, em excursões individuais ou em grupo, com guias em vários idiomas, em programa solo ou em conjunto com as minas de sal, outra grande atração da região. Mas Auschwitz-Birkenau não é um passeio turístico. E minha visita, diferente da de Catherine Herszberg, ocorreu em um dia comum, sem vínculo à efeméride, sem presença de políticos, discursos ou qualquer tipo de apropriação oficial. Neste dia comum, o estacionamento estava lotado por dezenas de ônibus, com pessoas de várias partes do mundo e uma ampla maioria de jovens (escolas da Noruega, Inglaterra e Israel incluem visita ao campo em programa curricular contra a intolerância).

Durante três horas – a duração mínima da visita –, assiste-se a um documentário de vinte minutos, e percorre-se com um guia os vários espaços do conjunto Auschwitz-Birkenau. Vitrines com óculos, próteses, centenas de quilos de cabelos, malas identificadas com o nome do portador, roupas de crianças, latas de Zyklon B utilizadas nas câmeras de gás, alojamentos, marcos de fuzilamento e enforcamento coletivos, além de muitas outras formas de vestígios, registros e documentação que se somam para provocar uma avalanche de perguntas sem respostas. Tudo pode parecer tão distante – ou será que não faz tanto tempo assim?

Não há respostas para o que ocorreu. E tampouco encontro resposta para o que ocorre no presente. Por que, 65 anos depois, 1 milhão de pessoas por ano, uma marca considerável, visitam o lugar onde 1 milhão de judeus de várias nacionalidades e 100 mil não judeus perderam a vida? Arrisco uma hipótese: porque em Auschwitz-Birkenau a memória não se deixou abater. E esta memória permanece viva e exposta, como uma vigorosa e necessária testemunha da História, aberta a todos que queiram compartilhá-la.

SUSANA SCHILD_RIO DE JANEIRO/RJ

 

PORTFÓLIO MÁFIA

Gostei muito do texto, apesar de ter um clima de ficção (“Guerra civil em Palermo”, piauí_43, abril 2010). O meu desagrado vem das fotos. Para que tantas? Poderiam ter feito uma matéria mais completa sobre o assunto, ao invés de sete páginas, frente e verso, só de fotos. Muito chateado! Poderiam ter colocado essas fotos somente no site. E ainda aumentaram a revista para 12 reais. Muito magoado!

GUIOVAN C. DE OLIVEIRA_SALVADOR/BA

 

MENDIGOS & MENINOS

Excelente a reportagem “Ser Mendigo em Ipanema” (piauí_ 44, maio 2010), um retrato amplo, nada demagógico ou maniqueísta das pessoas que vivem na rua em Ipanema. Embora o assunto seja quase inesgotável, dada a diversidade dessas pessoas, a repórter explorou bem diversas questões e a dificuldade de uma solução imediata. Aproveito para registrar o primor da matéria de Ian Jack, “Retrato às Avessas” na mesma edição. Ir atrás do que “foi feito” de cada um dos personagens daquele famoso registro desmistificou o impacto da fotografia e retirou-lhe o maniqueísmo, ainda mais quando descobrimos que os “riquinhos” não eram tão ricos e os “meninos de rua” não eram tais. E que ironia do destino, os dois bem-vestidos da foto tiveram futuro trágico e fracassado, enquanto os outros levaram uma vida boa, feliz.
LÍDIA B. NERCESSIAN_GOIÂNIA/GO

 

VIVA A CANDIDATA!

O preço subiu, as páginas encolheram, a qualidade caiu, Gotlib voltou (piauí_43, abril 2010). Só falta fazerem campanha contra a minha candidata.
PAULO SERGIO DE AZEREDO COUTINHO_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA DA REDAÇÃO: De jeito nenhum, Coutinho! Adoramos a sua candidata. A propósito: quem é ela?

 

SONHO DE VALSA

A petulância dos negros da África do Sul é estarrecedora. A denúncia publicada na revista (“Diamantes negros”, piauí_43, abril 2010) foi fundamental para os brasileiros saberem que essas pessoas venceram o apartheid já pensando em ganhar dinheiro e – imperdoável – em cultivar hábitos exclusivos dos brancos, como tomar champanhe e ter carros bons. Seguindo esta linha, faço uma sugestão de pauta: o final próximo do império americano, sinalizado com a eleição de um negro para Presidência da República.
VALDIR ALVES_FLORIANÓPOLIS/SC

NOTA DA REDAÇÃO: Boa sugestão. Sarah Palin, aliás, suspeita que o atual ocupante da Casa Branca nem americano seja. Parece que o elemento é queniano e falsificou a certidão de nascimento. E, à sorrelfa, quer implantar o socialismo no império.

 

ARTE DA GUERRA

Na Esquina “O pega-pega da Arte da Guerra”(piauí_22, julho 2008), foram levantados vários problemas referentes à tradução da editora Jardim dos Livros. No final de 2009, a editora foi vendida e estamos reestruturando todas as publicações. Assim, republicamos o livro com uma nova tradução, de autoria de André da Silva Bueno, sinólogo com mestrado em história e doutorado em filosofia. Vale ressaltar que, ao contrário de outras edições nacionais, no miolo do livro é explicado que o título correto para Sunzi Bingfa é A Lei da Guerra.
MARCOS TORRIGO_SÃO PAULO/SP

 

GOTLIB

Um desabafo do fundo do coração, de um leitor que não perde uma piauí… Gotlib é brochante… Sério, o desenho é chato, as histórias são chatas, é péssimo. Por favor, voltem a publicar as geniais tiras de Spiegelman com a personagem Aline. São muito engraçadas e inteligentes. A revista merece uma seção de quadrinhos do naipe de Spiegelman!

NOTA DA REDAÇÃO: Pelo menos uma boa notícia para você, Oliveira. O criador da personagem Aline, que tanto te alegra, vem ao Brasil em agosto, para a Flip. Quanto ao Gotlib, ele pediu para avisar que quem criou Aline não foi Art Spiegelman, e sim Robert Crumb.

LUIZ S. OLIVEIRA_CAMPINAS/SP

 

CASEIRO

Durante uma consulta na biblioteca da escola, vi em cima do balcão da bibliotecária alguns exemplares antigos da piauí. Comecei a folhear uma, ao acaso – mais precisamente a da edição 25 de outubro de 2008. Li a história de Francenildo dos Santos Costa (“O Caseiro”) de ponta a ponta, pelo jeito como vocês a narraram. É uma história que não me chamou atenção na época, mas agora me faz começar a gostar de política. O texto me fez ver o quanto a mesma é complexa. Vocês conseguiram fazer com que um episódio complicado entrasse na cabeça de uma adolescente de 17 anos, da rede estadual de ensino, e virasse algo de fácil absorção, como um dos livros do Stieg Larsson (que eu já li e pelos quais me apaixonei). Obrigada.
CAMILLE MENDES COSTA_RIO DE JANEIRO/RJ

 

MUDANÇA DE SEXO

Gostei da forma como a transexualidade foi abordada (“Como mudar de sexo”, piauí_43, abril 2010). Não imaginava que havia tantas opções e desejos dentro da diversidade e da orientação sexual. Confesso que me surpreendi. É um texto bem leve e rico de informações, uma crônica gostosa de ler e que quase me fez mudar de sexo também (brincadeira). Bom saber que no Brasil há pessoas como o médico Eloísio Alexsandro, que se dispõe a ajudar os outros. Ele deve ser “o cara”.

ALLYSSON ROBERTO BORGES LIMA DE MORAES_TERESINA/PI

Para minha surpresa e alegria, vocês publicaram essa matéria sobre transexualismo que considero essencial, pois o tema foi explorado com amplitude. Estou feliz porque nossa sociedade vem avançando ao longo dos anos. Através da boa informação, podemos ajudar a torná-la um pouco melhor, mais esclarecida. Creio que nos dias de hoje as pessoas já sabem que a disforia de gênero não é uma opção de vida, e sim necessidade de adequar nosso corpo à nossa realidade. Ou seja, é um problema a ser tratado, e não “sem-vergonhice”, como dizem os leigos.
KÁTYLA VALVERDE_RIO DE JANEIRO/RJ

Que matéria surpreendente sobre assunto tão mal interpretado! Gostei muito. Clara Becker foi bem direta e se aprofundou no assunto. Tive a impressão de estar sentado no consultório face a face com o doutor Eloísio Alexsandro. O depoimento das vítimas está muito bem expresso no texto limpo e claro. Fiquei chocado com a transexual que é evangélica. A parte mais engraçada era a cara que as pessoas faziam, dentro do ônibus, quando viam o titulo enorme – COMO MUDAR DE SEXO – estampado na revista que eu lia.
GUIOVAN C. DE OLIVEIRA_SALVADOR/BA