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    Considerada louca e abandonada. Ida Dalser insiste em se dizer casada com Mussolini ILUSTRAÇÃO: CAIO BORGES_ESTÚDIO ONZE

questões cinematográficas

Do pessoal ao coletivo

Em Vincere, Marco Bellocchio faz um filme bom e inteligente, qualidades que raramente andam juntas

Eduardo Escorel | Edição 48, Setembro 2010

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Vendo os filmes produzidos hoje em dia, é provável que o crítico Paulo Emilio Sales Gomes (1916–77) admitisse que a inteligência nunca chegou a predominar na criação, indústria e comércio cinematográficos, encontrando-se isolada em ilhas de difícil acesso. A escassez predominante de habilidade mental contraria o diagnóstico que ele fez em 1963, segundo o qual a inteligência se infiltrou na criação e na crítica cinematográfica depois da Segunda Guerra Mundial, tornando-se necessária quando “antigamente não o era sequer”.

Por amor ao paradoxo, Paulo Emilio iniciara o seu diagnóstico no Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo com o artigo “Desnecessidade da inteligência”[1], no qual afirmou que “o fenômeno global da pouca inteligência na criação cinematográfica durante tantas décadas era a expressão da desnecessidade e não da mediocridade. Não influiu na qualidade artística dos filmes”.

Na semana seguinte, em “Gosto pela inteligência”, identificou nos escritos do crítico André Bazin (1918–58) o sintoma da mudança que estaria ocorrendo, evidenciada nos primeiros longas-metragens de Fellini e Antonioni, feitos em 1950. E “aos jovens cineastas franceses que adquiriram relevo desde os últimos anos da década de 50 pode-se recusar todos os méritos menos o da inteligência abundantemente distribuída por todos” – o que não levou o cinema a melhorar automaticamente, ele completou.

 

Marco Bellocchio, autor do roteiro e diretor de Vincere, é dos raros remanescentes da geração de cineastas que passou a valorizar a inteligência. Depois de estrear na direção em 1965, aos 26 anos, com De Punhos Cerrados, e realizar mais de vinte filmes, ele volta a demonstrar dotes intelectuais incomuns – Vincere consegue ser inteligente e bom, qualidades que não costumam ser encontradas no mesmo filme.

A ambição de Vincere é tratar dos fundamentos do regime fascista italiano, liderado com poderes absolutos por Benito Mussolini de 1922 a 1943. Evitando com inteligência o caminho mais óbvio de fazer do ditador o personagem principal, Marco Bellocchio concentra a narrativa na tragédia obscura de Ida Dalser e de seu filho, Benito Albino. De certa maneira, Mussolini sai aos poucos do filme para entrar na história, deixando de ser interpretado pelo ator Filippo Timi – que assume o papel do filho – e sendo visto apenas em imagens de arquivo, nas quais passa a parecer um gigante aos olhos de Ida.

No regime fascista, conforme se vê em Vincere, para sobreviver é preciso “calar e atuar”, conforme diz o personagem do psiquiatra. O histrionismo de Mussolini faz dele um bufão quando toma o poder. Do grande espetáculo, no qual é o ator principal, todos participam – Estado, Igreja, psiquiatria. E a população também, ora em papéis de destaque, usando o figurino oficial (camisa negra) e fazendo a saudação com o braço direito levantado, ora como figurante anônima.

 

A fatalidade de Ida é determinada por recusar fazer parte da encenação. Obstinada, proclama sua verdade e quer ter reconhecidos seus direitos, dizendo-se casada com Mussolini e mãe do seu primogênito.

 

Partindo da premissa de que a encenação é um traço definidor do regime, incorporar projeções cinematográficas e grafismos modernistas à trama de Vincere é decorrência natural. Mais importante, porém, do que a narrativa ser pontuada por imagens de arquivo, é o fato de diversas sequências se passarem durante projeções de filmes. E, quando irrompem conflitos na plateia, os espectadores são vistos como sombras chinesas fundidas à imagem projetada, com acompanhamento de piano. Dessa maneira, os personagens se tornam testemunhas e atores da própria história.

No cenário operístico do hospital de campanha, uma versão filmada da Vida de Cristo é projetada numa grande tela elevada, quando Ida implora a Mussolini que não a abandone, nem ao filho de ambos. Convalescendo de ferimentos sofridos em combate na Primeira Guerra Mundial, Mussolini está sob os cuidados de Rachele Guidi, com quem já tinha uma filha, viria a se casar e ter outros quatro. Uma imagem da Virgem Maria, intercalada aos planos de Rachele, define o lugar de mãe e mulher que ocupará na vida de Mussolini.

 

O suposto desequilíbrio que condenará Ida começa a ser fabricado quando ela se torna inconveniente, exigindo o reconhecimento dos seus direitos. Taxada mais de uma vez de “louca”, é afastada à força e agredida quando tenta se aproximar de um ministro fascista. Ferida e inconsciente, é entregue às freiras encarregadas do hospital psiquiátrico, e sua obstinação é tomada como sintoma de demência. Quando grita ser mulher do Duce, pendurada nas grades e tentando pedir ajuda, meninos que passam na rua, fora do muro do hospital, caçoam dela. Tomam-na por doida, enquanto uma freira recolhe no jardim os envelopes das cartas pedindo socorro que nunca chegarão aos destinatários.

A fabricação da loucura de Ida Dalser se completa no manicômio feminino de San Clemente, em Veneza. Amarrada na cama, ao insistir em se dizer casada com Mussolini, uma interna retruca: “E eu sou a mulher de Napoleão!”

 

Observada pelo psiquiatra do manicômio, Ida Dalser afronta e chama de ladrão o militante fascista que, além de ter recebido a tutela do seu filho, quer que ela assine autorização transferindo a ele seu patrimônio. Porta-voz do bom senso – uma forma de inteligência –, o psiquiatra diz a Ida que ela se engana: “A senhora ataca, está sozinha contra todos. O personagem que deve representar para se salvar não é de rebelde, mas da mulher fascista, doméstica. Agrade a madre superiora. A Igreja é a única mãe que os fascistas temem.”

Mas Ida pagará o preço da fidelidade a suas convicções, o que nas circunstâncias pode ser tomado como falta de inteligência. É uma mártir que percorrerá a via-crúcis por não saber representar. “Se eu morrer, quem vai me ouvir? Devo continuar a gritar a verdade.”

Ao assistirem a O Garoto, projetado ao ar livre no manicômio, a reação de Ida e das internas à famosa cena do filme de Chaplin – em que o vagabundo luta para impedir que o menino seja levado por agentes do serviço social, e no momento em que os dois voltam a se abraçar – parece surpreender o próprio psiquiatra. A emoção das espectadoras, adequada ao melodrama e conforme a norma, põe em questão o motivo de estarem internadas.

Ida Dalser e seu filho, Benito Albino, não viveram para ver a derrocada do fascismo nem o sofrimento imposto pelo Duce ao povo italiano quando submetido aos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Indo da tragédia pessoal à coletiva, Marco Bellocchio desvenda em Vincere o caráter criminoso do regime.

No final, o esmagamento do gigantesco busto de ferro de Mussolini atesta que a ditadura fascista não foi eterna. Mesmo tendo durado 21 anos, um dia chegou ao fim.

–

[1] Os artigos de Paulo Emilio citados foram republicados em Crítica de Cinema no Suplemento Literário, volume 2. Rio de Janeiro: Paz e Terra/Embrafilme, 1981.

Eduardo Escorel
Eduardo Escorel

Eduardo Escorel é cineasta. Dirigiu os documentários Antonio Candido, anotações finais, Imagens do Estado Novo 1937-45 e 1968 – Um ano na Vida, entre outros filmes

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