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… E a praça mudou de voz

Os ocupantes do asfalto ocidental defendem causas múltiplas e ideias que misturam presente e futuro

Dorrit Harazim
O parque Zuccotti, onde o Occupy Wall Street agora cria raízes, foi inaugurado no icônico ano de 1968. Chamou-se Liberty Park Plaza até 2006. Poderia ter mantido o nome
O parque Zuccotti, onde o Occupy Wall Street agora cria raízes, foi inaugurado no icônico ano de 1968. Chamou-se Liberty Park Plaza até 2006. Poderia ter mantido o nome FOTO: KHALIL HAMRA_AP_GLOW IMAGES

“O verdadeiro poder está na habilidade de fazer coisas inesperadas acontecerem”, acredita um dos aquartelados de primeira hora do movimento Occupy Wall Street que brotou meio esquisito no centro financeiro de Nova York e pipoca de forma espasmódica em quase uma centena de outras cidades americanas.

Naquele lado do mundo, a minoria que ronca em nome de uma maioria silenciosa (os autodenominados “99%”) culpa o sistema econômico falido de cobrir os Estados Unidos com o manto da apatia, depressão, ansiedade e do cinismo. Os manifestantes anticrise também estão, ou estiveram, nas ruas na Grécia, na Inglaterra, na Itália, na Espanha, nos países europeus que sucumbem à débâcle geral.

Ao contrário dos primos árabes, que podem computar como vitória cada derrubada de regime ou de governo, os ocupantes do asfalto ocidental defendem causas múltiplas e ideias que misturam presente e futuro: querem emprego, uma vida melhor, justiça, ambiente limpo, democracia para valer, fim dos privilégios. Alterar a sociedade, em resumo.

Entre a praça Tahrir e o movimento Occupy, uma certeza: já não basta mudar o povo, como propôs Bertolt Brecht. Talvez seja preciso mudar as coisas de um planeta que é o mesmo em todas as partes.

Dorrit Harazim

Dorrit Harazim é jornalista. Foi editora de piauí de 2006 a 2012

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