cartas

Nossa parceria com o Estadão é posta em debate pelos leitores

COMUNICAÇÃO INTEGRADA

A matéria que aborda a batalha eleitoral na internet (“Pancadaria na rede”, piauí_47, agosto 2010), comete um erro gravíssimo: trata a internet como apêndice da televisão. Ora, se é a internet o meio pelo qual candidatos podem “batalhar” de maneira mais igualitária, não faz sentido só acompanhar os candidatos televisivos ao falar da web. Isso se agrava quando vemos que Plínio de Arruda Sampaio é o candidato que mais tem demonstrado dinamismo na utilização deste meio, evidenciando as características que a internet tem e a televisão não tem. Basta vê-lo no YouTube conclamando a juventude a tuitar na sua rede no Orkut, Facebook, “hackeamento do debate” Folha/UOL, enfim… O exemplo de Plínio não é único, vale para todos os candidatos. E para os comentaristas políticos de plantão não vinculados a essa ou aquela candidatura – os que usam a internet para substanciar o processo democrático para além da escolha plebiscitária entre os “favoritos” da Vox Populi, do Ibope, do Datafolha e outros institutos cujos donos nem conheço…

Ao subordinar a internet à televisão, a matéria acabou também se subordinando à tevê. Assim, a “ditadura da tevê” segue firme, sem que percebamos o quanto somos responsáveis por ser ainda ela quem dá as cartas no processo político. Na era da comunicação integrada, da construção de redes multi-instrumentais de distribuição e acesso a ideias, a piauí foi careta e escorregou na casca de banana do conservadorismo.

Falem sobre quem está usando a internet para algo a mais, não sobre quem está usando a internet burocraticamente. Não precisamos de mais matérias de conservação dessa rocha que se tornou o processo eleitoral. Vocês falaram de “cúpula”, de “especialistas”, de “marqueteiros políticos”, de “aparelhamento”… Mas na internet não existia nada disso. Foram vocês que olharam, com os olhos de sempre.

GUILHERME PIMENTEL_RIO DE JANEIRO/RJ

MENTE EXPLOSIVA

Segundo a reportagem (a Despedida, “Uma mente explosiva”, piauí_45, junho 2010), foi uma bazuca que derrubou o helicóptero Phenix 3 modelo Esquilo AS-350 B2 do Grupamento Aéreo Marítimo da Polícia Militar no Rio de Janeiro. O correto, porém, é que a arma utilizada foi um fuzil antiaéreo calibre .30, que acertou partes importantes da aeronave e com isso provocou a sua queda “controlada”.

RENATO TAMBELLINI_SÃO PAULO/SP

ATÉ AS SENHORAS DE SANTANA ESTÃO LENDO…

Foi muito divertido ler a Folha de S.Paulo no domingo, 1º de agosto deste 2010 modorrento. Na página 16 há uma nota com o título “Saiu Fordlândia, um grande livro”. Adiante, na página 22 do caderno Ciência, o jornal penetra “fundo” na vida e carreira de Artur Ávila.

Fecha o pano, voltem as fitas. Piauí_40, janeiro 2010 (“Artur tem um problema”) e piauí_45, junho 2010 (“Matem todos os americanos”) trataram dos mesmos assuntos com perfeição, riqueza de detalhes e, o principal, com estilo. Pelo menos resta um fio de esperança. Quem sabe nos próximos anos a nossa emergente classe média poderá ler no jornal algumas resenhas de edições antigas da piauí.

ADALBERTO CAPELLI_OSASCO/SP

GOTLIB

Ao perceber que havia Gotlib na piauí­_47 (agosto 2010) prometi a mim mesmo não ler as páginas 76 e 77.

Adoro ler a revista (alô, srs. anunciantes: leio até as páginas de propaganda). O artigo “Data venia, o Supremo” está supremo. Lida a revista, já ia guardá-la quando sucumbi e acabei lendo as duas páginas mencionadas. Mania de não guardar a revista de forma incompleta. Agora não tenho adjetivos pra qualificar como me senti: pasmo, bestificado, irado, aturdido… É ruim demais esse Gotlib. Na próxima edição, ainda na banca, verei se tem o autor. Tendo (alô, srs. anunciantes) deixo-a por lá. Estão avisados.

LUCAS COTRIM_CAMPINAS/SP



APEDREJANDO PÔNEIS

Maicon Douglas é nosso herói! (“Apedrejando pôneis em baile”, piauí_47, agosto 2010). Aqui em casa mesmo já tive que ouvir o verso “Zabelê, zumbi, besouro, vespa fabricando mel”, da música Linda juventude, do 14 Bis, cantado assim: “A beleza de um besouro, vê se tá fabricando mel.” Preservando a falta de sentido, cá para nós, ficou bem melhor que o original.

CRISTINA LEITE_BELO HORIZONTE/MG

CHOQUE PHOTOS

Lendo a seção Portfólio da edição 47 (“Na corda bamba, mano”, piauí_47, agosto 2010) sobre esses suburbanos que praticam atos criminosos pichando prédios que outros terão que pagar para limpar, me deu vontade de fazer treinamento para franco-atiradora. Refleti mais vinte segundos e resolvi lançar a seguinte pergunta: por que essa gente não usa essa agilidade toda para lavar janelas?

ANGELICA LARA_SÃO PAULO/SP

OS DICIONÁRIOS DE MEU PAI

Tenho um exemplar do Dicionário Analógico do xará do Francisco Buarque (“Os dicionários de meu pai”, piauí_45, junho 2010). Edição de 1950, exemplar número 2 781. Fui dar uma olhada nele. Que me desculpe o Chico, mas prefiro o do Carlos Spitzer, S. J. Já usei tanto meu exemplar de 1956, quinta edição, que tive de remendar a capa.

TIAGO M. BEVILAQUA_INDAIATUBA/SP

CLASSE ECONÔMICA

Desde que me tornei mãe de trigêmeos, nunca mais consegui ler minha piauí. Agora, pela primeira vez em dois anos, consegui férias de uma semana! Resolvi levar minhas quatro revistas atrasadas e colocar a leitura em dia. Surpresa: a classe econômica não comporta o tamanho da revista! Sofri para ler. Sugiro reduzir as dimensões da revista. Ou pagarem classe (no mínimo) executiva para os leitores.

LUCIANE ROSSI_JANDIRA/SP

SUPREMO

Além de parabenizar Luiz Maklouf pela reportagem (“Data venia, o Supremo”, piauí_47, agosto 2010), gostaria de contribuir com uma informação. Atualmente, os ministros do Supremo podem contar não só com um juiz “assessor”, mas com dois. A lei 12019, do ano passado, permite a convocação de um segundo magistrado de carreira para funcionar como “juiz instrutor” em processos criminais.

A reportagem deixa entender que os ministros embolsam 26 mil reais por mês, e ainda levam para a aposentadoria o dinheiro que eventualmente recebem do Tribunal Superior Eleitoral, bem como a gratificação pelo exercício do cargo de presidente da corte. Na verdade, a gratificação pelo exercício da presidência e o jetom do tse não são levados para a inatividade. E a remuneração líquida dos ministros não passa da casa dos 16 mil reais, devido aos descontos obrigatórios. Se esse valor é muito ou pouco, caberá aos leitores julgar.

JULIANO TAVEIRA BERNARDES_GOIÂNIA/GO

INDIO DA COSTA

Ler sobre os “vinte anos de atuação na vida pública” – iniciada em 1996; 2010 – 1996 = 14 (?!) – do “senhor sabe quem está falando” Antônio Pedro Indio da Costa, candidato a “presidente da República, quer dizer, vice-presidente”, e sobre as recentes circunstâncias quase trágicas que mudaram a sua “forma de ver a vida” (“Ego nas alturas”, piauí_47, agosto 2010), me fizeram recordar uma frase do dr. House (do seriado de tevê homônimo): “Quase morrer não muda nada. Morrer muda tudo.”

GUSTAVO LAET GOMES_SÃO PAULO/SP

LEITOR FELIZ

Queridos jornalistas, cartunistas, redatores, administradores, porteiros, motoboys, revisores e o escambau a quatro: renovei a assinatura por outras 36 edições. Está se tornando cada vez mais raro eu gastar dinheiro (o pouco que tenho) com alegria, entusiasmo, prazer.

Em frente!

FRANCISCO ENO_ITU/SP

NOTA DA REDAÇÃO: O escambau agradece. Itu é grande.

 

ESTADÃO

Estou sem palavras: ver vocês no site do Estadão todos os dias tem sido um prazer sem fim. Finalmente alguma coisa acessível para as pessoas que gostam de ler, independente da mídia. Essa cartilhazinha de que “o público da internet gosta de textos curtos e tudo o que vier em forma de item” é uma porcaria. Sou do time que acha que quem lê, lê independente de onde, e quem não lê gosta de fingir que lê.

ENIO RODRIGO_CAMPINAS/SP

Se a srta. piauí tivesse decidido se candidatar à Presidência da República, teria grandes chances de ir morar na Granja do Torto. Não bastasse o desgosto (para nós leitores avessos a catecismos) de vê-la guiada às ruas pelas mesmas mãos de Veja, agora temos de vê-la enlaçada ao Coronel da Beira-Fedida do Rio Tietê, também conhecido como Estadão. De lambuja, a srta. piauí tem ostentado (considerando somente a edição 47) em suas vestes as grifes Camargo Corrêa, Vale, Itaú, Nestlé, Ambev, Shell, Coca-Cola, DPNY Beats, TAM, Editora Globo, Banco Real, PricewaterhouseCoopers. Está mais shopping do que a camisa do Corinthians! Para chegar ao Planalto, a srta. piauí precisa de mais o quê? Talvez de uma ajudinha da Febraban, da Fiesp, e isso baste.

HERMES FONSECA_OSASCO/SP

LYDIA DAVIS

Fiquei encantada com a edição de Lydia Davis, que não consigo parar de ler desde 2007, quando a Editora Nova Fronteira me pediu um parecer. Recomendei veementemente, mas eles não se interessaram. Alô, editoras! Parabéns, só achei que ficou faltando o crédito do tradutor.
MARIA SILVIA CAMARGO_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA DA REDAÇÃO: O crédito para Rubens Figueiredo está na página 6, na lista de colaboradores da edição 47.

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