questões de ontem e hoje

El Salvador

A respeito da força e da fragilidade

João Moreira Salles
Se o propósito da força é abafar a dissonância, o propósito de quem se opõe à força deveria ser o de abrigar tudo o que destoa, o que é irrelevante, o que fala baixo, o que parece pouco
Se o propósito da força é abafar a dissonância, o propósito de quem se opõe à força deveria ser o de abrigar tudo o que destoa, o que é irrelevante, o que fala baixo, o que parece pouco FOTO: ALCINO LEITE NETO_2018

No dia seguinte ao incêndio do Museu Nacional, um amigo me escreveu: “Estou pessoalmente arrasado. Era meu museu predileto no Rio. Estive lá no mês passado e fiz essa foto (naturalmente amadora) desses belíssimos coleópteros (se não estou enganado sobre o termo técnico). Havia outros milhares, igualmente lindos. Todos foram destruídos.” Seguia-se a imagem de uma vitrine de besouros, 81 deles dispostos impecavelmente, os maiores na retaguarda, os medianos na frente e, no meio, protegidos, os menores de todos, perfilados de par em par no que supus serem casais de macho e fêmea. Parecia um desfile.

Aqueles pequenos seres haviam sido sacrificados em nome do conhecimento e agora estavam ali para que todos nós, como meu amigo, pudéssemos nos comover com a beleza dos besouros viventes. Alguns traziam no dorso motivos abstratos que lembravam finos brocados; outros tinham patas tão delgadas quanto um fio de cabelo; outros ainda, antenas que se abriam em forma de leque ou alicate. Estavam ali graças ao trabalho zeloso de gerações de entomólogos que decerto amaram esses bichos.

Besouros e joaninhas pertencem à ordem Coleoptera. Lendo sobre coleópteros, aprende-se, por exemplo: 1) que seu nome deriva do grego – de koleos (estojo) e pteron (asas) – e que “estojo de asa” se explica pelo fato de esses insetos recolherem as asas de voo para o interior de rígidas asas externas, como quem guarda papel-arroz dentro de cartolina, um feito deslumbrante da evolução que os tornou um grupo extremamente bem-sucedido – a ordem é das que possuem o maior número de espécies dentre todos os seres vivos; 2) que algumas espécies medem 1 milímetro e outras são mais leves do que um grão de açúcar; 3) que algumas famílias cuidam dos filhotes; e 4) que as antenas de um membro da Coleoptera têm apenas três segmentos verdadeiros, um dos quais se chama flagelo.

É difícil ficar indiferente aos besouros depois de saber o mínimo sobre eles. Tudo nasce do ato de prestar atenção. Foi o que fez meu amigo ao tirar a fotografia que ele próprio, com razão, classificou como “naturalmente amadora” (basta notar os reflexos no pé da vitrine, na foto ao lado). Quando se viu diante desses bichos, fez um registro simples, sem cálculo, um gesto gratuito de empatia. Pouco depois, a vitrine deixaria de existir. Sobrariam a imagem dela, a tristeza do meu amigo e o fato de você estar lendo sobre besouros. É muito pouco diante do que se perdeu, mas não deixa de ser alguma coisa. Os besouros estão sendo lembrados.

 

Num pequeno livro intitulado O Único e o Singular, o pensador francês Paul Ricœur diz o seguinte: “Onde há poder, há fragilidade. E onde há fragilidade, há responsabilidade. Quanto a mim, diria mesmo que o objeto da responsabilidade é o frágil, o perecível que nos solicita, porque o frágil está, de algum modo, confiado à nossa guarda, entregue ao nosso cuidado.”

Existem certamente várias maneiras de medir as virtudes e os fracassos de um país ou, mais propriamente, dos que o construíram. Avaliar se correspondemos ou não à responsabilidade descrita por Ricœur é uma delas. No dia em que o Museu Nacional ardeu, evidenciou-se, uma vez mais, nossa incapacidade de zelar pelo que é frágil. Foram-se os besouros, os pássaros, os peixes, os ossos de animais já desaparecidos; foram-se as coleções de fósseis, de plantas, de idiomas extintos, com suas palavras que nunca mais serão pronunciadas; foram-se um pente, uma boneca, um afresco, uma urna, um par de sandálias e a múmia de um gato. Um mundo de coisas delicadas que estavam confiadas à nossa guarda.

É possível mudar o enfoque e pensar não a partir do nosso ponto de vista – nosso, dos guardiães do museu –, mas da perspectiva de tudo o que estava lá. A nós, cabia uma responsabilidade; às coleções, um direito: o de existir. Segundo Alan Jacobs, autor de The Year of Our Lord 1943 [O Ano de Nosso Senhor de 1943; sem edição no Brasil], cujo tema é o pensamento de cinco intelectuais cristãos durante os anos da Segunda Guerra, era essa a perspectiva do filósofo católico francês Jacques Maritain. Diante das aflições do mundo, o que mais lhe importava não era o que nós, observadores do sofrimento alheio, possuíamos – ou seja, obrigações –, mas antes o que possuíam os que sofrem – isto é, direitos. Se, como pensa Ricœur, a responsabilidade diz respeito ao dever de proteger o frágil, isso decorre do simples fato de que o frágil tem o direito de estar a salvo do descaso, da brutalidade, do fogo, da destruição.

A desatenção é a primeira etapa da violência. Esse é um dos grandes temas de uma das personagens do livro de Jacobs, a francesa Simone Weil. “Nós que vemos o outro nas garras da aflição, nós somos obrigados, primeiro e acima de tudo, a prestar atenção”, observa Jacobs, a respeito do pensamento de sua personagem. Weil dedicou a vida a enxergar os frágeis, aos quais voluntariamente se juntou. De família burguesa e culta, foi operária de fábrica, trabalhadora agrícola, combatente na Guerra Civil Espanhola e militante, na Inglaterra, da Resistência francesa. A saúde muito precária a impediu de lutar em seu país; a liderança do movimento negou seu pedido para se infiltrar na França, pois entre os resistentes ela se tornaria mais um fardo que um benefício. Exilada em Londres, recusava todo alimento além da ração diária permitida aos franceses sob a Ocupação nazista. Morreu de tuberculose num sanatório em solo inglês, aos 34 anos de idade.

Olhar, ver, notar. O pensamento de Weil sugere que, sem isso, não existe empatia, e na ausência de empatia vem o descuido (na melhor hipótese) ou a selvageria (na pior). Uma foto serve de exemplo: três homens e uma placa de rua partida ao meio. O primeiro segura a placa, o segundo faz uma selfie, o terceiro ergue o punho. Os dois primeiros sorriem, enquanto o terceiro discursa com um microfone rente à boca. A placa vandalizada homenageia uma mulher assassinada. Os três estão felizes. Que hoje, quando estas linhas estão sendo escritas, tenhamos de nos esforçar para absorver a informação de que o primeiro vândalo foi eleito deputado estadual, o segundo, deputado federal, e o terceiro, governador de estado mostra o que se passa com pessoas que ab-rogaram a responsabilidade de que fala Ricœur.

A selvageria tem um cortejo de avatares: descaso, grosseria, estupidez, cinismo, truculência, ferocidade. Simone Weil diria que cada uma dessas manifestações reduz o seu objeto a coisa. Isso porque são, todas elas, expressões da força. A força é sempre violenta. É o que subjuga. “A força é o que transforma em coisa qualquer um a ela submetido. Quando se exerce a força até o fim, ela faz do homem uma coisa no sentido mais literal, pois o transforma num cadáver”, escreveu no ensaio que dedicou à Ilíada e que – ela não poderia saber – diz respeito ao Brasil também.
O descaso transformou os besouros em coisa. A estupidez transformou a placa em coisa. A selvageria transformou Marielle Franco em coisa. De um lado, os perpetradores; de outro, as vítimas. Ou, nos termos de Weil, os fortes e os frágeis.

 

Uma vez, indo para o estádio do Engenhão, fiquei preso no trânsito da Linha Amarela, uma via expressa que corta o Rio de Janeiro. Tentei tomar uma alça de saída e me dei mal. Eram carros a centímetros uns dos outros, motos cerzindo pelas frestas, gente tacando a mão na buzina, uma van soltando fumaça negra a cada arranco irritado do motor em ponto morto. Plumas de vapor subiam do asfalto escaldante – era fevereiro –, e, no meio daquilo tudo, uma galinha. Perdida entre os carros, confusa, sem saber como se salvar. A cada moto que chispava em sua direção ela corria para debaixo de uma carroceria, apenas para emergir logo em seguida, a carne trêmula, a cabeça em pêndulo buscando uma saída. Era uma criatura vulnerável cercada de brutalidades – o movimento do aço, a fumaça dos escapamentos rente ao corpo, o chão em brasa, o barulho enlouquecedor. Saltava aos olhos o contraste entre sua aflição e o descaso com sua existência. Ela estava absolutamente desamparada. Já faz anos e não me esqueço. Até hoje, é uma das grandes solidões de que tenho memória. Queria ter saído do carro para ajudá-la a deixar a pista. Melhor ainda, queria que alguém tivesse feito isso. Teria sido uma lição inesquecível de decência, uma demonstração empírica da responsabilidade de Ricœur e do dever de prestar atenção de que nos fala Simone Weil.

Ela escreveu: “Não devemos pensar que haveremos de vencer apenas por sermos menos brutais, menos violentos, menos desumanos do que aqueles que estão diante de nós. A brutalidade, a violência, a desumanidade têm um prestígio imenso […]. As virtudes contrárias, para que tenham prestígio equivalente, devem ser exercidas de maneira constante e efetiva. Quem é apenas incapaz de ser tão brutal, tão violento, tão desumano quanto o outro, sem contudo exercer as virtudes contrárias, é inferior a esse outro seja em força interior, seja em prestígio; e não se sustentará no confronto com ele.”

De nada adianta chamar o outro de fascista, e não só porque boa parte das vezes se trata de um uso impreciso da palavra, o que a faz perder o gume. Como mostra Weil, o problema é que as pessoas aderem à brutalidade justamente por achar que essa é uma resposta possível. Classificar alguém como fascista provavelmente tornará o classificado ainda mais popular. Exercer as “virtudes contrárias” começaria, assim, menos pela devolução da estridência e mais pelo reconhecimento da necessidade de prestar atenção, não por ser isso um gesto piedoso, mas por representar um ato radical de solidariedade a quem se encontra subjugado pela força.

Há outro motivo para prestar atenção, um motivo não propriamente egoísta, apenas um modo de manter alguma integridade. Nenhuma pessoa decente desejaria se ver no lugar de um daqueles três homens que comemoraram com escárnio a violação simbólica de uma mulher inocente que morreu assassinada. Weil nos mostra que a força transforma em coisa não só a vítima, mas também o algoz: “Da mesma forma que esmaga, a força inebria impiedosamente qualquer um que a possua, ou julgue possuí-la. Ninguém a possui efetivamente. Os homens não se dividem, na Ilíada, entre vencidos, escravos e suplicantes, de um lado, e vencedores e chefes, do outro; nela não encontramos um único homem que não se veja, em algum momento, compelido a se curvar à força.”

As doutrinas políticas não costumam aconselhar o excesso, afirma Weil. “A tentação do excesso é que é quase irresistível.” Começa-se na placa e chega-se rápido ao fetiche de aparatos mecânicos que miram com precisão para acertar “na cabecinha”. Weil nos leva a perguntar se alguém que pensa assim deixou de ser gente, ao menos no sentido que interessa, o da decência. E também se virou coisa, e coisa do pior tipo, pois, no caso de quem exerce a força, a condição é autoinfligida e foi buscada com gozo. Reparem naqueles sorrisos. “A piedade em relação aos mortos: fazer tudo por quem já não existe”, nos diz Weil, descrevendo um dever que esses três homens não saberiam reconhecer.

Para se manter entre a gente de bem, seria preciso, então, desrespeitar o império da força, o que implica parar antes que a tentação de usá-la sobre os outros se torne irresistível. Em 1939, pediram ao poeta inglês W. H. Auden que falasse num evento para angariar fundos em prol da causa republicana espanhola. Pouco tempo depois, em carta a um amigo, ele relataria a experiência. “De repente, descobri que eu era realmente capaz disso, que podia despejar ali uma falação demagógica e fazer a plateia urrar. A sensação foi tão arrebatadora quanto degradante. Me senti imundo depois.”

É o início do processo descrito por Weil. Usa-se a força para além da justa medida e, de pronto, a força passa a exercer seu domínio. Eis por que os guerreiros da Ilíada, vencedores ou vencidos, acabam subjugados. Ao virar coisa, não merecem de Homero nem admiração nem desprezo, “tão somente comiseração, por serem os homens passíveis de se transformar assim”. O que vai, vem. E ela conclui, lindamente: “Somos geômetras apenas diante da matéria; os gregos foram, antes de tudo, geômetras no aprendizado da virtude.”

 

A felicidade, para Weil, era uma forma de acolhimento no mundo. De sentir-se nele como quem se sente no seu lugar natural (que pode ser o desterro, como no caso dela, a ausência de casa). A isso ela chamava enraizamento, título do estranho livro que escreveu durante os momentos finais de sua vida. Existe ali a marca de quem tem algo importante a dizer, mas pouco tempo para dizê-lo. Weil observa que é muito difícil definir o que significa se sentir enraizado. Mais fácil, talvez, seja identificar o que desenraíza.

A desordem desenraíza. Todos nós temos obrigações – com a família, o trabalho, a cidade, os outros, a própria consciência. A desordem surge quando se é coagido a violar essas obrigações para cumprir outras. “Todo aquele que, para simplificar os problemas, nega certas obrigações, conclui em seu coração uma aliança com o crime.” A força, claro, entra aqui também. Quem obriga outrem a romper com seus deveres é causador de desordem. É um agente do desenraizamento.

O medo desenraíza. Os senhores romanos expunham um chicote no vestíbulo à vista dos escravos, diz Weil. Sabiam que esse espetáculo “punha as almas no estado de semimorte indispensável à escravidão”. Pense-se numa eventual carta branca dada a agentes da ordem que participam de incursões em comunidades pobres brasileiras. É também de situações assim que Weil nos fala no ensaio dedicado à Ilíada, ao refletir sobre o gesto de um guerreiro que, já no chão, apara a arma do adversário prestes a matá-lo: “com uma mão tocou-lhe os joelhos em súplica,/enquanto com a outra agarrava a lança afiada e não a largava”. Ela diz: “Um homem desarmado e nu para o qual se aponta uma arma vira cadáver antes de ser alvejado.” A súplica não tem resposta e o guerreiro compreende que morrerá. Sem esperança, ele se põe de joelhos e estende os braços à espera do golpe. Morre prostrado, encharcando a terra de sangue.

A insegurança desenraíza. “A segurança é uma necessidade essencial da alma […]. O medo ou o terror, como estado de alma duradouro, são venenos quase mortais, quer a causa seja a possibilidade do desemprego, ou a repressão policial, ou a presença de um conquistador estrangeiro, ou a espera de uma invasão provável, ou qualquer outra desgraça que parece ultrapassar as forças humanas.”

Submetidos às tensões que o retiram da morada em que se sentiria amparado, não resta ao indivíduo desenraizado senão pensar segundo os termos de que dispõe, ou seja, os da violência e da força. O que vai, vem. As armas, as feridas e o sangue agora são uma solução. Weil poderia estar se referindo à situação de muitos brasileiros quando escreve que, “mergulhados na desgraça de corpo e alma, como imaginariam algo que não tenha essa marca?” – isto é, a marca da desgraça. E por que então se surpreender se buscam quem domina esse código?

A partir desse momento, passamos a viver numa espécie de tempo permanente do id. O tempo do id clama por um líder que fale o idioma da força. O atributo principal do homem forte será a capacidade de convencer o povo de que é melhor confiar mais na intuição do que no juízo. A razão pode ser manipulada, ele dirá. Já no terreno da intuição, cada opinião vale tanto quanto a de qualquer um. Dado esse relativismo radical, o critério de desempate é a veemência, ou, se preferirem, a brutalidade. Que ninguém se impressione, portanto, com o êxito dos estridentes. Contudo, alcançar vitórias, ainda que nas urnas, não se confunde com estar certo. Como lembrou um velho reitor da Universidade de Chicago, se êxito for a medida da justiça, o justo estará sempre do lado de quem tiver mais batalhões.

A vulgaridade das maneiras exibidas na praça (“Preparem-se, esquerdopatas: no que depender de nós, seus dias estão contados!”), os grunhidos que celebram a ignorância (“O aquecimento global proporcionando o dia mais frio do ano no Rio de Janeiro!”), a maldade (“O erro da ditadura foi torturar e não matar”), a misoginia (“Não ia estuprar você porque você não merece”), o preconceito (“O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro ele muda o comportamento dele”), a violência (acertar “na cabecinha”), são coisas que configuram não só diferentes formas de brutalidade, mas também um estilo. A escolha das palavras, os gestos com que elas são ditas, a ênfase, a falta de polidez, as ameaças, até mesmo os erros de gramática, tudo isso é informação e faz parte efetivamente do que é dito. Quem sabe, a parte mais importante da comunicação. A evidência está na constância da forma, tão maior que a do conteúdo. Se a verdadeira mensagem é o estilo, o resto pode mudar. E muda. Com frequência, o líder volta atrás quando as conveniências assim exigem, sem que pague caro pelo recuo. Basta que a nova posição seja expressa com a mesma estridência com que se defendeu a asserção agora negada. O líder não é necessariamente um demagogo. A sinceridade diz respeito antes de tudo ao modo crispado com que ele promete atuar no mundo.

De fato, não importa muito a natureza da ideia. Weil lembra uma observação de Hitler sobre a propaganda, “a saber, que a força bruta não pode levar a melhor sobre ideias se está sozinha, mas que o consegue facilmente, associando-se a algumas ideias que podem ser de baixíssima qualidade […] Nenhum pensamento é excessivamente medíocre” para não ser um bom aliado da força.

Se boçalidade é um estilo, então adotá-lo configura, além de erro moral, erro estético. Logo, estratégico também, pois significa aceitar termos que o outro domina melhor, termos que, como ensina Weil, têm a qualidade de petrificar a alma.

Alguém poderia pensar que o oposto da truculência é a mansidão, mas não. É a civilidade. A escritora italiana Natalia Ginzburg publicou em 1963 um livro de memórias sobre sua família antifascista durante os anos de ascensão de Mussolini. Chama-se Léxico Familiar e trata sobretudo dos afetos que uniam pai, mãe, irmãos e amigos. Os fascistas existem, mas vivem nas periferias do livro, como se a delicadeza constituísse a redoma protetora dentro da qual se conserva a saúde e a honradez, sem o que é difícil resistir ao barulho obsceno das ruas. Tudo isso é descrito na mais simples das prosas. No posfácio à edição brasileira, o professor Ettore Finazzi-Agrò observa como essa linguagem discreta e sem estridência “corresponde a uma escolha econômica, de atenção ao interior da casa, em claro contraste com uma política que não oferece nenhum amparo ao indivíduo, sendo só preocupada com as massas, com as reuniões teatrais, ‘monumentais’, de milhares de pessoas sob o encanto de um pai belicoso”; a narrativa pode ser lida como a “vingança não violenta de uma memória e de uma história ‘de bem’, contra uma História se sustentando de violência e de mal”.

Voltamos, assim, à questão dos frágeis. O indivíduo merece amparo porque, no mundo da força, ele é a parte fraca. O poder é por definição muitos, nunca é sozinho. Sozinho é o indivíduo. A pessoa tem segredos que escapam à multidão, dizia Maritain, e é essencial reconhecer isso. A brutalidade não tem tempo a perder com as pequenas idiossincrasias de cada um. O que ela deseja é a ordem-unida, o coro. Se o propósito da força é abafar a dissonância, o propósito de quem se opõe à força deveria ser o de abrigar tudo o que destoa, o que é irrelevante, o que não chama atenção, o que fala baixo, o que é tido como dispensável, o que parece pouco.

Os laços que unem essas coisas são discretos, não ostentam. Parecem mais frágeis do que os professados pelos que berram na praça. A questão diz respeito à liga produzida, respectivamente, pelo afeto e pelo ódio. A aposta é de que a primeira seja mais resiliente. Se é verdade que o id não faz planos, não espera e não estabelece ligações estáveis; se é fato que desconhece juízo, valores, ética ou moral, então a relação dos liderados com seu líder (e com tudo o que ele representa) será marcada mais pelo fascínio imediato do que pela admiração duradoura. “Pode haver algo mais monstruoso e mais triste do que uma idolatria sem amor?”, pergunta Weil.

 

Roque Dalton foi um poeta salvadorenho. Em 1975, durante a guerra civil em seu país, foi executado pelo grupo armado de esquerda no qual militava, depois que parte da liderança o acusou, equivocadamente, de ser informante da CIA. É de Dalton um dos poemas mais conhecidos de El Salvador. Fala dos que são dispensáveis:

Poema de amor

Os que alargaram o Canal do Panamá
(classificados como trabalhadores “de segunda” e não “de primeira”),
os que consertaram a frota do Pacífico
nas bases da Califórnia,
os que apodreceram nas prisões da Guatemala,
do México, Honduras, Nicarágua,
como ladrões, contrabandistas, vigaristas,
como mortos de fome,
os sempre suspeitos de tudo
(“permito-me enviar-lhe este indivíduo
suspeito de ficar à toa nas esquinas,
e com o agravante de ser salvadorenho”),
as que lotaram bares e bordéis
de todos os portos e capitais da região
(“A Gruta Azul”, “A Calcinha”, “Happyland”),
os que semeiam milho em plena selva estrangeira,
os reis da página policial,
os que nunca se sabe de onde vêm,
os melhores artesãos do mundo,
os que foram crivados de bala atravessando a fronteira,
os que morreram de malária
ou de picada de escorpião ou jararaca
no inferno dos bananais,
os que bêbados choraram pelo hino nacional
sob o ciclone do Pacífico ou a neve do Norte,
os agregados, mendigos, maconheiros,
cucarachos filhos de uma puta,
os que mal conseguiram voltar
os que tiveram um pouco mais de sorte,
os eternos não documentados,
os faz-tudo, os vende-tudo, os come-tudo,
os primeiros a puxar a faca,
os tristes mais tristes deste mundo,
meus compatriotas,
meus irmãos.

 

“Tudo que, no seio da alma e das relações humanas, escapa ao império da força é amado, mas amado dolorosamente, devido ao perigo de destruição sempre à espreita”, escreveu Simone Weil. Se compreendo bem, a ela e aos demais pensadores da fragilidade, o que eles propõem, ainda que sem usar estas palavras, é uma espécie de união dos frágeis, nascida de uma consciência que busca trazer para perto o que é comum, não o que distingue. A identificação não se dá mais apenas entre frágeis iguais – nos termos de hoje, entre indivíduos vulneráveis que, em resposta à opressão, buscam forjar solidariedades sobretudo com quem vive circunstâncias iguais de raça, classe, gênero e orientação sexual –, mas entre frágeis outros que compartilham entre si a condição da precariedade.

Um mestre do sufismo recomendava não separar demasiado as criaturas do mundo: “Há um segredo sutil em cada um dos movimentos e dos sons deste mundo. Os iniciados chegam a captar o que dizem o vento que sopra, as árvores que se curvam, a água que corre, as moscas que zunem, as portas que rangem, o canto dos pássaros, o dedilhar de cordas, o silvo da flauta, o suspiro dos enfermos, o gemido dos aflitos.” As divisões identitárias cedem lugar a uma solidariedade mais ampla, que transcende gêneros, espécies, reinos. Os besouros lambidos pelo fogo, as árvores no caminho dos machados, a floresta diante dos bois, os bois a caminho do matadouro, as pessoas na mira dos fuzis, os morros roídos pela incúria, a galinha no asfalto, o museu abandonado, o policial com medo, os rios imundos, as minorias humilhadas – todos eles, tudo isso, e muito mais, são uma coisa só.

A passagem do mestre sufista aparece em Laudato Si’ [Louvado Sejas], carta encíclica do papa Francisco. Tem como subtítulo “Sobre o cuidado da casa comum” e trata da ligação íntima entre as coisas frágeis deste mundo. Segundo Jorge Mario Bergoglio, vislumbra-se a violência dos homens nos sintomas de adoecimento que notamos “no solo, na água, no ar e nos seres vivos”. Para combater esse estado de coisas, ele recorre ao homem de quem tomou o nome, Francisco de Assis, um místico à beira do desvario que pregava não só para seus semelhantes, mas também para os bichos e as plantas. Essa aparente loucura seria muito simplesmente a afirmação de uma ecologia integral, pela qual não se separa o que sofre um destino comum.

Ele foi um revolucionário que por pouco não provocou um cisma na Igreja. Seu ato político extremo não foi apenas retornar a uma teologia dos fracos, mas estender sua atenção para além da espécie humana. Ao concluir que todas as criaturas estão interligadas, decidiu estabelecer laços de carinho entre tudo que existe. Para Francisco de Assis, um lobo com fome era mais digno de atenção do que um cardeal coberto de ouro. Se o atual papa escreve sobre “a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta”, é porque, 800 anos atrás, Francisco indicou a relação.

“A pobreza e a austeridade de são Francisco não eram simplesmente um ascetismo exterior, mas algo de mais radical: uma renúncia a fazer da realidade um mero objeto de uso e domínio”, escreve Bergoglio. Desse uso e domínio, claro, chega-se fácil à exploração feroz da Terra, como se o homem tivesse perante si uma natureza totalmente disponível para manipulação. No dia em que escrevo isso, um domingo em fins de novembro, o jornal traz como manchete principal a informação de que empresas e ruralistas estão se mobilizando para ampliar ganhos em áreas indígenas.
É, uma vez mais, a força que se manifesta. Ela é incapaz de aceitar a renúncia desinteressada, a decisão de não explorar porque outros seres têm o direito de existir. A lição de Francisco de Assis diz respeito a esse dom da gratuidade. As coisas merecem ser, ponto final. Dispensa-se a apresentação de provas. A afirmação por si só deveria bastar.

Mas não é assim. Nem todo mundo se preocupa com o que não tem utilidade ou se abstém de converter em mercadoria tudo aquilo em que toca. Laudato si’ alerta para o crime dessas empreitadas. As narrativas bíblicas, diz a encíclica, mostram que a existência humana se baseia em três relações fundamentais intimamente ligadas: com Deus, com o próximo e com a terra. Esses três vínculos se romperam. “Esta ruptura é o pecado”, afirma Bergoglio.

É comum, hoje, que certa teologia fique com a primeira relação e descarte as outras duas. Deus, sim; o próximo e a terra, quem sabe. Tudo leva a crer, por exemplo, que esse é o matiz do catolicismo professado com ardor pelo futuro chanceler brasileiro. Que cerca de 50% das espécies de certos ecossistemas possam desaparecer em menos de cem anos graças ao aquecimento global – fenômeno que o diplomata chama de “climatismo”, considerando-o um complô da esquerda – ou que já estejamos testemunhando um evento de extinção maciça de plantas e bichos, nada disso merece uma só linha de compaixão nas elucubrações públicas que ele dedica ao meio ambiente. Já o risco de rompermos com Deus por obra de um suposto projeto “globalista” parece ocupar boa parte de seus esforços, a ponto de o embaixador ser mais conhecido por tais temores do que por suas realizações em benefício da diplomacia brasileira.

É de supor que ele não nutra grandes admirações pelo papa Francisco. Já por João Paulo II, sim. Sugiro então que reflita sobre esta afirmação do polonês: “Se o olhar percorre as regiões do nosso planeta, apercebemo-nos depressa de que a humanidade frustrou a expectativa divina.” Adianto que Karol Wojtyła não se referia a sistemas totalitários, mas ao homem que “devastou sem hesitações planícies e vales cobertos de bosques, poluiu a água, deformou o habitat da terra, tornou o ar irrespirável, perturbou os sistemas hidrogeológicos e atmosféricos, desertificou espaços verdejantes, levou a cabo formas de industrialização selvagem, humilhando, para usar uma imagem de Dante Alighieri, o ‘canteiro’ que é a terra, nossa morada”.

Por fim, o descaso com os seres vulneráveis da Criação remete ao descumprimento de um último dever, que é o da solidariedade com quem ainda não nasceu. “Quando pensamos na situação em que se deixa o planeta às gerações futuras, entramos noutra lógica: a do dom gratuito, que recebemos e comunicamos”, observa Bergoglio. Falta a quem desconsidera isso “a consciência duma origem comum, duma recíproca pertença e dum futuro partilhado por todos”. Como escreveu em 1942 o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, olhando a paisagem humana de seu país, “em última instância, a pergunta que um homem responsável deve fazer não é como se salvar heroicamente, mas como será a vida para a próxima geração”.

 

Uma semana depois de Hitler assumir o poder, em janeiro de 1933, Bonhoeffer, então com 27 anos, escreveu a Reinhold Niebuhr, seu mestre americano: “Seria precipitado dizer uma palavra que seja sobre o estado das coisas aqui na Alemanha. Tudo mudará substancialmente por aqui, e não seria razoável esperar o contrário, seja do ponto de vista econômico, político ou social. Contudo, uma ameaça ainda maior é a terrível barbarização da nossa cultura…”

Bonhoeffer, que seria executado pelos nazistas por sua resistência ao regime, temia por várias coisas: pela estridência, arbitrariedade e violência do novo poder; pela exaltação da força como valor supremo da nação; e pelo que chamou de “fracasso dos sensatos – aqueles que, com a melhor das intenções e errando na avaliação ingênua que fazem da realidade, pensam que com um pouquinho de razão lógica serão capazes de remendar as estruturas que saíram dos eixos”. Nessas circunstâncias, ele pergunta: “Quem permanecerá firme?”

Muitos compatriotas seus acreditariam na possibilidade da isenção ou suporiam possível aderir, ainda que lamentando alguns excessos do regime. Falava-se também de “emigração interior”, o mergulho dentro de si, a ilusão de se manter ao largo dos acontecimentos. Alemães de boa consciência que não quiseram seguir vivendo numa nação que tomara aquele rumo deixaram o país. Bonhoeffer foi um deles. Em 1939, estava nos Estados Unidos, onde fora convidado a lecionar num seminário luterano. Em julho, ao receber a informação de que os alemães estavam se mobilizando para uma guerra que agora parecia inevitável, decidiu retornar. Numa carta que se perdeu, explicou a decisão a Niebuhr. Não teria o direito de participar da reconstrução da Alemanha se não vivesse a experiência totalitária junto com seu povo. Todo alemão, disse, tinha obrigação de decidir entre o desejo de ver o país derrotado em nome da sobrevivência da civilização e o desejo de vê-lo vitorioso à custa do fim da civilização germânica. “Sei qual dessas alternativas devo escolher, mas não posso fazer essa escolha vivendo em segurança.”

Por essa mesma época, George Orwell escreveu que não era possível compreender o mundo contemporâneo sem levar em conta a força esmagadora de ideias como patriotismo e lealdade à nação. “Hitler e Mussolini chegaram ao poder essencialmente por terem percebido isso, e seus adversários, não.” É uma lição que vale tanto para casos extremos, como os dos regimes totalitários do século passado, quanto para derivas autoritárias no quadro de sistemas democráticos. E tanto para fascistas históricos quanto para reacionários medíocres.

Em 2018, para muita gente os símbolos nacionais ganharam má fama depois que apareceram como apanágio dos movimentos encabeçados por líderes autoritários. Contudo, não faz muito tempo, eram expostos com alegria por quem hoje não chegaria perto deles. Embora o vermelho sobressaia, não são poucas as bandeiras verde-amarelas nas fotos da posse de Lula em 2003. Quem esteve lá ou percorreu com atenção as imagens daquele dia, notou como o rosto de tantos brasileiros simples que formavam a multidão expressava o sentimento de fazer parte de uma mesma coletividade. De modo geral, para além de eventuais simpatias ideológicas, dói de forma viva na memória o orgulho desaparecido que experimentamos durante os anos em que o país pareceu que ia dar certo – digamos, o período que vai do Plano Real a meados de Lula II. Não era embaraçoso sentir aquilo.

Simone Weil arriscou uma definição sucinta do enraizamento. Ela disse: “Um ser humano tem raiz por sua participação real, ativa e natural na existência de uma coletividade que conserva vivos certos tesouros do passado e certos pressentimentos de futuro.” Lugar, família, trabalho, fé, cultura – não existe uma raiz só, existem múltiplas, e é preciso estar ancorado em mais de uma. De todas elas, segundo Weil, a nação seria central. Nenhuma outra desempenharia o papel “que constitui por excelência a missão de coletividade para com o ser humano, a saber, assegurar através do presente uma ligação entre o passado e o futuro”.

Símbolos importam. Mitos também. Sem o sentimento de valores compartilhados é difícil para um país seguir adiante. Isso é terreno delicado, pois bandeiras e hinos muito rapidamente se tornam expressão de doutrinas chauvinistas baseadas em sangue e solo. Mas não é disso que se trata quando Roque Dalton fala n’os que bêbados choraram pelo hino nacional/sob o ciclone do Pacífico ou a neve do Norte. No caso, talvez seja útil distinguir patriotismo de nacionalismo. O patriota gosta da sua terra, da comida que se come nela, dos esportes que se praticam ali, das idiossincrasias dos seus conterrâneos. O nacionalista se reconhece mais pelo que não tolera nos outros. Seu modo de expressão é a censura, não o afeto. Símbolos não deveriam ser entregues sem luta. Como são poderosos, desistir de reivindicá-los é ceder terreno precioso ao campo adversário. A questão está no uso, não neles. Símbolos compartilhados que apontem para um destino comum são valiosos e se contrapõem à tentativa de empregá-los como marca de exclusão. É possível usá-los com integridade.

Isso tudo para dizer uma coisa simples: a pátria também é frágil. No exílio, acamada pela tuberculose e contemplando a destruição de seu país, Simone Weil percebeu melhor do que ninguém essa verdade. “Durante anos, ensinou-se aos operários que o internacionalismo é o dever mais sagrado, e o patriotismo, o preconceito burguês mais vergonhoso. […] Não haverá movimento operário saudável se ele não encontrar a sua disposição uma doutrina que designe um lugar à noção de pátria, e um lugar determinado, ou seja, limitado”, ela escreveu, pouco antes de morrer.

Não estava sugerindo que se amasse a França colaboracionista. Era o contrário disso, a negação de qualquer empáfia reacionária de celebração da grandeza nacional. Weil sugeria que, de forma quieta e com pudor, se tivesse compaixão pela França esfacelada e também por seus crimes, razão “não de se afastar, mas de se aproximar, para compartilhar não a culpa, mas a vergonha”. Esse sentimento pungente por uma coisa bela, preciosa, frágil e perecível, prestes a se desfazer em infâmia, era o que podia ser oferecido a seus compatriotas naquele momento. “Remédio, só existe um. Dar aos franceses algo para amar.” Dar o próprio país e, com isso, salvá-lo, pois ninguém reconhecerá melhor a necessidade de preservar o que é belo e precário do que aqueles que conhecem de perto a precariedade e a desgraça. O povo, os pobres, os que nascem e crescem sem história, os tristes mais tristes deste mundo.

O essencial agora era tentar. “Tentar é o que nos sobra”, escreveu o poeta T. S. Eliot. “O resto já não é conosco.”

João Moreira Salles

João Moreira Salles é documentarista e editor da piauí. Dirigiu Santiago, Entreatos e Nelson Freire, entre outros

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