carta de tóquio

Famílias de aluguel

No Japão, pode-se contratar o serviço de marido, mãe, chefe ou neto

Elif Batuman
Reiko ligou para a Family Romance e descreveu o pai que queria para sua filha de 10 anos: independentemente do que a menina fizesse, ele deveria se mostrar gentil. Para pagar os serviços do pai de aluguel, ela passou a gastar menos com comida e a comprar suas roupas em brechós
Reiko ligou para a Family Romance e descreveu o pai que queria para sua filha de 10 anos: independentemente do que a menina fizesse, ele deveria se mostrar gentil. Para pagar os serviços do pai de aluguel, ela passou a gastar menos com comida e a comprar suas roupas em brechós ILUSTRAÇÃO_MIKA TAKAHASHI_2018

Há dois anos, Kazushige Nishida – um assalariado de 60 e poucos anos que mora em Tóquio – começou a alugar uma esposa e uma filha por meio período. Sua mulher tinha morrido havia pouco, e seis meses antes a filha de 22 anos saíra de casa após uma discussão e nunca mais voltara.

“Achei que eu fosse uma pessoa forte”, disse Nishida quando nos encontramos numa noite de fevereiro, num restaurante perto da estação de trem de um bairro residencial. “Mas, quando a pessoa se vê sozinha, sente uma solidão dilacerante.” Alto e ligeiramente encurvado, Nishida vestia terno e gravata cinza; tinha uma voz grave, era gentil e parecia um tanto autodepreciativo.

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Elif Batuman

É escritora americana de origem turca e colabora com a revista The New Yorker. É autora de The Idiot, pela Penguin

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