anais da Justiça

A ilusão da Lava Jato

Foi um erro concentrar em operações judiciais toda a luta contra a corrupção

Rubens Glezer
O desgoverno da caravana da Lava Jato: o populismo penal é duplamente perverso. De um lado, oferece uma falsa solução ao problema, ao se concentrar na penalização como saída para a corrupção. De outro, enfraquece a dimensão transformadora da pauta, que poderia levar a mudanças estruturais
O desgoverno da caravana da Lava Jato: o populismo penal é duplamente perverso. De um lado, oferece uma falsa solução ao problema, ao se concentrar na penalização como saída para a corrupção. De outro, enfraquece a dimensão transformadora da pauta, que poderia levar a mudanças estruturais CRÉDITO: CAIO BORGES_2020

Duas vezes Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República, ouviu o recado. E nas duas vezes ele não compreendeu a recomendação de que seria difícil manter a Operação Lava Jato como pilar central do combate à corrupção no Brasil.

“Já sabe quando o senhor vai terminar a investigação?”, indagou a então deputada italiana Marina Sereni, durante um jantar na Embaixada da Itália, em 2015. A pergunta era uma forma de alertá-lo de que a Lava Jato – iniciada no ano anterior – deveria planejar bem o seu próprio encerramento para evitar que isso fosse feito por uma “mão externa”, na expressão de Sereni. Quem conta o episódio é o próprio Janot, em uma passagem de seu livro de memórias, Nada Menos Que Tudo, publicado no ano passado. “Só hoje consigo entender o alcance daquelas palavras. Agora que vejo esse movimento vasto, de múltiplas procedências, para ‘estancar a sangria com o Supremo’, com tudo”, escreveu ele.

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Rubens Glezer

É professor do curso de direito da FGV de São Paulo. Coordena o centro de pesquisa Supremo em Pauta, dedicado ao estudo do STF

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