questões de gênero

Laerte em trânsito

Como vive, o que pensa e com quem anda o cartunista que decidiu ser mulher em caráter experimental

Fernando de Barros e Silva
Desde que assumiu a persona feminina, Laerte só politizou sua atitude: o papel de “ursinho carinhoso” o incomoda, mas ele acredita que pode 

ajudar a condição travesti com sua projeção
Desde que assumiu a persona feminina, Laerte só politizou sua atitude: o papel de “ursinho carinhoso” o incomoda, mas ele acredita que pode ajudar a condição travesti com sua projeção FOTO: ELLA DURST_2013/STYLIST: FERNANDA PRATS, COLABORAÇÃO DE TATIANA SKAVICIUS/MAQUIAGEM E CABELO: ROBSON ALMEIDA

Laerte se levantou da mesa e atravessou o longo salão do restaurante até o banheiro. Entrou no masculino. No caminho de volta, foi abordado por um grupo de homens e mulheres, reunidos num happy hour animado. Haviam reconhecido o cartunista e queriam tirar fotos com ele. Em meio a abraços, poses e cliques dos celulares, um dos rapazes arriscou um elogio: “Genial isso da sua vestimenta.” “Não é só a vestimenta, você sabe disso, né?”, respondeu Laerte, provocando sorrisos e deixando no ar uma ponta de interrogação. No percurso, o caixa do estabelecimento também o saudou em voz alta: “Te vi na televisão!”

“Eu me transformei nisso”, disse Laerte, de volta à mesa, no Senzala, conhecido bar e restaurante da praça Panamericana, na Zona Oeste de São Paulo, frequentado por professores e alunos da Universidade de São Paulo.

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Fernando de Barros e Silva

Repórter da piauí e apresentador do Foro de Teresina. Foi diretor de redação da revista entre 2011 e 2020

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