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Leitores querem se tratar com drogas psicodélicas

| Edição 106, Julho 2015

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VIAGENS

Nos pastos destinados à pecuária, onde o esterco é farto, o Psilocybe cubensis, ou cogumelo mágico, é figura não rara nos meses de chuva, durante o verão. Numa breve caçada, após uma precipitação seguida de sol, é possível coletar muitos deles. Mas não se deve exagerar ao comê-los ou consumi-los em forma de chá. A psilocibina, substância psicoativa contida nesses cogumelos, pode proporcionar a melhor ou a pior trip de sua vida. Que esta é uma molécula poderosa e valiosa eu já sabia. Mas que a psilocibina pudesse servir de remédio para tratar uma série de distúrbios psicológicos, ou possibilitar uma morte menos dolorosa e mais espiritualizada à espécie humana, não sabia (“Doce remédio”, piauí_105, junho). Igualmente ignorava esse histórico de pesquisas com drogas psicodélicas. A psilocibina ainda tem muito a nos ensinar. Favor avisar quando ampliarem o uso dessas drogas para além de pacientes terminais e pessoas com problemas psíquicos – e começarem os programas de “aperfeiçoamento de gente saudável”! Enquanto isso, retorno às minhas caçadas.

RAFAEL LEFCADITO_OURINHOS/SP

 

Depois de seu livro sobre O Dilema do Onívoro (editora Intrínseca), Michael Pollan nos apresenta, em “Doce remédio”, o paradoxo do cético: alguém que durante toda a vida cultiva um distanciamento cético da espiritualidade, mas quando se vê apavorado por sua finitude, já condenado à morte, decide alcançar um maior nível de consciência. Alguém que quer transcender sua materialidade e se conectar ao amor por meio de uma reveladora experiência mística – em laboratório.

ISABELLA CALLIA_SÃO PAULO/SP

 

“Doce remédio” é um ótimo texto. Se por acaso um câncer vier para dar cabo de mim, quero usar psilocibina e morrer lendo piauí.

JOSÉ ANÍBAL SILVA SANTOS_TEÓFILO OTONI/MG

 

BELO DIÁRIO

Muito bonito e emocionante o artigo de Gilberto Scofield Jr. (“Diário de uma adoção”, piauí_105, junho), que me permito chamar de crônica. O mais importante, porém, é que o texto me abriu os olhos quanto à adoção por casais que não têm a tradicional configuração homem–mulher. E me fez mudar de opinião. O que vale, no final das contas, é o amor e a intenção. O resto é secundário. Obrigado, Gilberto.

JOSÉ CARLOS MARTINS BARBOSA_FLORIANÓPOLIS/SC

 

Gostei muito do “Diário de uma adoção”. Já a foto… achei magnífica! Fez lembrar os versos de Manoel de Barros: “[…] Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra./Fotografei a existência dela./Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão. Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre.” Parabéns ao fotógrafo Bruno Poppe. Felicidades ao Paulo Henrique e aos pais.

CIBELE BARRETO MANO DE CARVALHO_FORTALEZA/CE

 

Essa piauí_105 está uma delícia! Vivas especiais às referências escolhidas de Mario Quintana, nas cartas, e aos quadrinhos de Cristian Turdera. Ah, e ao emocionante “Diário de uma adoção”, belo demais.

MARIANA RODRIGUES LEMES ALVES_CAXIAS DO SUL/RS

 

BENTINHO NO ARMÁRIO

Além de leitor da piauí, sou psiquiatra e psicoterapeuta. Em seu artigo “O segredo de Escobar” (piauí_105, junho), André Dutra Boucinhas questiona as razões do ciúme de Bentinho por Escobar, levantando a hipótese de o protagonista de Dom Casmurro ter se deixado levar pelo ressentimento social. Acredito, contudo, que o ciúme de Bentinho é fruto de sentimentos homoeróticos que ele nutre por Escobar. Devido ao grande preconceito do próprio Bentinho e de sua época por esse tipo de desejo, o personagem transfere seu homoerotismo para o ciúme em relação a Escobar e Capitu. O desejo homoerótico reprimido aparece de modo muito claro em vários trechos do romance – ainda que Machado não pudesse ser explícito demais, dados os costumes da época.

RODRIGO BARRETO HUGUET_BELO HORIZONTE/MG

 

ENGANOS

Sentimo-nos insultados pela reportagem “A guerra dos Clark” (piauí_105, junho). A tentativa de colocar num mesmo saco uma fatalidade ocorrida na reserva técnica do Projeto Hélio Oiticica em outubro de 2009 e a briga pela posse da herança de Lygia Clark é absurda e descabida. Não há nenhuma semelhança e, principalmente, não existe nenhum descaso com a produção de Hélio Oiticica.

O Projeto Hélio Oiticica foi, além disso, erroneamente tratado na reportagem como “Fundação Hélio Oiticica vinculada à Prefeitura do Rio”. A repórter ainda inventou uma “autorização judicial” que teria sido utilizada por um dos herdeiros para retirar o acervo de Oiticica da suposta fundação e levá-lo para casa. Gostaríamos de informar que os herdeiros da obra de Hélio Oiticica nunca se desentenderam. Fundaram em 1981 o Projeto Hélio Oiticica, associação criada para gerenciar a obra. Por um tempo, a Prefeitura do Rio de Janeiro ofereceu-se para abrigar a obra em um prédio que batizou de “Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica”. Mais tarde encerramos, de comum acordo, a parceria.

CÉSAR OITICICA_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA DA REDAÇÃO: piauí errou ao chamar o Projeto Hélio Oiticica de fundação. Não houve tampouco a necessidade de autorização judicial quando a família do artista decidiu romper, meses antes do incêndio que danificou o acervo, a parceria que mantinha com a Prefeitura do Rio desde 1996.

 

É LEI?

Gostaria de saber se o manual da piauí, no capítulo dedicado à sessão Esquina, contém alguma norma que obrigue os autores a terminar o textículo com uma citação. Eu conversava um dia desses com um amigo que analisou estatisticamente as dez últimas edições da revista. Foi ele quem me confidenciou: “Noventa e cinco por cento dos textos publicados na seção Esquina terminam com uma frase entre aspas.”

FELIPE BERNARDO FURTADO SOARES_NOVA LIMA/MG

NOTA DO DEPARTAMENTO DE NORMAS E PROCEDIMENTOS: Ao ser indagado sobre os fatos expostos, nosso diretor de Redação se mostrou perplexo. Ele não havia se dado conta de que 5% de nossos colaboradores desobedeciam às diretrizes traçadas no nosso memorando sobre a seção Esquina. Virando-se para o seu lugar-tenente, sentenciou: “Serão prontamente repreendidos.”

 

BOM SINAL?

Fiquei impressionado com a alta qualidade da piauí_105. Mas acho que isso não é bom sinal, já que significa que eu esperava menos qualidade. De qualquer maneira, essa edição me levou para mundos antes inexistentes para mim. Foi emocionante assistir à “Guerra dos Clark”, acompanhar Gilberto e Rodrigo no “Diário de uma adoção” e viajar na reportagem “Doce remédio”. E foi reconfortante, em “O segredo de Escobar”, conhecer argumentos para embasar a inocência de Capitu: membro da elite tenta distorcer os fatos a seu favor. Ainda bem que esse tipo de coisa não acontece na vida real. Muito menos hoje em dia.

FERNANDO SETTON SANCHES_SÃO PAULO/SP

 

Critiquei muito esta revista por ter acolhido, um mês antes da eleição, uma carta de um sujeito que dizia simpatizar com Aécio Neves e que acusava a revista de ser condescendente demais com os que o criticavam. Naquele momento tal carta era inoportuna. A piauí estava em sintonia com todo o PIG (Partido da Imprensa Golpista), Veja, IstoÉ, Época. Agora escrevo para elogiar: estupenda edição 105, com Arnaldo Antunes, André Boucinhas – na dança machadiana com Capitu, Bentinho e Escobar, dando uma aula de literatura e de economia – e principalmente o excelente Gilberto Scofield Jr., em sua luta de adoção e amor. Emocionante.

GERALDO MAGELA MAIA_BELO HORIZONTE/MG

NOTA DA REDAÇÃO: No melhor espírito das Esquinas, só nos resta concluir citando o inspirado dito (apócrifo?) de Mario Quintana: “O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte.”

 

AMOR BANDIDO

Cheguei a pensar em abandonar a revista, mas não resisti: assim que a vi na banca, peguei-a logo e, como se carregasse um troféu, fui todo contente para casa. Fiquei surpreso, abestalhado, orgulhoso, comovido e muito, muito feliz com a atenção dada pela piauí à carta de um simples leitor, que guarda, com enorme carinho, 104 edições da revista (a 105 ainda está em minhas mãos). Depois de ler a nota argumentativa sobre a reportagem com os brasileiros de Miami (“A Xangrilá dos descontentes”, piauí_104, maio), vejo com clareza que fui cego ao enxergar a questão somente pelo meu ponto de vista. O texto, como tudo na vida, comporta pelo menos duas óticas. Sobre a nota mendicante: como ambiciono ter a riqueza de Mario Quintana ou de Madre Teresa, não era necessário pedir para o meu amor não acabar. A relação que tenho com a revista é antiga e muito forte. Reitero o meu amor.

AGUINALDO DUTRA BRANDÃO_MANHUAÇU/MG

NOTA COMOVIDA DA REDAÇÃO: Como diria Mario Quintana se tivesse pensado no assunto: “Um único minuto de reconciliação vale mais do que toda uma vida de amizade.”

 

Ao ler as cartas do mês passado, não pude deixar de perceber a indignação de um leitor com o aumento de 1 real no preço da revista. Gostaria de deixar registrado que se trata de uma revista mensal, bem diferente das mesmices semanais de 10 reais que acabam nos custando 40 reais em média por mês e com um conteúdo aquém desta renomada publicação. Queria também compartilhar meu sentimento comum com o texto de Dulce Maria Cardoso (“O coração do meu mundo ou o papagaio que gostava de bolo de arroz”, piauí_105, junho), pois atravessei com minha mãe situação semelhante. Mais do que ninguém, a maravilhosa escritora portuguesa soube transcrever esses sentimentos para o papel. Em tempo: alguma chance de ser agraciado com um mascote? Ficaria muito grato.

FABIO LUIS DA SILVA_RIO DE JANEIRO/RJ

 

XANGRILÁ

A repórter Daniela Pinheiro fez um ótimo trabalho ao retratar o american way of life dos milhares de brasileiros que aportaram em Miami e que em sua grande maioria, pelo visto, não pretendem retornar ao solo tupiniquim. A começar pelo título (“A Xangrilá dos descontentes”, piauí_104, maio), a reportagem foi muito feliz ao retratar a forma como os brasileiros se americanizaram. Óbvio que existe um grupo que chamará nossos patrícios de coxinhas e otras cositas más. Mas creio que as pessoas que tomam a decisão de abandonar seu país, não importa o real motivo, são corajosas. Outro ótimo perfil foi o de Evaldo Cabral de Mello, realizado por Rafael Cariello (“O casmurro”, piauí_104, maio). O grande historiador pernambucano, dono de um temperamento singular, destrói mitos de nossa história e demonstra um enorme senso crítico diante da mediocridade geral que nos envolve. A simplicidade dele é elogiável. Para terminar, a piauí merece todos os aplausos sempre que publicar um texto de Reinaldo Moraes (“A grande sinuca celestial”, piauí_104, maio), sem dúvida um dos melhores escritores que temos. É a chamada cereja do bolo.

ANTONIO CARLOS DA FONSECA NETO_SALVADOR/BA

 

Após ler a reportagem “A Xangrilá dos descontentes”, sobre nossos patrícios em Miami, cheguei a uma conclusão: como a elite brasileira é piegas e cafona! Esse pessoal deveria fazer uma reflexão antes de criticar uma cidade tão desenvolvida como São José dos Campos (que sedia a terceira maior fábrica de aviões do mundo, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica e diversas multinacionais). Para quem morava em um pedaço de chão cercado de esgoto por todos os lados, é muita ousadia.

ALESSANDRO DE CARVALHO SOUZA_TIJUCAS/SC

 

CAVERNA SEM AURA

O gás carbônico é a menor das preocupações, ainda que legítima, nos sítios arqueológicos mencionados pela revista (“A caverna e a aura”, piauí_104, maio) ou a serem desvendados. O problema mais grave observado nas cavas lacradas quais cápsulas do tempo foi o lampejo de milhares de flashes fotográficos contínuos, os quais alcançam temperaturas solares, próximas dos 5 000 graus kelvin, potentes o bastante para queimarem a primeira camada dos pigmentos cromáticos. Não por acaso, muitos museus do mundo exibem avisos de proibição ao uso de flashes.

Sobre visitarmos réplicas, recordo-me nitidamente das palavras do ex-dono do Banco Santos, patrono de duas bienais de São Paulo, de que “a arte exige presença”, dita no sentido de desprezarmos as reproduções. No entanto foram elas que permitiram o acesso de populações do mundo todo às obras. Ainda me lembro da decepção de admirar quadros de Piet Mondrian no Museu de Arte Contemporânea, desbotados pelo tempo. Tão novo e ainda inédito. Tão velho e já anacrônico, sendo que a absurda nitidez e a paleta cromática das reproduções disponíveis em centenas de publicações lá não mais estavam.

CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ_LONDRINA/PR