cartas

Leitores solidários e perplexos com o carrossel de personagens do mês passado

SALVEM O JAVAPORCO

Lendo o perfil de Gilberto Carvalho (“Os ouvidos do Planalto”, piauí_60, setembro), assessor de Dilma Roussef, fiquei indignada com o tratamento dado ao seu javaporco e gostaria que a revista denunciasse este fato. Os animais merecem tratamento adequado.

ROBERTA TORREÃO_RECIFE/PE

Tendo lido o perfil de Gilberto Carvalho (“Os ouvidos do Planalto”, piauí_60, setembro), assessor da presidente Dilma, eu sugiro que piauí denuncie o tratamento que esse senhor impõe aos animais da sua fazenda, em especial o javaporco.

VALDEREZ ANDRADE_RECIFE/PE

CAPA

A capa da edição de agosto está perfeita. Talvez a melhor capa de todas as edições. Parabéns!

CRISTINA BERNARDES_VIAMÃO/RS

ANAIS DA RELIGIÃO

Queria fazer uma pergunta a respeito da matéria sobre o mala, que é um cara faia (“faia” significa “janota” em Portugal). Por que a Daniela Pinheiro não perguntou ao pastor (“Vitória em Cristo”, piauí_60, setembro) a razão de ele, mesmo sendo crítico de uma seita que se diz universal, tê-la apoiado incondicionalmente por ocasião daquela briga com a Globo após a exibição daqueles vídeos indecorosos em que os pastores comemoravam debochadamente a grana recebida dos fiéis?

JOÃO CARLOS CARREIRA ALVES_RIO DE JANEIRO/RJ

NAS MÃOS DA MILÍCIA

O relato de Nilton Claudino (“Minha dor não sai no jornal”, piauí_59, agosto) me tirou o sono. Aterrorizante e inacreditável. Um vereador torturando os jornalistas? Filho de deputado… Isso me faz lembrar do Hildebrando “motosserra”. Está preso, porém convenientemente esquecido. Indignação já saiu do nosso dicionário faz tempo. Pergunta, agora que já saiu na imprensa e tudo foi pro ventilador: alguém será responsabilizado? Atenção, nobres promotores públicos, juízes e quem mais possa nos defender de nossos algozes: movam-se!

RENATA ARENA, CAJURU/SP

Há mais ou menos um ano e meio, comecei a estudar jornalismo na Universidade Federal de Rondônia, curso pelo qual sou apaixonada. Mas fico me questionando: será que é realmente isso o que quero? Será que terei coragem e determinação para fazer um jornalismo com seriedade e qualidade? Ainda me faltam muito chão e maturidade pela frente, e sei que nem posso imaginar a dor que esses jornalistas sofreram e sofrem. É com imensa tristeza e indignação que lamento tudo isso. Indignação apenas não basta, mas certas coisas me assustam.

LARISSA RUAS_VILHENA/RO

Sobre o relato do fotógrafo Nilton Claudino fica a pergunta: será que Claudino não imaginou que seria descoberto pelos milicianos ao se fazer passar por outra pessoa a fim de investigá-los? E mais: caso pego, será que ele imaginou que não seria torturado? Em que mundo vivemos?

PABLO LIMA_RIO DE JANEIRO/RJ

PARA TODA OBRA

Dada a repercussão prévia, logo que recebi a piauí_59, agosto, fui direto à reportagem do Nelson Jobim (“Para toda obra”). O pinguim da piauí já faz jus à boina à la Che Guevara: derrubou um ministro. Não desanimem, só faltam 36!

PONCIANO_SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP

A jornalista Consuelo Dieguez é do balacobaco, pois consegue tirar as inconfidências dos seus entrevistados e realizar, dentro do tom, uma verdadeira matéria de interesse para os leitores da revista. Desta vez foi o Jobim que não é Tom. Assim, coloca na pauta uma excelente entrevista com algumas notas da partitura do Jobim fora do tom, mas não desafinando.

LÉO NASCIMENTO_ITATIAIA/RJ

NOTA DA REDAÇÃO: Não é entrevista, Léo, é perfil. Espalha, por favor.

Figura loquaz amiúde
Temos em Nelson Jobim
Embora o corpo não ajude
A nossa Gilda, enfim.

MENDEL REISMANN_RIO DE JANEIRO/RJ

Todos sabiam que o Jobim era vaidoso, que supunha ter o rei na barriga, que acreditava ser um iluminado. Na verdade, o ex-ministro é um ególatra, cultua a si mesmo, não tem o rei na barriga, supõe ser o próprio rei. Julga-se uma sumidade. Sabe tudo do direito, da política, é matemático, lógico, leu tudo de economia, conhece literatura, história, sociologia, antropologia, química, física, astronomia, enfim, um gênio. Sente-se no direito de julgar seus pares e colegas de Ministério. Grande vantagem afirmar que Ideli é fraquinha: quem não sabe disso? Imagino: ele, durante a entrevista, se autovangloriando, muito sério. A repórter que o entrevistou deve ter dado boas gargalhadas. Jobim é um falastrão incurável: pior do que confessar que votou no Serra, foi confessar que, durante a Constituinte, alterou textos já acordados entre políticos e partidos. Quando no Ministério, gostava de se vestir de general, sem se dar conta do ridículo. Não apoio o governo Dilma, mas acredito que ela fez muito bem em defenestrar o boquirroto.

RONALDO CONDE AGUIAR_BRASÍLIA/DF

Enquanto algumas publicações tiram ministros pela porta dos fundos, vocês o fazem pela porta da frente. Parabéns!

DANIEL COHEN_BARUERI/SP

MÃO NA RODA

Uma matéria da piauí, lida inicialmente na internet (sou assinante, mas a revista é disputada a tapas por todos em casa, o que me faz recorrer ao site praticamente todos os dias), contribuiu, e muito, com a minha dissertação de mestrado. Trata-se da Esquina “Plano a plano” (piauí_56, maio).

Sou jornalista e pesquisadora em cinema na Escola de Belas Artes da UFMG, e ainda não tinha tido contato com a ferramenta Cinemetrics. Não posso nem começar a dizer como foi importante o acesso ao programa para meu trabalho – que é justamente sobre montagem, e mais especificamente sobre a Trilogia Qatsi (Koyaanisqatsi, Powaqqatsi e Naqoyqatsi). Quantifiquei e medi planos, e o programa gerou gráficos que ajudaram minha análise a ser mais objetiva. A dissertação já foi defendida e a banca elogiou, inclusive, o uso do Cinemetrics.

MAÍRA BUENO, BELO HORIZONTE/MG

NOTA DA REDAÇÃO: “Ler a piauí faz bem para a carreira.” Espalha, Maíra, espalha.

QUESTÕES LÍTERO-BIOGRÁFICAS

“Uma casa para Elizabeth” (piauí_59, agosto) foi uma das melhores reportagens que eu já li. Algo que torna cada releitura um fascínio gostoso de não querer esquecer completamente, sem falar da vida dessa poeta que amou o Brasil como sua estadia para um futuro relacionamento amoroso com a nossa terra.

GILMAR JÚNIOR_UMARIZAL/RN

O texto de Roberto Pompeu de Toledo sobre a presença da poeta americana Elizabeth Bishop em Ouro Preto enriquece a própria história da cidade. Ele levantou, por completo, o tempo em que Bishop viveu na Casa Mariana, nas Lajes. E mostra, de modo admirável, como a escritora está viva na memória dos amigos e é referência singular em um itinerário marcado por grandes poetas, de Tomás Gonzaga a Drummond, de Cláudio Manuel da Costa a Manuel Bandeira, de Alvarenga Peixoto a Murilo Mendes.

ÂNGELO OSWALDO DE ARAÚJO SANTOS, PREFEITO_OURO PRETO/MG

Mais um artigo maravilhoso sobre a poeta Elizabeth Bishop e sua casa de Ouro Preto.

Estive na cidade há alguns anos. A primeira coisa que quis fazer ao chegar foi visitar a casa de Elizabeth Bishop, na vã esperança de que encontraria um museu. No Departamento de Turismo fui prontamente orientado pelo funcionário. Finalmente a casa: uma porta, três janelas. Na parede, a placa com dizeres: “Nesta casa viveu nas décadas de 1960-1970 a poeta Elizabeth Bishop.” Solitário na rua, vizinhos olhavam para mim como suspeito. O que trama aquele indivíduo parado diante daquela casa? Sentimento de frustração. Queria encontrar um museu!

Esse sentimento continua ao ler o artigo em questão. Faltou nele uma informação essencial. O fato de ela estar à venda pela Sotheby’s. Juntei minhas parcas economias na vã esperança de comprá-la e transformá-la em museu, mas não deu (brincadeirinha). O valor pedido é de 3,8 milhões de reais, como mostra a página da rede mundial. Aliás, até a estampa da casa que ilustra a reportagem da piauí é idêntica à foto da Sotheby’s, no entanto não lhe foi dado nenhum crédito. Por que não se oferece a mesma ao Vassar College ou a alguma instituição preocupada em preservar a memória da poeta? Por que a casa não se transforma em museu?

Outro dado importante é que no final de 1969, Elizabeth Bishop já pretendia vender a casa. Veja o que diz a carta endereçada à doutora Anny Baumann em dezembro daquele ano: “Continuo achando a minha casa a mais bonita do mundo, e a cidade é linda também, do ponto de vista arquitetônico – mas isto não basta. Você não tem nenhum paciente milionário, ligeiramente excêntrico, que se interesse por arquitetura barroca, ou história da América do Sul, ou psicologia, que estaria interessado em comprá-la? Juntamente com uma boa quantidade de bons móveis do século XVIII e início do XIX?”

SÉRGIO SEBA JABUR_SANTOS/SP

Confesso que fiquei comovida com a matéria “Uma casa para Elizabeth”, de Roberto Pompeu de Toledo. Adoro a obra de Bishop e tive a oportunidade de conhecer a Casa Mariana. O texto passa toda a sensibilidade impregnada pela poeta e seus amigos ouro-pretanos. Dá vontade de ler mais.

HELOISA CROCCO_PORTO ALEGRE/RS

JOGO DOS SETE ERROS

Se entendi bem, a legenda das fotos do artigo “Uma casa para Elizabeth” (piauí_59, agosto) me fez lembrar, com saudade, o Jogo dos Sete Erros, no que se refere à cadeira na qual a poeta se senta, que difere em sete aspectos daquela que Linda Nemer está sentada, a saber: 1. Espaldar; 2. Empalhamento; 3. Torneamento dos dois braços; 4. Torneamento do suporte de pelo menos um deles; 5. Assento; 6. Torneamento dos dois balanços; 7. Detalhes de marcenaria em ambos os balanços. Salvo melhor juízo, portanto, não é a mesma cadeira, como afirma a legenda.

ARMANDO FREITAS FILHO_RIO DE JANEIRO/RJ

TARJA PRETA

Com 22 anos fui diagnosticada com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade pelo meu psiquiatra. Foi um alívio saber que meus problemas de inquietação e ansiedade eram causados tão somente por um desequilíbrio químico no meu cérebro. Não era minha culpa ser tão estressada, impulsiva e sentimental. Comecei a tomar todos os dias Ritalina, recomendada pelo médico, e assim foi por três meses. O remédio era fantástico. Como havia sobrevivido todo esse tempo sem ele? Virei a concentração em pessoa, fiz minha monografia em um mês e finalmente terminei meu famigerado curso de jornalismo. Não me perdia em devaneios no meio da leitura de um artigo cabeludo e escrevia como uma máquina.

Porém, em pouco tempo, percebi que estava drogada. Meus superpoderes eram efeitos de uma droga poderosa, como a cocaína e a heroína. Parei por conta própria, graças a um insight, e nunca mais voltei ao meu psiquiatra. Tive dores de cabeça terríveis por um mês e me sentia mais desligada do mundo do que antes de tomar as pílulas. Reforcei a terapia cognitiva comportamental e hoje sou mais tranquila graças ao meu esforço e força de vontade.

Fique impressionada ao ler a matéria de Marcia Angell (“A epidemia de doença mental”, piauí_59, agosto). Primeiro, pelo meticuloso trabalho de pesquisa e apuração da médica, pela forma de agrupamento das informações e construção do texto, pela informação em si e, principalmente, pela identificação com a história. Não sei qual é o nível de consciência geral dos psiquiatras brasileiros, mas me assusta o fato de que remédios assim sejam prescritos indiscriminadamente, sem considerações de longo prazo. Minha esperança é a de que os “deprimidos”, “ansiosos” e “hiperativos” que leram o texto reflitam melhor a respeito do coquetel de drogas que tomam diariamente. O dano, em longo prazo, pode ser irreversível.

CECÍLIA POLYCARPO_SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP

Corajoso o trabalho da médica Marcia Angell sobre a dominação da indústria farmacêutica na orientação do tratamento de distúrbios mentais. Para impor os seus produtos psicoativos e antidepressivos ela difunde a falsa ideia de que tais distúrbios se curam com drogas químicas, tal como antibióticos curam infecções.

DORANY SAMPAIO_RECIFE/PE

TEIXEIRA, PRESIDENTE?

Considero absurda a manifestação de um leitor de piauí, que em carta elogiou Ricardo Teixeira e o pediu para presidente do Brasil e da Fifa (Cartas, piauí_59, agosto). O dirigente pode até ter levado duas Copas do Mundo e ter sido vice de outra, mas é bom lembrar que o Mundial de 2002 gera suspeitas ainda hoje por favorecimentos de arbitragem ao Brasil e à Coreia do Sul. E a Copa de 94 foi vencida nos pênaltis enquanto a de 98 envergonhou o Brasil todo com o fiasco na final.

É evidente que uma pessoa que está à frente do poder do futebol por mais de vinte anos, em um país em que este esporte é talentoso, ganharia tudo isso e mais. Se eu estivesse lá nesse período, também conquistaria muitos títulos. Desde que Teixeira assumiu a CBF, a Seleção não possui mais o laço de amor com o povo do Brasil. A maioria dos atletas convocados vem do estrangeiro e muitos deles nem são conhecidos, como Afonso, Fernando, Adriano, Marcelo etc. Prefiro chamar este time de “Seleção da CBF”, e não de Seleção Brasileira. Tanto é que tenho 29 anos e desde 2000 não torço mais pelo Brasil, principalmente em Copas. E amo ver e estudar o futebol.

RODRIGO ROMERO_JACAREÍ/SP

 

BATTISTI NA PRAIA 901

Muito singular a Esquina “Em liberdade” (piauí_59, agosto). A primeira “surpresa” do repórter sobre a simplicidade com a qual o ex-preso político se recreia é na realidade o usufruto que a perda da liberdade causa a todo preso nas horríveis cadeias do Brasil. Aqui sobremorrem dúzias de homens em espaços feitos para dois ou três, à beira da doença, sujeira, destrato e má alimentação, “lavados” pelo estado de liberdade que lhes oferecem à saída as imensuráveis praias e a infinitude do mar sem horários, castigos, ferrolhos nem cadeados.

MARCO FERRARI_EMBU DAS ARTES/SP

 

JOGO DE INTERESSES

A piauí_58, de julho, traz duas figuras que resumem como no Brasil tudo não passa de um jogo de interesses: Kassab (“O político apolítico”), de um lado, tenta criar um partido sem ideologia a fim de agradar (e se beneficiar) de qualquer governo, seja oposição ou situação. Rapaz esperto. A outra figura é o nosso presidente da CBF (“O presidente”), que, com ares de Kadafi e Mubarak, vai controlando de maneira ditatorial o futebol, e privilegiando a Globo em troca do silêncio diante de denúncias.

CÍCERO PIMENTEL_REGENERAÇÃO/PI

 

OXENTE!

Sinceramente, comentar as “modelos anoréxicas inglesas” numa matéria sobre uma mulher de 1,84 metro e 54 quilos é de lascar (Chegada, “A star is born, oxente!”, piauí_59, agosto)! Essa visão distorcida do corpo feminino é, sem dúvida alguma, uma das causas do aumento expressivo dos casos de transtornos alimentares em jovens adolescentes. A piauí devia ter um cuidado maior antes de endeusar esse estilo de beleza. Mesmo quando a modelo é piauiense.

ROBERTO FONSECA_BRASÍLIA/DF



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