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Liberdade de imprensa: leitores encontram aqui um seguro meio de expressão

| Edição 70, Julho 2012

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CARTAS

Fico extasiado com as tiradas nas notas da redação na seção de Cartas da piauí. Acho que esta revista não tem mesmo a missão de agradar a massa. Tem muita gente se ofendendo por pouca coisa aí. Continuem trazendo o inédito e o não óbvio. E, por favor, tirem sarro com a cara dos chatos de plantão.

PAULO DE SOUZA TRINDADE JUNIOR, Lajinha (MG)

 

CARTAS

Apesar de minha pouca idade, trabalho como redator e revisor em uma agência de publicidade (o horror, o horror!) e recorrentemente me deparo com questões capciosas de ordem gramatical. Imaginem só, eu, perplexo e ofegante diante da legitimidade de palavras como leiaute e exclusive. Quase enlouqueço! Quis rasgar o meu Houaiss, porém, não foi possível, dada a sua condição eletrônica de ser.
Não apenas isso, mas o raciocínio lógico em geral também padece de deso-nestidade intelectual. Após a leitura de uma sequência de cartas na edição 65 (fevereiro) de piauí, quis o meu lado maquiavélico satirizar os patrulheiros do bem pensar. Peço que perdoem os excessos. É que, além de estar reproduzindo certa atitude pedante, acabei rabiscando as últimas páginas de minha revista para poder escrever esta resposta, comportamento que me põe tiririca da vida:
1) Nicolau (comentário a respeito do texto “Monstro perigoso”, piauí_64, janeiro), meu rei, não se deixe levar por arroubos apaixonados de professores e diletantes frequentadores de simpósios. Toda e qualquer opinião torna-se válida quando se aceita que as personalidades mais incríveis que já passaram por este mundão são, na superfície e no fundo, pessoinhas de carne e osso, assim como você e eu. Outra coisa: tão 2002 criticar BBB, né? Acho cafona.
2) Marizinha (comentário a respeito do texto “Capela Sistina subterrânea”, piauí_63, dezembro 2011), seu pensamento me fez ruminar, de verdade, só faltou delicadeza ao desenrolá-lo. Atentar às contradições é bacana, mas deixe na gaveta da Academia o seu preconceito contra palavras e expressões consagradas pelo uso. Sério, faz mal à beça, não queira correr risco de vida.
3) Seu Waldomiro (comentário a respeito do texto “A rebeldia vem de longe”, piauí_63, dezembro 2011), chapa, a tal matéria nada mais é do que a introdução de um livro. Uma linha editorial pluralista, você bem sabe, prima pelo, é, vejamos… pluralismo. Ou seja, parece-me bastante sadio eventualmente irritar direitistas, centristas e/ou esquerdistas. Uma lembrança estimulante: Churchill, aquele direitão, é Prêmio Nobel de Literatura. Regozije-se.
4) Carlão (comentário a respeito do texto “Neura nas alturas”, piauí_64, janeiro), meu velho, também gosto de ser literal às vezes, todavia, a semiótica nos ensina que para uma comunicação ser eficaz basta que o receptor compreenda a mensagem do emissor. Você, ao admitir ter entendido a intenção do autor, vitimou o seu próprio argumento.
5) Sergio (comentário a respeito de “Com Roberto Marinho”, piauí_63, dezembro 2011), “perde a democracia, perdemos todos nós” e, pelo visto, alguém perdeu o controle remoto. Ó senhor demolidor de conspirações, transformai a Rede Globo em tela preta. Sobre isenção, fica aqui uma citação de Nelson Rodrigues – aquele pornógrafo, aquele reaça – retirada de uma de suas crônicas futebolísticas: “O ser humano é capaz de tudo, até de uma boa ação. Não é, porém, capaz de imparcialidade.” Faz sentido.
Antes de encerrar, quero dizer que também já quis denunciar os malfeitos desta publicação em missivas malcriadas. Depois, mais calmo, vi que os malfeitos não passavam de interpretação reducionista. De alma lavada e brigas compradas, despeço-me agora partindo (ou encerrando) de um pressuposto contraproducente mas coerente: Estou errado e isto tudo foi totalmente desnecessário.

NOTA DA REDAÇÃO: Aleluia. A seção de Cartas sai da primeira infância com os leitores começando a esgrimir entre si. Em tempos de vale-tudo, pedimos apenas que sejam evitados esquartejamentos, por pouco estéticos.

BRUNO GALHARDO, São Paulo (SP)

 

MIOPIA

Depois de passar uma hora lendo os magníficos textos da piauí, coisa que faço há anos com muito prazer, tenho que passar o resto do dia descansando a vista por causa das letras microscópicas. Assim vou acabar perdendo o emprego por culpa de vocês. Por favor, aumentem o tamanho das letras! Eu pago as páginas a mais.

MARCOS LEITE DE SOUZA, Carapicuíba (SP)

 

QUESTÃO DE ESTILO

A revista deveria instituir o prêmio “o inin–teligível do mês”. Voto em João Moreira Salles por “Eleitor à vista” (Esquina, piauí_69, junho). Não sei que opção estilística ele adotou, não entendo dessas coisas, mas como leitor sinto que os olhos se recusam a seguir a leitura.

NOTA DA REDAÇÃO: O texto segue os cânones do “jornalismo coruscante”, estilo criado pelo autor especialmente para a piauí.

DARLAN MOREIRA, Ceará-Mirim (RN)

 

UM VAN GOGH, POR FAVOR

Agora entendi por que a revista subiu de preço em abril. Bancar a presença da Flávia Mantovani na Tefaf (Esquina, piauí_69, junho), inclusive o coquetel de abertura, deve ter pesado na contabilidade. (Só faltou dizer qual foi a pechincha adquirida.)

NOTA DA REDAÇÃO:Viagens até Maastrich, para beliscar num coquetel da Tefaf, só com patrocínio de Fernando Cavendish e aval de Lula & Maluf. Temos olheiros in loco e entramos de bico nos lugares mais suspeitos.

ANDRÉ SAMPAIO, Salvador (BA)

 

VOLTA, RÊ BORDOSA…

Contrariamente ao que consta na matéria sobre a personagem Rê Bordosa (piauí_68, maio), não há Câmara Municipal na homônima localidade portuguesa. Apesar de gozar do status de cidade, a nortenha Rebordosa, situada na região do Vale do Sousa (não consta que pertença ao Mauricio), não é um município, mas antes uma das 24 freguesias do conselho de Paredes, onde se encontra a Câmara Municipal.

NOTA DA REDAÇÃO: Estamos de recuperação em Geografia.

PLÍNIO PAULOS, Santos (SP)

 

DIÁRIO DA DILMA

Eu nunca pensei que fosse ter simpatia pela Dilma. Mas o diário dela é simplesmente incrível, desses que você lê de cabo a rabo com um sorriso delicioso no rosto. Acho que vou fazer campanha para a reeleição dela só para não perdermos a Dilma da piauí.

MÁRIO HENRIQUE PRADO, São Paulo (SP)

 

BALCÃO DE PEDIDOS

Fiquei extremamente alegre ao me deparar com a aparente volta da seção Diário (“Pôquer na veia”, piauí_68, maio). Logo, aguardei ansiosamente a chegada da piauí seguinte, mas fiquei desapontada ao perceber que não tinha vindo nenhum diário, além do da Dilma (ótimo e divertido, mas nem de longe tão interessante quanto o cotidiano da vida privada dos mais diversos tipos de pessoas). Afinal, qual é o porquê da supressão impiedosa de uma das partes mais interessantes da revista?

HANNAH BETHLEN MONTEIRO FRANCO, Natal (RN)

 

BALCÃO DE PEDIDOS

Gostaria que piauí não deixasse de lado as questões da natureza, abordando temas relacionados aos rios, às praias, às árvores, às aves, às estrelas, às cachoeiras. Sinto falta dessas matérias tão em evidência em outros veículos de comunicação e negligenciadas pela revista do parafuso a mais, que em minha modesta opinião, com esse Diário da Dilma, (chatíssimo) perdeu vários parafusos.

NOTA DA REDAÇÃO: Prezado Paulo Edgard, fizemos a reportagem sobre Carlinhos Cachoeira neste número espe-cialmente para você.

PAULO EDGARD GASPARINI VIANA, Marília (SP)

 

FILHOS DA GUERRA SUJA

Abri aleatoriamente a penúltima piauí e dei com a fotografia de Chicha Mariani (piauí_68, maio). De imediato, simpatizei com aqueles olhos tristes. Foi evidente que deles uma grande matéria seria extraída. Ter filho e nora mortos brutalmente pela ditadura militar é devastador. Porém, não há adjetivo que possa definir o desaparecimento de uma neta, roubada por militares da mais alta vileza, e a espera angustiante, década após década, por notícias dessa que seria uma das únicas pessoas que lhe restou para chamar de família.
As histórias dramáticas das Madres e Abuelas de Plaza de Mayo, muito bem narradas por Francisco Goldman, arrepiaram-me a cada parágrafo, até o fim da reportagem, ao ser revelado que Chicha estava, literalmente, sozinha no mundo e quase completamente cega. Força ao movimento das Madres e Abuelas de Plaza de Mayo, e que continuem devolvendo, na medida do possível, a paz às famílias que tiveram seus filhos, netos, enfim, suas histórias roubadas. Força total e maior a Chicha Mariani, e que um dia possa ser devolvido um pouco de luz àqueles olhos.

CAMILA LISBOA SANTANA, Salvador (BA)

 

MERENDA TEXTURIZADA

Não basta não servir carne na merenda escolar (piauí_69, junho), é preciso dizer às crianças que os animais têm sentimento. Eles sabem quando vão ser abatidos e sofrem muito com isso. As crianças precisam saber que temos diversas fontes de proteínas e gordura no reino vegetal e que a carne foi usada em tempos remotos por falta de opção alimentar, mas hoje a situa-ção é muito diferente. Tenho por hobby a culinária, e não uso carne em nenhum prato. Portanto, sei do que estou falando. Estou com 70 anos, tenho ótima saúde física e mental, não sofro de nenhuma doença e não tenho nenhuma limitação.

NORMA HELENA KLEIN HOERLLE, Porto Alegre (RS)

 

RECORDAÇÕES ALUCINATÓRIAS

Não é a primeira vez e, certamente, não será a última: os artigos do embaixador Marcos Azambuja (piauí_68, maio) são sensacionais. A forma, a sutileza e a elegância de seus textos são sem igual. Os bastidores da Rio 92 ficaram muito mais charmosos e compreensíveis.

ANTONIO CARLOS DA FONSECA NETO, Salvador (BA)

 

MENOS FELIZ

Faço coro a incontáveis leitores (não vou contar…) que reclamam do empobrecimento da revista, ao passar a identificar os autores das matérias da seção Esquina. Gastávamos (represento, nesta missiva, a minha família de seis leitores), bons momentos nos divertindo na pesquisa e especulação sobre quem teria sido o autor deste ou daquele texto. Vocês acabaram com nossa brincadeira, a única seção que nos ofertava algo parecido à enigmística. Favor providenciar outra.

CARLOS AUGUSTO CIOCCA ROLIM, Rio de Janeiro (RJ)

 

MENOS FELIZ

Por que insistir em publicar esses quadrinhos chatos desses brilhantíssimos, todavia enfadonhos, artistas estrangeiros, quando temos material de qualidade no mínimo equivalente aqui na terra? Laerte, Millôr, Adão, Galhardo, Glauco… Por quê? Por quê? Por quê?

NOTA DA REDAÇÃO: A pergunta também foi apresentada na Cúpula dos Povos, durante a Rio+20. Ninguém soube responder.

BRUNO CALHEIRA DOS SANTOS, Itabuna (BA)

 

MENOS FELIZ

Essa edição (piauí_69, junho) só não foi mais chata porque não teve Gotlib…

BERNARDO REINHARDT DESERT MENEZES, Curitiba (PR)

 

MAIS FELIZ

Estava em uma viagem, para o interior do município de Óbidos, no Pará. Lá no meio do mato, numa casinha simples, bem isolada da civilização (coordenadas: 01º 15’53,7” S / 55º 54’57,0” W), ao almoçar com aquela humilde família, percebi uma revista grande, estranha, de capa vermelha. Era a piauí_68. Abri o exemplar imaginando ser uma publicação bem antiga, por estar em uma casa afastada da modernidade, onde nem luz elétrica havia. Não imagino (e esqueci de perguntar) como ela foi parar naquela casa. Ao ver a data da edição me espantei. Comecei a folheá-la e me admirei muito com a qualidade do conteúdo. Passei a ser fã da revista.

TARCISIO SCHNAIDER, Barcarena (PA)

 

O POVO POP NO PODER

O Brasil precisa de mais gente sobraçando livros, e não carregando isopor na cabeça. Incrível e lamentável como Rousseau, até hoje, entorta a cabeça de um monte de intelectuais!

PAULO KRAMER, Brasília (DF)

 

MAIS FELIZ

Sou um pouco mais feliz depois que descobri a revista (há quase um ano). Nem sempre consigo dar meus pitacos, pois para isso eu deveria fazer anotações durante a leitura dos textos e simplesmente não sou tão organizada assim. Resta a dúvida: se eu assinar a revista, acabarei com o ritual e o prazer de ir até a banca de jornal (apenas uma ou duas de Maringá tem a piauí).

NOTA DA RE~DAÇÃO : Dissipe a dúvida, Adriana. Assine a revista e continue a comprar um ou mais exemplares na banca. Prometemos prazeres múltiplos.

ADRIANA DE CAMARGO, Maringá (PR)

 

O POVO POP NO PODER

Muito elucidativa a resenha do livro Lulismo, Carisma Pop e Cultura Anticrítica, do psicanalista Tales Ab’Sáber, feita pelo jornalista Mario Sergio Conti, destacando principalmente o carisma do ex-presidente e como ele manipula esse dom, afastando seus concorrentes no âmbito partidário e, principalmente, planando sobre o partido por ele criado. O lulismo, assim como o getulismo ou qualquer outra corrente de cunho populista, está intrinsecamente ligado à figura do líder e tende a se dissolver com o desaparecimento do mesmo. O mito prevalecerá, porém sua obra será avaliada com maior acuidade no decorrer do tempo. A conclusão a que se chega é que Lula teve a sorte de estar sempre no lugar certo, em momentos decisivos, e agiu intuitivamente de forma magistral. Quanto ao seu partido, cada vez se parece mais com as demais legendas, idênticos vícios e atitudes, e não deverá ocupar um lugar especial na história.

DIRCEU LUIZ NATAL, Rio de Janeiro (RJ)

 

O POVO POP NO PODER

Em contraposição ao inegável carisma e popularidade de Lula, o artigo baseado no livro de Tales Ab’Sáber cita que FHC “tinha imenso impacto de personalidade apenas sobre o seu grupo social, bem paulistano, que envolvia dois ou três departamentos de universidade e três ou quatro bairros ricos da cidade”. Diante de tal afirmação, fica difícil entender como um presidente de “pulôver de cashmere e paletó de tweed com protetores de couro nos cotovelos”, com tão restrito “impacto de personalidade”, tenha sido eleito duas vezes presidente já no primeiro turno. E contra quem? Paulo Maluf? José Sarney? Bom, todos sabem muito bem. Estão errados os fatos ou Conti e Ab’Sáber?

MARCOS DOS SANTOS, São Paulo (SE)