história pessoal

Memórias da China

Uma brasileira conta como viveu, aos 14 anos, os protestos da Praça da Paz Celestial, em 1989

Adriana Erthal Abdenur
Foto revelada em 2009, dez anos depois do massacre na Praça da Paz Celestial, registra à esquerda, ao fundo, o jovem que se postou diante dos tanques; seu paradeiro segue desconhecido
Foto revelada em 2009, dez anos depois do massacre na Praça da Paz Celestial, registra à esquerda, ao fundo, o jovem que se postou diante dos tanques; seu paradeiro segue desconhecido FOTO_TERRIL JONES_05/06/1989_AP PHOTO_GLOW IMAGES

Passei a adolescência na China. Minha família chegou a Pequim no início de 1989, no meio do inverno. Lao Li, motorista da embaixada, conduziu-nos em silêncio do aeroporto até o Centro da cidade. A caminho do novo lar, víamos pela janela um mundo cinzento e pré-fabricado. Os prédios eram todos idênticos, de cimento, enfileirados como dominós. Eucaliptos haviam sido plantados em linha reta ao longo da estrada. Até mesmo a estrada tinha sido montada em blocos. Sob os pneus, as frestas no asfalto serviam de marca-passo: tuk, tuk, tuk.

Cruzamos com pessoas de bicicleta, vestidas de preto e cinza, com os rostos cobertos contra o frio cortante. À medida que nos aproximamos do Centro da cidade, as ciclovias foram ficando mais cheias. As ruas, no entanto, eram largas e vazias: quase não havia automóveis. Também não havia propaganda comercial. A cidade tinha a marca de uma estética comunista: sem outdoors, sem neon.

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Adriana Erthal Abdenur

Cientista social, é integrante do Comitê de Política de Desenvolvimento das Nações Unidas

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