carta do Iraque

O Alcorão de Sangue

À procura do livro sagrado escrito com a hemoglobina de Saddam Hussein

Emmanuel Carrère e Lucas Menget
Nem todos os aiatolás do mundo impediriam Saddam Hussein de interpretar o Alcorão a seu bel-prazer. Bastava um gesto blasfemo ter sido consumado por ele para deixar de ser blasfemo
Nem todos os aiatolás do mundo impediriam Saddam Hussein de interpretar o Alcorão a seu bel-prazer. Bastava um gesto blasfemo ter sido consumado por ele para deixar de ser blasfemo ILUSTRAÇÃO: SIMON BAILLY_2018

Texto originalmente publicado na revista XXI
Tradução de André Telles

O protocolo é sempre o mesmo, pelo menos no caso das pessoas importantes. Em primeiro lugar, transpostos os checkpoints, espera-se. Espera-se muito tempo. Essa espera é entremeada por copinhos de chá superaçucarados trazidos por rapazes solícitos, mais raramente por moças. A princípio, não desconfiei. No segundo dia, levei um livro para matar o tempo; no terceiro, deixei o livro no hotel porque é uma pena matar o tempo no Iraque, é preferível deixá-lo viver e sentir sua densidade milenar – a todo instante vão nos lembrar de que estamos num país com 7 mil anos de história e que inventou praticamente tudo, a começar pela escrita.

MATÉRIA FECHADA PARA ASSINANTES
Para acessar, assine a piauí

Emmanuel Carrère

Emamanuel Carrère é escritor, roteirista e diretor de cinema, é autor de O Reino, da Alfaguara

Lucas Menget

Editor da rádio France Info, foi correspondente no Oriente Médio e codirigiu o documentário Bagdad, Chronique d'une Ville Emmurée

Leia também

Últimas Mais Lidas

Sergei Loznitsa – decadência e degradação onipresentes

A Rússia filmada pelo cineasta ucraniano mostra ao resto do mundo qual caminho não seguir

Deu no celular

Fim do lulismo, campanha via smartphone e a era da desinformação

No Brasil, passeata passa antes pela escola

Pesquisa da Pew Research mostra que 29% dos brasileiros mais escolarizados dizem participar de protestos, contra 8% dos que têm menos anos de estudo – a maior diferença entre 14 países

Ingressos à venda para o Festival Piauí GloboNews de Jornalismo

Estudantes e professores pagam meia-entrada, e assinantes da revista têm desconto

O candidato do colapso

Poder de Bolsonaro nasceu da devastação social e dela dependerá

E se o Brasil sair do Acordo de Paris?

O que Bolsonaro precisa fazer para abandonar o tratado climático, e como o recuo ameaça a parceria comercial bilionária com a União Europeia

Correndo riscos

Eficiente na campanha, o medo não serve a Bolsonaro para governar o país

Buscas por “Fascismo” batem recorde no Google

Curiosidade atingiu o auge no domingo da eleição, com dez vezes mais pesquisas do que a média; "Jair Bolsonaro" é um dos principais assuntos relacionados

Os formadores da onda

SuperPop, comunismo e Lava Jato: sete eleitores de uma mesma família no Rio de Janeiro enumeram as razões por que votam em Bolsonaro

Bolsonaro e a tirania da maioria

País que exige ficha limpa de políticos desdenha da ficha democrática

Mais textos
1

Vivi na pele o que aprendi nos livros

Um encontro com o patrimonialismo brasileiro*

2

A imprensa precisa fazer autocrítica

Foram anos tratando o inaceitável como controverso ou mesmo engraçado

3

Medo por medo, dá Bolsonaro

Datafolha mostra que PT não projeta sonho mas continuísmo

4

O fiador

A trajetória e as polêmicas do economista Paulo Guedes, o ultraliberal que se casou por conveniência com Jair Bolsonaro

5

Os formadores da onda

SuperPop, comunismo e Lava Jato: sete eleitores de uma mesma família no Rio de Janeiro enumeram as razões por que votam em Bolsonaro

6

O PT em segundo lugar

Ameaça autoritária exige pacto de refundação institucional

7

O candidato do colapso

Poder de Bolsonaro nasceu da devastação social e dela dependerá

8

Bolsonarismo não é partido

Democracia brasileira depende de petismo e antipetismo se organizarem em siglas que se respeitem

9

Bolsonaro e a tirania da maioria

País que exige ficha limpa de políticos desdenha da ficha democrática

10

O candidato da esquerda

Pouco conhecido, sem nunca ter feito vida partidária ou disputado votos, o ministro Fernando Haddad parte em busca dos militantes do PT, dos paulistanos e da prefeitura