despedida

O funeral do ETA

A extinção do grupo nacionalista armado e as cicatrizes de uma era de terror

Ricardo Viel
Nos muros de Hernani, cidade do País Basco, o extinto grupo terrorista ainda é reverenciado com frases como “Viva ETA” (Gora ETA) e “Muito obrigado ETA” (Mila Esker ETA)
Nos muros de Hernani, cidade do País Basco, o extinto grupo terrorista ainda é reverenciado com frases como “Viva ETA” (Gora ETA) e “Muito obrigado ETA” (Mila Esker ETA) FOTO_ANDER GILLENEA_GETTY IMAGES

Viajei em maio ao País Basco para assistir à cerimônia de dissolução do último grupo nacionalista armado da Europa, o ETA. Em Cambo-les-Bains, cidadela na região basco-francesa com menos de 7 mil habitantes, ao lado da fronteira espanhola, observadores internacionais, seguidos por jornalistas, como eu, acompanharam no dia 4 daquele mês à “teatralização”, como qualificaram alguns espanhóis, do fim da organização terrorista cuja violência assombrou a Espanha por quase meio século.

O ato de dissolução não foi oficialmente convocado pelo ETA, nem poderia ter sido, pois nenhum Estado daria autorização a terroristas para chamar a imprensa e reunir pessoas em certo local. A cerimônia, realizada na Villa Arnaga, uma quinta que pertenceu ao dramaturgo francês Edmond Rostand, o autor de Cyrano de Bergerac, foi a culminância de um processo de pacificação iniciado em 2011 por grupos da sociedade civil e incentivado por personalidades mundiais, como Kofi Annan, ex-secretário-geral da onu, e Michel Camdessus, ex-diretor-gerente do fmi. Foi Camdessus, aliás, quem leu em francês o comunicado que confirmava que o ETA havia deixado de existir e que se buscava agora uma solução “global, justa e duradoura” para o País Basco – o texto também foi lido em basco, espanhol e inglês.

MATÉRIA FECHADA PARA ASSINANTES
Para acessar, assine a piauí

Ricardo Viel

Ricardo Viel é jornalista brasileiro radicado em Salamanca.

Leia também

Últimas Mais Lidas

Tempo eleitoral: modos de usar

Os dilemas do PSDB e do PT numa disputa atípica

Produtor de soja do MS é autor de “outdoor rural” pró-Bolsonaro

Projeto Comprova descobriu quem é o responsável pela imagem que viralizou e circula na internet desde o ano passado

A culpa do alto clero

Arranjo institucional do país aumenta a influência do dinheiro na política

O Grenal das vices

20 perguntas para mostrar as muitas diferenças e os poucos pontos em comum entre as gaúchas Manuela D’Ávila e Ana Amélia

Bolsonaro fala outra língua

O ex-capitão é o único presidenciável da era da conectividade

Maria vai com as outras #6: Lugar de homem

Adinaildes Gomes, dona de uma empresa de construção civil e motorista de aplicativo, e Karla de Souza, vigilante patrimonial, contam como é atuar em profissões historicamente masculinas

O medo e o mito

A relação entre Bolsonaro e um hit do axé

No sofá, com a crise

Desempregados passam a lavar carros em ruas do Rio e serviço conta até com sofá para os clientes. Um deles pergunta: “Prefere que eu assalte?”

Com Deus, sem Lula

Impressões sobre o primeiro debate dos presidenciáveis

O debate traduzido para o mercado financeiro

Em pesquisa para bancos, Ciro foi apontado como o candidato mais simpático, e Bolsonaro, o mais alvejado; piauí acompanhou o programa em consultoria que monitora redes sociais para as instituições

Mais textos